Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

Em MG, Lula encontrará aliados divididos e palanque longe de definição

PT mineiro trabalha com quatro possíveis apoios a disputa ao governo; deputado alega que, com indecisão, discussão deve ser nacionalizada

18/06/2026 05:00
Compartilhar notícia
Ricardo Stuckert / PR
Presidente Lula com duas bandeiras do Brasil atrás

Belo Horizonte – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja a Minas Gerais nesta sexta-feira (19/6) participar da entrega do Hospital Regional de Divinópolis (HRD), na região Central, e em Belo Horizonte assinar convênio relacionados ao Ministério de Minas e Energia.

Apesar da agenda oficial, a visita também deve servir para que o político converse com lideranças locais sobre os rumos que o partido vai adotar na disputa ao governo de Minas Gerais. Inicialmente, o nome preferido era o do senador Rodrigo Pacheco (PSB), que recusou entrar na disputa, o que abriu campo para vários postulantes.

Nesta quinta-feira (18/6), o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) petista deve se reunir de forma remota para tratar dos caminhos que o partido deve seguir.

O Partido dos Trabalhadores trabalha, no momento, com quatro possíveis pré-candidatos. O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) conta com o entusiasmo do presidente do PT nacional, Edinho Silva, mas o petista não foi capaz de convencê-lo a caminhar junto ao partido neste primeiro turno.

O cenário só poderia ser alterado, segundo o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), uma das lideranças locais, caso houvesse uma conversa que envolvesse a presidência nacional do PDT, que faz parte da base do governo federal.

Em MG, Lula encontrará aliados divididos e palanque longe de definição - destaque galeria
4 imagens
Gabriel Azevedo
Jarbas Soares Júnior, chefe do Ministério Público de Minas Gerais
Ex-reitora de UFMG, Sandra Goulart Almeida
Pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil
1 de 4

Pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil

Reprodução/Redes Sociais
Gabriel Azevedo
2 de 4

Gabriel Azevedo

Cláudio Rabelo/CMBH
Jarbas Soares Júnior, chefe do Ministério Público de Minas Gerais
3 de 4

Jarbas Soares Júnior, chefe do Ministério Público de Minas Gerais

MPMG
Ex-reitora de UFMG, Sandra Goulart Almeida
4 de 4

Ex-reitora de UFMG, Sandra Goulart Almeida

Reprodução/Redes Sociais

“O Kalil tem dito que prefere um palanque independente e evidentemente que nós precisamos de um palanque (para o Lula). (…) O PDT apoia o Lula e aqui vai apoiar uma candidatura que não apoia o Lula? Tem que conversar isso com o PDT nacional. Nós estamos apoiando vários do PDT, no Rio Grande do Sul, em várias candidaturas”, afirmou o deputado petista.

O ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) é outro candidato a receber o apoio do partido. O histórico de Azevedo, de embates com a militância petista, era visto como um complicador, mas, na atual conjuntura, cada vez mais o grupo tem se conformado com a possibilidade de ter que fazer campanha ao ex-adversário.

O emedebista tem conversado e feito diversas sinalizações ao PT e a partidos progressistas. Inclusive, chegando a contar com o apoio de lideranças petistas, como o caso da ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos, e de partidos que compõe a federação, como a deputada estadual Lohanna França (PV).

“Eu, pessoalmente, tenho uma conversa boa com o Gabriel Azevedo e tenho simpatia pelo nome dele. O que não quer dizer que não tenha pelo nome do Dr. Jarbas, por exemplo, mas já tenho uma conversa mais adiantada com o Gabriel e acho ele um nome promissor. Ele inclusive tem feito sinalizações importantes para o nosso campo e espero que o presidente Lula leve em consideração o nome dele”, afirmou Lohanna.

A decisão, alerta Correia, passaria também por uma articulação nacional com o MDB, que, apesar de estar na base nacional, libera os diretórios estaduais para firmarem alianças de forma independente.

“Tem que ver a postura nacional do MDB. Como é que nós vamos estar com alguém no palanque de um partido que esteja com (Flávio) Bolsonaro? Acho complexo o MDB apoiar o filho do Bolsonaro e a gente fazer uma aliança aqui. A gente precisa de saber como é que está a postura do MDB”, afirmou.

Alguns nomes de destaque do partido, em outros estados, já declararam apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. É o caso do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes; do ex-prefeito de Duque de Caxias e pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Washington Reis.

O ex-procurador geral de Justiça de Minas Gerais Jarbas Soares Júnior (PSB) também é um dos cotados a receber o apoio do PT. Ele ter se filiado na mesma época que Pacheco e sua relação com o senador é vista como um bom sinal.

A opção interna seria da ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sandra Goulart Almeida, recém filiada e que conta com o entusiasmo de alas do partido. A falta de um histórico político e sua gestão numa das principais universidades do país é visto como um ativo dentro do PT.

Lula discute cenário em Minas?

Lideranças do PT mineiro afirmam que a visita pode ser um momento para que o presidente trate pessoalmente com os correligionários o cenário político estadual, mas, devido à agenda curta, alguns acreditam que o ideal é deixa para debater esse assunto em uma visita a Brasília.

“Estou vendo o pessoal falar que quer fazer uma reunião com ele, mas eu até opinei para a Leninha ia ser melhor lá em Brasília. Não adianta ver assunto de governo as pressas aqui não”, afirmou Rogério.

Visita de Lula a Minas

A ida do presidente Lula a Divinópolis para a entrega do hospital universitário, que será gerido pela Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), é considerada um marco simbólico pela deputada Lohanna França, que foi autora da lei que permitiu que o prédio fosse doado para o governo federal e que atendesse pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Ele nunca foi a nossa cidade passear, sempre foi para entregar trabalho. Me formei na universidade que o Lula levou pra lá, isso é muito simbólico. Levou a universidade para lá e está voltando para levar o hospital da universidade”, afirmou.

Ela também apontou que os mais de 200 leitos ajudarão no atendimento de saúde na região, já que o município, por ser uma das referência, acaba recebendo pacientes de cidades menores próximas.