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Minas Gerais

Esculturas gigantes e prédios iluminados transformam BH; veja onde

A Festa da Luz é gratuita e começa nesta quinta-feira (25/) com projeções, instalações, shows e obras inspiradas na América Latina

25/06/2026 03:30
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Isis Medeiros/ Divulgação
Festa da Luz, em BH, 2025

Belo Horizonte – Quem passar pelo Hipercentro da capital mineira, principalmente nas próximas noites, vai vê-lo de um jeito diferente: projeções gigantes dão uma nova cara à Praça da Estação, criaturas infláveis gigantes tomam o entorno do Viaduto Santa Tereza e até um jogo de videogame é projetado na fachada de um prédio na Rua Sapucaí.

A Festa da Luz chega à 5ª edição, começando nesta quinta-feira (25/6), e segue até domingo (28/6), com programação gratuita. São 12 instalações e atrações musicais que vão de blocos belo-horizontinos que vão do pagodão baiano à cúmbia a apresentações de rap, reggae e de banda pernambucana que mistura ritmos como frevo e maracatu.

Essa mistura de ritmos conversa diretamente com o tema deste ano, “O Brasil é América Latina”. Segundo a diretora artística Juliana Flores, a proposta é refletir sobre o que significa ser latino-americano a partir de BH.

“Nosso intuito não é definir uma identidade latina — o que consideramos redutivo, mas celebrar o que somos, explorando as conexões e as singularidades que nos unem e nos distinguem. Como um festival de arte pública e multilinguagens, desejamos não apenas falar sobre a América Latina, mas dialogar diretamente com ela”, disse.

Teste de instalação da Festa da Luz 2026
Teste de instalação da Festa da Luz 2026

Do México para o viaduto Santa Tereza

A artista brasileira-mexicana Fefê Talavera foi a convidada para ocupar um dos principais corredores, entre a Praça Fuad Noman, os edifícios Sulacap e Sulamérica e os arcos do Viaduto Santa Tereza, com as esculturas infláveis chamadas de “Filhos do Sopro”.

São oito esculturas infláveis de até seis metros de altura inspiradas nos alebrijes mexicanos — criaturas fantásticas que misturam animais diferentes. Criadas especialmente para o festival, elas estarão espalhadas pelo cartão-postal como “presenças vivas e coloridas”, nas palavras de Talavera.

“Embora dialogue com personagens e universos que fazem parte da minha pesquisa artística há muitos anos, esta é a primeira vez que eles ganham escala monumental e ocupam o espaço público através da linguagem dos infláveis”, disse Fefê Talavera.

Para ela, a instalação convida o público a olhar a cidade com mais imaginação. “O sopro, para mim, representa aquilo que dá vida às coisas invisíveis: os sonhos, as histórias, os afetos e as memórias coletivas. Ao ocupar as ruas com essas criaturas, desejo criar um encontro inesperado entre arte e cotidiano, despertando o olhar lúdico e a capacidade de maravilhamento”, disse.

Ela conta que espero que as pessoas, independentemente da idade, possam se permitir alguns instantes de imaginação e de alegria. “Em um mundo tão acelerado, talvez essas criaturas nos lembrem que ainda somos capazes de sonhar, brincar e nos reconectar com a parte mais sensível e fantástica da existência”, acrescentou.
Festa da Luz, em BH, 2025
Festa da Luz, em BH, 2025

Praça da Estação e Parque Municipal

O videomapping – técnica que usa projetores para transformar prédios, paredes e objetos em grandes telas de vídeo – segue como uma das principais atrações, ocupando a fachada histórica do Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, reunindo artistas do Brasil, da Bolívia, da Colômbia, da Guatemala e do Uruguai.

Também há duas obras interativas: “Um painel de LED que reage aos movimentos do público, na Praça Rui Barbosa, e um videogame projetado na fachada da VLI, na Rua Sapucaí. Também ampliamos a ocupação do Parque Municipal“, contou.

Entre os destaques no parque estão uma obra inspirada na cultura indígena, uma instalação inédita sobre a água criada por uma artista paraense e uma intervenção do coletivo francês Spectaculaires. 

“A gente quis transformar o Parque Municipal em um espaço mais imersivo e multissensorial, com obras visuais e sonoras. […] Trouxemos a Roberta Carvalho para fazer um videomapping sobre a água, algo que já queríamos realizar há algum tempo. Também levamos para o parque as pedras em escala monumental do artista indígena Gustavo Caboco. […]”, disse Juliana.
Projeção na Praça da Estação, em BH, 2025
Projeção na Praça da Estação, em BH, 2025

Os letreiros que contam história

Uma das instalações convida o público a revisitar a BH das décadas de 1930. A obra nasceu da pesquisa do designer Rafael Maia, que há quase 20 anos observa os letreiros históricos espalhados pelo hipercentro e os transformou em um convite para olhar a memória da cidade.

Letreiro edifício São Paulo, em BH
Letreiro edifício São Paulo, em BH

Essa curiosidade deu origem a uma pesquisa de mestrado, que catalogou tipografias de 22 edifícios mostrando como esse letreiros fazem parte da história e da identidade da cidade:

“O estudo apresenta o primeiro inventário de tipografias arquitetônicas nominativas do hipercentro de Belo Horizonte. O foco é dirigido aos edifícios em estilo Art Déco e protomodernos. […] O mais antigo edifício vertical com tipografia arquitetônica nominativa em sua fachada é o edifício Chagas Dória, de 1932, o que orientou o marco inicial do recorte temporal”, disse.

O edifício Chagas Dória foi o ponto de partida da pesquisa e recebe a intervenção “ECO“, de Rafael, Flávia Péret e Gabriel Figueiredo. Com neon, a obra exibe a frase “Escutar na língua do outro o eco de uma mesma voz” e recria tipografias que marcaram a paisagem de BH e de outras cidades latino-americanas. A proposta ganha ainda mais importância diante da constatação de que 63% das letras catalogadas já desapareceram ou estão deterioradas.

Projeto de instalação ECO, Festa da Luz, BH 2026
Projeto de instalação ECO, Festa da Luz, BH 2026
“A obra parte da ideia de voz como memória, identidade, pertencimento e experiência coletiva. […] Mesmo com as diferenças entre os países, existem histórias compartilhadas, marcadas pela colonização, pelos desejos, pelas lutas e pelas experiências em comum. ECO convida o público a perceber, na fala do outro, ecos dessas histórias compartilhadas”, finalizou Rafael.

Música de BH, Pernambuco e Chile 

A conexão latino-americana também está na programação musical. Entre quinta e domingo, o projeto Rádio Améfrica ocupa o Viaduto Santa Tereza com shows e DJs que misturam brasilidades a ritmos de diferentes países do continente. “Começamos hoje, com muito axé, com Pai Ricardo e o grupo Ori Samba, abençoando essa grande encruzilhada que é o Centro”, contou Juliana.

No fim de semana, a Praça da Estação recebe um encontro entre música e projeções visuais. A programação inclui shows do Bloco Swing Safado, que mistura o pagodão baiano com a energia do carnaval de BH, da Orquestra Atípica de Lhamas, conhecida pelo repertório de cúmbia, da banda pernambucana Academia da Berlinda e da cantora chilena Claudia Manzo, integrante de BaianaSystem.

As apresentações serão acompanhadas por projeções de videomapping. Informações e programação completa pela página @festadaluz.art.

Serviço
Data: 25 a 28 de junho de 2026
Horário: 18h às 23h
Local: Hipercentro de Belo Horizonte
Entrada gratuita