El Niño preocupa setor do café em Minas e pode encarecer produto
A possível atuação de um El Niño de forte intensidade preocupa o setor cafeeiro em Minas e no Brasil
atualizado
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Belo Horizonte – Calor intenso, irregularidade das chuvas e aumento dos custos de energia estão entre as principais preocupações dos produtores de café de Minas Gerais. Esses são os impactos do El Niño que podem encarecer o café. Segundo representantes do setor, a principal ameaça está nas alterações dos padrões climáticos.
Minas Gerais é o principal estado produtor de café do Brasil. Em 2025, o estado foi responsável por 45,5% da produção brasileira.
De acordo com Sérgio Meirelles Filho, agrônomo, agricultor e presidente do Sindicato da Indústria de Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), dependendo da intensidade do fenômeno, podem ocorrer períodos prolongados de calor e irregularidade na distribuição das chuvas, comprometendo fases essenciais do desenvolvimento da cultura. “Podemos ter impacto na florada, no pegamento dos frutos e no enchimento dos grãos”, alerta o presidente.
A possível atuação de um El Niño de forte intensidade preocupa o setor cafeeiro mineiro. O fenômeno climático pode afetar diretamente a produtividade das lavouras, elevar os custos de produção e, consequentemente, impactar o preço do café para o consumidor.
A avaliação é que a cafeicultura está entre as atividades agrícolas mais sensíveis às variações climáticas. Desde 2021, o parque cafeeiro brasileiro já vem enfrentando condições adversas que impactaram a produtividade e elevaram os custos para os produtores.
“Além da redução da produtividade, o produtor pode enfrentar aumento dos custos para manter a lavoura em condições adequadas”, destaca Meirelles.
Experiências anteriores acendem alerta
O histórico de eventos associados ao El Niño reforça a preocupação dos cafeicultores. Em episódios anteriores, segundo Meirelles, o fenômeno contribuiu para o aumento das temperaturas e para a distribuição irregular das chuvas em regiões produtoras.
“Como consequência, foram observadas perdas no potencial produtivo, maior desuniformidade na maturação dos frutos e necessidade de adaptações no manejo das lavouras. Os impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e as características de cada região”, relembra o presidente do Sindicafé-MG.
Tecnologia para enfrentar extremos climáticos
Para reduzir os riscos, os produtores vêm ampliando investimentos em práticas voltadas ao fortalecimento das lavouras diante de eventos climáticos extremos.
“Entre as medidas adotadas estão a melhoria da conservação do solo, o aumento da matéria orgânica, o uso racional da irrigação, o monitoramento climático constante, o aperfeiçoamento do manejo nutricional e a adoção de tecnologias ligadas à agricultura de precisão”, cita Sérgio.
O objetivo é tornar as propriedades mais resilientes diante de períodos de estiagem, calor excessivo e outras adversidades associadas às mudanças climáticas.
Energia mais cara também preocupa setor
Além dos impactos diretos sobre as plantas, o setor destaca que eventuais reflexos do El Niño sobre o sistema elétrico podem representar uma nova fonte de pressão financeira para os produtores.
“O aumento das tarifas de energia influencia atividades essenciais da cadeia produtiva, como irrigação, secagem, beneficiamento e armazenamento do café. Na prática, os cafeicultores podem enfrentar uma dupla dificuldade: perdas ou redução de produtividade no campo e aumento dos custos operacionais necessários para manter a atividade”, esclarece Sério.
El Niño
- Os principais impactos do fenômeno no Brasil costumam ser observados na distribuição das chuvas. Há precipitações acima da média na Região Sul, enquanto na Norte e no Nordestes os volumes registrados são abaixo do normal
- Em Minas, os efeitos mais significativos costumam ocorrer nas temperaturas, geralmente com temperaturas mais elevadas ao longo de praticamente todo o ano, com menos episódios de frio durante o inverno e condições mais quentes também na primavera e no verão
- Aumenta a possibilidade de ondas de calor
- Apesar do monitoramento constante, ainda não é possível prever qual será a intensidade do próximo episódio nem por quanto tempo ele permanecerá ativo
- Caso a configuração do fenômeno ocorra até junho e julho, os impactos mais perceptíveis deverão começar a ser sentidos apenas na primavera, entre o final de setembro e o início de outubro, segundo Anete.
- Os setores que poderão ser afetados pelo fenômeno no Estado são o setor elétrico e a agricultura, sobretudo a lavoura de café.







