Lula diz que Trump fez coisa "desaforada" e age como "imperador"
Em coletiva após o G7, Lula explica por que não pediu bilateral com Donald Trump e diz que americano continua "agindo como imperador"

Genebra (Suíça) — Em sua entrevista coletiva nesta quarta-feira (17/6), após participar do G7, o presidente Lula explicou por que não pediu uma reunião bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também participou do encontro.
Lula criticou a postura dos Estados Unidos nas negociações com o Brasil sobre tarifas e no combate ao crime organizado. Segundo o presidente brasileiro, Trump fez uma “coisa desaforada” e “continua agindo como um imperador”.
“Eu não pedi bilateral ao Trump porque nós estamos em negociação. Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada com o Brasil. É por isso que eu disse que ele continua agindo como um imperador. Nós estávamos fazendo acordo. O Mauro Vieira e meu ministro do Comércio estão tratando com o ministro do Comércio dele. Estamos negociando”, afirmou.
De acordo com Lula, ele entregou por escrito a posição do governo brasileiro sobre o combate ao crime organizado, já que Trump “fala muito e ouve pouco”. O presidente também afirmou que o Brasil está disposto a colaborar no enfrentamento das facções criminosas.
“Se ele quiser combater o crime organizado, o Brasil está muito disposto. Inclusive dizendo para ele que são eles que contrabandeiam armas para o Brasil. Todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami. E que o estado de Delaware faz lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros. E entreguei por escrito, porque eu não quero só falar. Porque o presidente Trump fala muito e ouve pouco”, completou o petista.
No dia 5 de junho, os Estados Unidos anunciaram que o Comando Vermelho e o PCC, duas das maiores facções criminosas do Brasil, passariam a ser considerados grupos terroristas, à revelia do governo brasileiro.
A medida colocou as organizações criminosas na mesma arquitetura jurídica utilizada por Washington para combater grupos terroristas internacionais, cartéis de drogas e organizações armadas transnacionais.
“Não se meta nas eleições”
Além de criticar a posição de Trump em relação ao Brasil no combate ao crime organizado, Lula também rebateu declarações do presidente norte-americano sobre o cenário político brasileiro após o julgamento do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Na coletiva em Genebra, Lula afirmou que Trump “não tem o direito” de se meter nas eleições brasileiras, independentemente de suas preferências eleitorais.
“Eu acho que ele tem o direito de ter as preferências eleitorais dele, as preferências ideológicas dele. Eu só espero que ele não fira o Código de Ética entre as nações que querem ser respeitadas em sua soberania. Só espero isso. Para mim, ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto, não tem problema. É um problema dele. Afinal de contas, gosto não se discute. Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil são um problema do Brasil”, disse Lula.
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