Esculturas gigantes e prédios iluminados transformam BH; veja onde
A Festa da Luz é gratuita e começa nesta quinta-feira (25/) com projeções, instalações, shows e obras inspiradas na América Latina

Belo Horizonte – Quem passar pelo Hipercentro da capital mineira, principalmente nas próximas noites, vai vê-lo de um jeito diferente: projeções gigantes dão uma nova cara à Praça da Estação, criaturas infláveis gigantes tomam o entorno do Viaduto Santa Tereza e até um jogo de videogame é projetado na fachada de um prédio na Rua Sapucaí.
A Festa da Luz chega à 5ª edição, começando nesta quinta-feira (25/6), e segue até domingo (28/6), com programação gratuita. São 12 instalações e atrações musicais que vão de blocos belo-horizontinos que vão do pagodão baiano à cúmbia a apresentações de rap, reggae e de banda pernambucana que mistura ritmos como frevo e maracatu.
Essa mistura de ritmos conversa diretamente com o tema deste ano, “O Brasil é América Latina”. Segundo a diretora artística Juliana Flores, a proposta é refletir sobre o que significa ser latino-americano a partir de BH.
“Nosso intuito não é definir uma identidade latina — o que consideramos redutivo, mas celebrar o que somos, explorando as conexões e as singularidades que nos unem e nos distinguem. Como um festival de arte pública e multilinguagens, desejamos não apenas falar sobre a América Latina, mas dialogar diretamente com ela”, disse.

Do México para o viaduto Santa Tereza
A artista brasileira-mexicana Fefê Talavera foi a convidada para ocupar um dos principais corredores, entre a Praça Fuad Noman, os edifícios Sulacap e Sulamérica e os arcos do Viaduto Santa Tereza, com as esculturas infláveis chamadas de “Filhos do Sopro”.
São oito esculturas infláveis de até seis metros de altura inspiradas nos alebrijes mexicanos — criaturas fantásticas que misturam animais diferentes. Criadas especialmente para o festival, elas estarão espalhadas pelo cartão-postal como “presenças vivas e coloridas”, nas palavras de Talavera.
“Embora dialogue com personagens e universos que fazem parte da minha pesquisa artística há muitos anos, esta é a primeira vez que eles ganham escala monumental e ocupam o espaço público através da linguagem dos infláveis”, disse Fefê Talavera.
Para ela, a instalação convida o público a olhar a cidade com mais imaginação. “O sopro, para mim, representa aquilo que dá vida às coisas invisíveis: os sonhos, as histórias, os afetos e as memórias coletivas. Ao ocupar as ruas com essas criaturas, desejo criar um encontro inesperado entre arte e cotidiano, despertando o olhar lúdico e a capacidade de maravilhamento”, disse.
Ela conta que espero que as pessoas, independentemente da idade, possam se permitir alguns instantes de imaginação e de alegria. “Em um mundo tão acelerado, talvez essas criaturas nos lembrem que ainda somos capazes de sonhar, brincar e nos reconectar com a parte mais sensível e fantástica da existência”, acrescentou.

Praça da Estação e Parque Municipal
O videomapping – técnica que usa projetores para transformar prédios, paredes e objetos em grandes telas de vídeo – segue como uma das principais atrações, ocupando a fachada histórica do Museu de Artes e Ofícios, na Praça da Estação, reunindo artistas do Brasil, da Bolívia, da Colômbia, da Guatemala e do Uruguai.
Também há duas obras interativas: “Um painel de LED que reage aos movimentos do público, na Praça Rui Barbosa, e um videogame projetado na fachada da VLI, na Rua Sapucaí. Também ampliamos a ocupação do Parque Municipal“, contou.
Entre os destaques no parque estão uma obra inspirada na cultura indígena, uma instalação inédita sobre a água criada por uma artista paraense e uma intervenção do coletivo francês Spectaculaires.
“A gente quis transformar o Parque Municipal em um espaço mais imersivo e multissensorial, com obras visuais e sonoras. […] Trouxemos a Roberta Carvalho para fazer um videomapping sobre a água, algo que já queríamos realizar há algum tempo. Também levamos para o parque as pedras em escala monumental do artista indígena Gustavo Caboco. […]”, disse Juliana.

Os letreiros que contam história
Uma das instalações convida o público a revisitar a BH das décadas de 1930. A obra nasceu da pesquisa do designer Rafael Maia, que há quase 20 anos observa os letreiros históricos espalhados pelo hipercentro e os transformou em um convite para olhar a memória da cidade.

Essa curiosidade deu origem a uma pesquisa de mestrado, que catalogou tipografias de 22 edifícios mostrando como esse letreiros fazem parte da história e da identidade da cidade:
“O estudo apresenta o primeiro inventário de tipografias arquitetônicas nominativas do hipercentro de Belo Horizonte. O foco é dirigido aos edifícios em estilo Art Déco e protomodernos. […] O mais antigo edifício vertical com tipografia arquitetônica nominativa em sua fachada é o edifício Chagas Dória, de 1932, o que orientou o marco inicial do recorte temporal”, disse.
O edifício Chagas Dória foi o ponto de partida da pesquisa e recebe a intervenção “ECO“, de Rafael, Flávia Péret e Gabriel Figueiredo. Com neon, a obra exibe a frase “Escutar na língua do outro o eco de uma mesma voz” e recria tipografias que marcaram a paisagem de BH e de outras cidades latino-americanas. A proposta ganha ainda mais importância diante da constatação de que 63% das letras catalogadas já desapareceram ou estão deterioradas.

“A obra parte da ideia de voz como memória, identidade, pertencimento e experiência coletiva. […] Mesmo com as diferenças entre os países, existem histórias compartilhadas, marcadas pela colonização, pelos desejos, pelas lutas e pelas experiências em comum. ECO convida o público a perceber, na fala do outro, ecos dessas histórias compartilhadas”, finalizou Rafael.
Música de BH, Pernambuco e Chile
A conexão latino-americana também está na programação musical. Entre quinta e domingo, o projeto Rádio Améfrica ocupa o Viaduto Santa Tereza com shows e DJs que misturam brasilidades a ritmos de diferentes países do continente. “Começamos hoje, com muito axé, com Pai Ricardo e o grupo Ori Samba, abençoando essa grande encruzilhada que é o Centro”, contou Juliana.
No fim de semana, a Praça da Estação recebe um encontro entre música e projeções visuais. A programação inclui shows do Bloco Swing Safado, que mistura o pagodão baiano com a energia do carnaval de BH, da Orquestra Atípica de Lhamas, conhecida pelo repertório de cúmbia, da banda pernambucana Academia da Berlinda e da cantora chilena Claudia Manzo, integrante de BaianaSystem.
As apresentações serão acompanhadas por projeções de videomapping. Informações e programação completa pela página @festadaluz.art.
Serviço
Data: 25 a 28 de junho de 2026
Horário: 18h às 23h
Local: Hipercentro de Belo Horizonte
Entrada gratuita


