Esquema milionário de propina é alvo de operação em Divinópolis (MG)
O valor dos contratos sob investigação ultrapassa os R$ 37 milhões; secretário municipal de Operações e Serviços Urbanos foi exonerado
atualizado
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Belo Horizonte – O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deflagrou na manhã desta quinta-feira (12/3), em Divinópolis, na Região Centro-Oeste de Minas, a Operação “Ghost Machine” que visa combater uma associação criminosa voltada para a prática de crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações e contratos e lavagem de dinheiro. O valor dos contratos sob investigação ultrapassa os R$ 37 milhões, sendo que a propina paga pode superar R$ 2 milhões.
A investigação revelou, segundo o MP, um esquema sistêmico de direcionamento de editais e pagamento de propinas no âmbito da Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur).
A apuração do caso teve início em março de 2025 após denúncia formalizada pelo próprio prefeito, Gleidson Azevedo (Novo), e da vice, Janete Oliveira (Avante) ao Ministério Público. Em nota divulgada no site oficial da prefeitura de Divinópolis, o prefeito explica que a apuração teve início após suspeitas identificadas pela administração municipal na Secretaria Municipal de Operações e Serviços Urbanos (Semsur). Diante de indícios de irregularidades, a equipe realizou um levantamento de informações e reuniu documentos.
O prefeito à época, determinou a exoneração imediata do secretário suspeito de envolvimento e se colocou à disposição todos os documentos necessários para assegurar transparência e colaborar com oesclarecimento completo da situação.
Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Divinópolis. O objetivo é arrecadar provas, documentos, dispositivos eletrônicos e bens de origem ilícita. O Poder Judiciário determinou a indisponibilidade de bens e ativos financeiros dos investigados, abrangendo contas bancárias, veículos, imóveis, ativos negociados em bolsa de valores e criptoativos.
Operação Ghost Machine
A denominação da operação advém da utilização, pelos investigados, da estrutura administrativa para fins particulares, especialmente em relação à natureza fictícia de medições de serviços de locação de máquinas, que serviam de base para o desvio de recursos públicos.
A ação é coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) Regional de Divinópolis e pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, contando também com a participação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e apoio das Polícias Civil e Penal. Dois promotores de Justiça, sete agentes do Gaeco, 30 policiais militares, 14 policiais civis e 16 viaturas realizaram as diligências nesta quinta (12).
Posição da Prefeitura
A Prefeitura de Divinópolis reafirma que a atual gestão conduz suas ações com base na transparência, na responsabilidade e na idoneidade, princípios que orientam todas as decisões administrativas e políticas do governo municipal. Qualquer indício ou suspeita de irregularidade será sempre tratado com seriedade, com apuração criteriosa e comunicação imediata aos órgãos de controle e fiscalização, para que as medidas legais cabíveis sejam adotadas e eventuais crimes sejam devidamente investigados e combatidos.
A administração municipal destaca ainda que continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações, colocando à disposição todas as informações necessárias para o esclarecimento completo dos fatos e para o fortalecimento das instituições que atuam na defesa do interesse público.
Eleições 2026
Na quinta-feira 26 de fevereiro, o prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo (Novo), declarou que renunciará ao cargo para concorrer a uma vaga de deputado federal nas eleições. Como irmão gêmeo do senador Cleitinho (Republicanos) — que pode lançar candidatura ao governo de Minas Gerais —, Gleidson agora entra oficialmente no cenário eleitoral mineiro de 2026.
