“Essa desgraça tem que morrer”: Justiça mantém casal preso em Minas
Bebê de um anos e oito meses que chegou morto à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, em Belo Horizonte, na última terça-feira (7/4)
atualizado
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Belo Horizonte – A prisão do padrasto e da mãe do bebê de um anos e oito meses que chegou morto à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Oeste, em Belo Horizonte, na última terça-feira (7/4), foi convertida em preventiva, após eles passarem por audiência de custódia, nesta sexta-feira (10/4). A mulher acusou o companheiro e contou que ele já dizia que “essa desgraça tem que morrer mesmo”, em relação à criança.
A mãe presa acabou de ter outro bebê, que está no hospital, aos cuidados do Conselho Tutelar.
Há um vasto histórico de maus tratos até a morte da criança. Esta foi a conclusão da Polícia Civil de Mina Gerais nas investigações sobre esse caso.
O delegado Matheus Moraes Marques da 2ª Delegacia Especializada em Homicídios (Barreiro) de Belo Horizonte, declarou que a calma e a indiferença da mãe em relação à morte do filho geraram surpresa nos militares que atenderam a ocorrência.
Segundo ele, o laudo necroscópico ainda não foi finalizado, mas o que já foi possível detectar é que a criança sofreu várias lesões contusas, o que ocasionou hemorragia, levando a criança à morte. As lesões foram no tórax e na cabeça.
Segundo o delegado, que fez os relatos em entrevista coletiva, na quinta-feira (9/4), foi possível observar que a vítima e o seu irmão mais velho, de quatro anos, eram constantemente agredidos e sofriam maus tratos tanto pelo padrasto, Guilherme Henrique Avelino Maia de 32 anos, quanto pela mãe, Laryssa Dayana Vidal Vieira, de 26 anos.
Segundo a PCMG, a mulher teria sido conivente com as agressões praticadas pelo padrasto.
Diante de todos os fatos e provas foi confirmada a prisão em face do padrasto por homicídio qualificado e em face da mãe da vítima por maus tratos e resultado morte e na tarde desta sexta-feira, foi convertida em preventiva.
“Por mais que seja uma situação em tese absurda prender uma mãe que pariu no dia anterior, ela não tinha preocupação nenhuma com os filhos”, disse o delegado.
No final do depoimento da mulher, ela tentou mudar totalmente a versão, dizendo que o padrasto realmente batia nas crianças e proferia dizeres do tipo: “Essa desgraça tem que morrer mesmo”.
O delegado disse que, devido as agressões às crianças, o casal havia sido expulso pelo poder paralelo existente no bairro Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte.
A mulher também relatou durante depoimento que sofria violência doméstica e que era ameaçada de morte pelo companheiro, que ele ameaçava matar os filhos dela.
O delegado relatou que na noite do crime, o padrasto saiu de casa para comprar cocaína, retornou para casa e saiu de novo, deixando a criança sob cuidados de um parente, que mora no mesmo lote, mas pediu para que essa pessoa não mexesse com a criança.
A médica que atendeu a criança e constatou o óbito relatou que pela temperatura do corpo da criança, o óbito teria ocorrida uma hora antes do horário relatado na hora do atendimento.
Destino dos filhos
O delegado disse em coletiva que não há a menor condição das crianças permanecerem com essa mãe.
O irmão mais velho foi encaminhado para o Conselho Tutelar e a criança recém-nascida permanece no hospital, sob responsabilidade do Conselho Tutelar, também.
