Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Minas Gerais

El Niño deve trazer calor intenso e chuva irregular ao Sudeste

Inmet prevê fim de inverno e primavera mais quentes, com pancadas fortes e menos períodos prolongados de chuva

30/07/2026 02:15
Fernando Frazão/Agência Brasil
imagem colorida homens andando sob sol forte rio de janeiro

Belo Horizonte – O fenômeno El Niño deve provocar impactos mais perceptíveis nas temperaturas do Sudeste do que no volume de chuva ao longo dos próximos meses. A avaliação é do meteorologista Lizandro Gemiacki, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que explica que a expectativa é de calor acima do normal, especialmente entre o fim do inverno e a primavera.

Segundo Lizandro, a quantidade de chuva prevista para o Sudeste deve permanecer próxima da média climatológica. No entanto, o fenômeno altera a forma como essas precipitações acontecem. Em vez de períodos prolongados de chuva, a tendência é de maior ocorrência de tempestades rápidas, principalmente no fim da tarde e durante a noite, favorecidas pelo aumento da disponibilidade de calor na atmosfera.

“A gente espera uma quantidade de chuva mais ou menos dentro da climatologia. Dentro da variabilidade climática normal, mas ele muda a gênese da chuva. Então, a princípio, o final do inverno e o início da primavera, a gente deve ter temperaturas mais elevadas. Então, quando tem El Niño, a gente tem temperaturas mais elevadas, mais ondas de calor e mais tempestades, aquelas tempestades de fim de tarde e noite, muito por conta dessa forçante mais convectiva”, explica Lizandro.

Ainda de acordo com o meteorologista, o início da estação chuvosa, entre setembro e o começo de novembro, deve apresentar irregularidade nas precipitações. O principal efeito do El Niño na região será justamente o aumento das temperaturas, criando mais energia para a formação dessas pancadas isoladas.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“No início da estação chuvosa, que é agora em setembro, outubro, até início de novembro, muita irregularidade nas chuvas, e aí a gente tem essa forçante do calor, né? Então, geralmente a gente tem temperaturas mais elevadas quando a gente tem El Niño aqui na região sudeste. O efeito mais sentido com relação ao El Niño é com relação às temperaturas que ficam mais elevadas”, diz Gemiacki.

El Niño deve trazer calor intenso e chuva irregular ao Sudeste - destaque galeria
2 imagens
El Niño pode trazer ondas de calor como ocorreu em 2023
Quantidade de chuva prevista para o Sudeste deve permanecer próxima da média climatológica
1 de 2

Quantidade de chuva prevista para o Sudeste deve permanecer próxima da média climatológica

Corpo de Bombeiros de Minas Gerais/Divulgação
El Niño pode trazer ondas de calor como ocorreu em 2023
2 de 2

El Niño pode trazer ondas de calor como ocorreu em 2023

Unsplash

Cenário esperado para os próximos meses

A meteorologista Anete Fernandes, do Inmet, afirma que alguns comportamentos observados nas últimas semanas já podem indicar o cenário esperado para os próximos meses. Segundo ela, a sucessão de frentes frias que atua sobre a Região Sul tem provocado aumento das temperaturas no Sudeste antes de os sistemas seguirem em direção ao oceano.

Ela destaca que esse tipo de situação é comum durante o inverno, mas observa que a persistência de chuvas intensas e de tempo severo no Sul do país pode representar um prenúncio das condições associadas ao El Niño. Ainda assim, reforça que não é possível afirmar que o calor registrado atualmente já seja consequência direta do fenômeno.

“Então chuvas intensas no sul do país e a gente aqui com temperaturas elevadas é o que se espera, principalmente a partir de agosto, mas não dá pra afirmar ainda que o que tá acontecendo agora, essas temperaturas elevadas, ela é uma condição pré-frontal, mas a gente não pode afirmar que já é influência do El Niño, mas é um prenúncio do que vem pela frente”, analisa Anete.

Anete explica que o El Niño é caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas da faixa equatorial do Oceano Pacífico. Como essa região exerce influência direta sobre a circulação global da atmosfera, o aquecimento modifica o deslocamento das massas de ar e interfere nas condições climáticas em diferentes partes do planeta.

Segundo ela, essa alteração faz com que as frentes frias permaneçam por mais tempo sobre a Região Sul, favorecendo episódios de chuva intensa. Enquanto isso, o Sudeste tende a enfrentar temperaturas mais elevadas e uma estação chuvosa mais irregular.

Para os próximos meses, a expectativa é de um fim de inverno e uma primavera com calor intenso, sem descartar a possibilidade de ondas de calor semelhantes às registradas em 2023. Também são esperadas chuvas mais concentradas em pancadas isoladas e menor frequência da Zona de Convergência do Atlântico Sul, sistema que normalmente mantém o céu encoberto e provoca chuva por vários dias consecutivos.

“O que a gente espera é uma primavera, um final de inverno e primavera muito quente, não se descarta a possibilidade aí de ondas de calor, como aconteceu em 2023, uma estação chuvosa irregular, com as chuvas ocorrendo mais em forma de pancadas isoladas e menos configuração da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que é aquele fenômeno que deixa o céu nublado com condição de chuva por dias consecutivos”, explica Anete.

Apesar dos sinais observados, Anete reforça que, neste momento, o cenário ainda pode ser interpretado como uma característica típica do inverno. Segundo a meteorologista, as condições atuais servem como um indicativo do que poderá ocorrer nos próximos meses, mas ainda não permitem atribuir diretamente os eventos registrados à atuação do El Niño.

PBH deverá se pronunciar sobre medidas contra os efeitos do El Niño

O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), está sendo cobrado a responder sobre medidas preventivas que o executivo municipal está tomando para o enfrentamento das consequências do fenômeno climático El Niño, com foco principalmente em grupos vulneráveis.

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) terá 30 dias para responder a requerimento aprovado pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana da Câmara de BH, de autoria do vereador Helton Júnior (PSD).

O requerimento reitera solicitação anterior que não foi respondida no prazo determinado pela legislação, que é de 30 dias, e pretende saber se algumas medidas já estão em andamento, como proteção de estudantes e usuários do transporte coletivo, garantindo acesso à água potável, abrigo contra chuvas e sol e sistema de climatização, entre outras ações.

O Metrópoles questionou a prefeitura sobre o requerimento, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.