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Minas Gerais

Energia elétrica pesa e inflação em BH sobe 0,58% em junho

Alta da energia elétrica e dos serviços pressiona custo de vida em BH e confirma cenário de inflação resistente apontado por economistas

Daniel Galera11/06/2026 19:06
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Linha de transmissão
Linhas de transmissão escoam a energia produzida na Usina Hidrelétrica de Itumbiara - Itumbiara (GO)

Belo Horizonte – A inflação na capital mineira iniciou junho em aceleração. De acordo com a Fundação IPEAD, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo de Belo Horizonte (IPCA-BH) registrou alta de 0,58% na primeira quadrissemana do mês, mais que o dobro da variação observada em maio, quando o indicador fechou em 0,28%.

O avanço dos preços reforça o cenário de cautela apontado pelo Boletim de Conjuntura Econômica da instituição – vinculada à Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG – publicado no final de maio, que identifica a inflação como um dos principais desafios para a economia brasileira em 2026.

O levantamento mostra que o custo de vida voltou a ganhar força principalmente por causa do aumento de serviços e tarifas administradas. Entre os itens que mais pressionaram o índice estão excursões, com alta de 4,66%, conserto de automóvel, que subiu 7,53%, e a tarifa de energia elétrica residencial, com avanço de 3,18%.

O movimento confirma a avaliação do IPEAD de que, embora a economia brasileira continue sustentada pelo consumo das famílias e pelo mercado de trabalho aquecido, ainda existem focos importantes de pressão inflacionária que dificultam uma desaceleração mais consistente dos preços.

Energia e serviços lideram pressão sobre o orçamento

Os dados de maio já haviam mostrado um comportamento semelhante. Naquele mês, o IPCA-BH registrou alta de 0,28%, impulsionado principalmente pelas excursões (4,66%), pela tarifa de energia elétrica (2,50%) e pelos condomínios residenciais (1,01%).

Empresa Águia Branca oferece vantagens para consumidores interessados em viagens de ônibus
Entre os itens que mais pressionaram o índice estão excursões, com alta de 4,66%

A continuidade da pressão desses grupos evidencia que a inflação atual não está concentrada apenas nos alimentos, mas também em despesas relacionadas a serviços e custos domésticos, que possuem peso relevante no orçamento das famílias.

Para os economistas do IPEAD, esse comportamento ajuda a explicar por que a inflação segue exigindo atenção mesmo em um cenário de atividade econômica moderada.

Combustíveis ajudam a conter alta maior dos preços

Se por um lado energia e serviços pressionaram o custo de vida, os combustíveis funcionaram como um importante fator de alívio.

Na primeira quadrissemana de junho, a gasolina comum apresentou queda de 3,73%, enquanto o etanol comum recuou 11,83%. O vidro também registrou redução expressiva de preços, de 11,75%.

Em maio, o impacto dos combustíveis foi ainda mais significativo. A gasolina acumulou queda de 7,28% e o etanol recuou 14,90%, ajudando a evitar uma inflação mais elevada no período.

Sem essas reduções, avaliam especialistas, os índices poderiam ter apresentado resultados ainda mais altos.

Inflação permanece controlada em 12 meses

Apesar da aceleração observada no curto prazo, os indicadores acumulados em 12 meses permanecem relativamente estáveis. O IPCA-BH acumula alta de 3,65% até a primeira quadrissemana de junho, praticamente o mesmo patamar registrado em maio, quando o acumulado era de 3,66%.

Entre as famílias com renda de um a cinco salários mínimos, medida pelo IPCR-BH, a inflação acumulada passou de 3,50% em maio para 3,62% em junho.

Os números indicam que, embora os preços estejam acelerando no início do mês, a inflação ainda permanece em níveis moderados quando analisada em um horizonte mais amplo.

Inflação em BH segue a nacional

A inflação registrada em Belo Horizonte segue um comportamento semelhante ao observado no país, mas com intensidade levemente diferente.

Enquanto o IPCA-BH avançou 0,58% na primeira quadrissemana de junho, o IPCA nacional — medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — vinha apresentando variações em torno de 0,67% nos recortes mais recentes de maio e início de junho, conforme leituras prévias do IPCA-15.

Imagem colorida de consumidor com cupom fiscal no supermercado
A inflação atual não está concentrada apenas nos alimentos, mas também em despesas relacionadas a serviços e custos domésticos

No acumulado em 12 meses, no entanto, Belo Horizonte mostra um desempenho um pouco mais contido, com alta de cerca de 3,65%, abaixo do patamar nacional, que permanece próximo de 4,39% a 4,6%.

Esse movimento indica que, embora a capital mineira acompanhe a tendência de aceleração pontual dos preços verificada no país, o custo de vida local ainda apresenta uma trajetória ligeiramente mais moderada no médio prazo.

Juros, cenário externo e inflação seguem no radar

O comportamento dos preços acompanha a leitura apresentada pelo Boletim de Conjuntura Econômica do IPEAD para o cenário nacional. Segundo o relatório, a economia brasileira segue demonstrando resiliência, sustentada pelo mercado de trabalho e pelo consumo das famílias, mas a inflação ainda resistente continua sendo um dos principais obstáculos para uma redução mais rápida dos juros. O custo elevado do crédito afeta empresas e consumidores, reduzindo o ritmo de expansão da economia.

No ambiente internacional, o relatório aponta que conflitos geopolíticos, oscilações nos preços de commodities e dúvidas sobre o ritmo de crescimento das principais economias do mundo continuam influenciando as perspectivas para o Brasil.

Nesse contexto, a aceleração registrada em Belo Horizonte no início de junho reforça o desafio das autoridades econômicas de equilibrar crescimento e controle inflacionário. A expectativa é que os próximos resultados indiquem se a alta observada neste início de mês representa apenas uma pressão pontual ou um sinal de persistência da inflação ao longo do segundo semestre.