Em MG, Lula agita militância e ignora Jaques Wagner em discursos
Durante duas agendas em Minas Gerais, Lula focou em anúncios de investimentos na saúde e evitou comentar crise envolvendo aliado
Belo Horizonte e Divinópolis — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou esta sexta-feira (19/6) em Minas Gerais, onde participou de duas agendas voltadas para a área da saúde. Nos eventos, Lula falou de improviso, valorizou os investimentos em saúde e educação e evitou comentar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
O baiano está na mira de investigações sobre irregularidades envolvendo o Banco Master, mas Lula, ao ser questionado pela imprensa se Wagner continua líder do governo no Senado, fez sinal positivo com o polegar, se afastando em seguida.
Na capital mineira e em Divinópolis, Lula não deu entrevistas, mas interagiu com o público, contou histórias, tirou fotos e agitou a militância.
Ao longo do dia, Lula anunciou investimentos de R$ 89,3 milhões no Hospital Luxemburgo, em Belo Horizonte, e participou da inauguração do Hospital Universitário Regional da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), em Divinópolis. Em nenhum dos compromissos o presidente se manifestou oficialmente sobre caso envolvendo o senador baiano.
Em Divinópolis o petista passou vários minutos ao final do discurso atendendo o público, tirando fotos e conversando. Durante as falas oficiais Lula interagiu com crianças, em tom de pré-campanha.
Apesar desse tom político, Lula não fez nenhuma sinalização sobre um tema que vem incomodando o PT mineiro, que é a falta de um candidato para dar palanque ao petista na corrida eleitoral no estado. Desde o recuo de Rodrigo Pacheco (PSB), o campo de Lula está órfão em Minas.
Na capital mineira, Lula falou sobre os investimentos federais na saúde, combate à violência contra a mulher e protagonizou momentos descontraídos ao conversar com uma criança sobre futebol e igualdade de gênero. Em uma das brincadeiras, chegou a chamar Neymar de “primeiro jogador convocado em home office do mundo”.
Ao deixar o Hospital Luxemburgo, o presidente foi questionado por jornalistas sobre a permanência de Jaques Wagner na liderança do governo no Senado. Lula não respondeu. Apenas levantou o polegar em um gesto de positivo antes de seguir para a comitiva.
A operação da PF contra Wagner ocorreu enquanto Lula participava da reunião do G7 no exterior. O caso gerou preocupação entre aliados do presidente, que avaliam possíveis desgastes políticos em meio às articulações para a campanha de reeleição. Fundador do PT e um dos políticos mais próximos de Lula, o senador é considerado uma das principais vozes do governo no Congresso Nacional.














