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Minas Gerais

Geração de emprego tem saldo positivo, mas perde ritmo em MG

Minas abriu 20,8 mil vagas formais em junho; resultado supera expectativas, mas fica abaixo do registrado no ano passado

30/07/2026 14:42
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Carteira de trabalho digital

Belo HorizonteMinas Gerais manteve saldo positivo na geração de empregos com carteira assinada em junho, porém o ritmo de criação de vagas perdeu força em relação ao ano passado. Dados do Novo Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o estado abriu 20,8 mil postos de trabalho no mês, número inferior às quase 24 mil vagas registradas em junho de 2025.

A desaceleração também aparece no acumulado do ano. Entre janeiro e junho de 2026, Minas contabilizou aproximadamente 109 mil novos empregos formais. O resultado representa uma queda de 27% na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o saldo alcançou 149,2 mil vagas.

Apesar da redução no ritmo de crescimento, o mercado de trabalho segue demonstrando capacidade de gerar empregos. Para o economista-chefe da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), João Gabriel Pio, o cenário indica uma acomodação da atividade econômica, e não uma mudança na tendência de abertura de vagas.

Segundo o economista, o saldo registrado em junho ficou acima das expectativas do mercado, mas foi o menor para o mês desde 2020. Na avaliação dele, a economia continua criando empregos formais, porém em intensidade menor do que a observada nos últimos anos.

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“O saldo de junho veio acima das expectativas do mercado, mas ainda foi o menor para o mês desde 2020. Os dados representam uma acomodação do ritmo de crescimento do emprego, e não uma reversão da trajetória positiva. A economia continua abrindo vagas, porém em intensidade menor do que a observada nos últimos anos” avalia Pio.

Setores e contratações

Entre os setores da economia mineira, a agropecuária foi a principal responsável pela criação de empregos em junho, com saldo de quase 11 mil vagas. Em seguida aparecem a indústria, que gerou 4,3 mil postos, o setor de serviços, com 4,2 mil, e o comércio, responsável por 1,3 mil novas vagas.

No segmento industrial, a construção foi a atividade que mais contratou durante o mês, com cerca de 2,5 mil empregos formais. Logo depois aparece a indústria de transformação, com aproximadamente 2 mil vagas. Somadas, as atividades industriais acumularam 35 mil novos postos de trabalho no primeiro semestre.

Resultados no Brasil

O comportamento observado em Minas acompanha a tendência nacional. Em junho, o Brasil registrou a abertura de 145,2 mil empregos com carteira assinada. O resultado ficou acima da expectativa do mercado, que projetava cerca de 115 mil vagas, mas também foi inferior ao desempenho de junho de 2025, quando foram criados aproximadamente 162 mil postos formais.

Nos seis primeiros meses do ano, o país acumulou 921,6 mil novos vínculos de trabalho, volume 25% menor do que o registrado no mesmo intervalo de 2025, quando foram abertas cerca de 1,2 milhão de vagas.


Setores que mais contrataram no Brasil

  • Serviços: 74,5 mil postos
  • Indústria: 28,6 mil vagas
  • Agropecuária: 22,9 mil empregos
  • Comércio: 19,2 mil

Expectativas para os próximos meses

Para os próximos meses, a expectativa da Fiemg é de continuidade na geração de empregos formais, embora em um ritmo mais moderado. A entidade avalia que fatores como juros elevados, restrições ao crédito, incertezas fiscais, instabilidade relacionada ao período eleitoral, tensões geopolíticas e as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros podem reduzir investimentos, limitar a atividade econômica e diminuir o ritmo das contratações.

Nesse cenário, a tendência é que os segmentos ligados ao consumo e ao setor de serviços continuem sustentando parte da abertura de vagas, enquanto atividades mais dependentes de crédito, grandes investimentos e do comércio internacional possam registrar um desempenho mais contido.