Fiemg: Minas vende mais aço para os EUA, mas com menor valor agregado
Estudo da Fiemg mostra que após tarifaço de Trump, as exportações mineiras cresceram 15% em volume, mas registraram queda de 26% em valor
atualizado
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Minas Gerais está exportando 15% mais aço para os Estados Unidos (EUA), mas com retração no valor agregado dos produtos de 26%. É o que aponta um estudo feito pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). O relatório foi divulgado nesta quinta-feira (12/3).
A pesquisa mostra também que o Brasil, em média, está exportando menos aço para os Estados Unidos, com uma queda de 8,3%. Os números analisados são referentes à entrada em vigor das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump em 12 de março de 2025.
O estado das alterosas é o maior produtor de aço bruto do país, responsável por cerca de 30% da produção brasileira e um dos principais exportadores do setor. No mercado dos Estados Unidos, as exportações mineiras cresceram 15% em volume até o fim de 2025, mas registraram queda de 26% em valor, evidenciando uma mudança no perfil das vendas externas.
De acordo com o levantamento, esse movimento ocorreu principalmente pela ampliação dos embarques de aços semiacabados, que possuem menor valor agregado e são utilizados como insumo para processamento em outros países. Com isso, Minas Gerais passou a exportar ao mercado dos Estados Unidos mais aço em toneladas, mas com menor valor médio por produto, o que explica a redução na receita das exportações.
Em 2024, por exemplo, apenas 19% das exportações de aço aos Estados Unidos eram de semiacabados, enquanto 81% correspondiam a itens de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis.
“O tarifaço alterou de forma relevante a dinâmica do comércio internacional de aço. Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações que passaram a se concentrar mais em produtos de menor valor agregado”, afirma o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.
Cenário nacional
O estudo mostra que em 2025 os embarques do Brasil para os Estados Unidos recuaram 8,3%, totalizando 3,7 milhões de toneladas. No mesmo período, as importações globais de aço pelos EUA caíram 12,6% em peso na comparação com o ano anterior.
As tarifas de 25% sobre o metal importado entraram em vigor em março de 2025 e foram posteriormente elevadas para 50% em junho do mesmo ano. Segundo a Fiemg, o recuo nas compras externas está diretamente relacionado ao aumento do custo de entrada do produto no mercado americano, o que reduziu a competitividade de diversos fornecedores internacionais.
No caso brasileiro, a queda menor em relação à média global reflete uma maior integração produtiva entre siderúrgicas brasileiras e a indústria estadunidense. Segundo o relatório, esse fator contribuiu para preservar o espaço ocupado pelo Brasil nas importações de aço do país.
Apesar da retração, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado, atrás apenas do Canadá, vizinho e parceiro tradicional, e à frente do México.
Importações de aço
O estudo também alerta para outro fator de atenção: o crescimento das importações de aço no Brasil. Em 2025, as compras externas aumentaram 7%, alcançando 6,2 milhões de toneladas, a preços 8% mais baixos; muitas vezes inferiores ao custo no mercado interno do exportador, o que pode configurar prática ilegal.
O aumento das importações veio principalmente da China, responsável por 62% do total, além de países como Coreia do Sul (12%) e Egito (5%). Para a Fiemg, o cenário exige acompanhamento permanente, “especialmente em um contexto de excesso de oferta global, pressão sobre preços e risco de práticas desleais de comércio, o que exige atenção redobrada à competitividade da indústria brasileira”, concluiu Roscoe.
