
Direita mineira não embarca na contestação de Flávio ao resultado das urnas
Políticos do PL e aliados se alternam entre sinalizações para a pacificação e apoios aos boicotes a trabalhadores e empresários petistas

Belo Horizonte – Os aliados do candidato derrotado à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) em Minas Gerais não estão embarcando no discurso de questionar o resultado eleitoral. Flávio, ao fugir para os Estados Unidos, está denunciando uma suposta fraude no processo que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu quarto mandato.
Após o resultado, o senador carioca deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos e assinou uma carta em que se dizia “verdadeiramente presidente eleito” e declarando que não reconhecia o resultado das urnas. Depois, o texto inicial foi alterado para “líder do Brasil”, mas o questionamento ficou.
Em Minas, porém, o assunto não está reverberando. Aliados de Flávio estão silenciando ou adotando um discurso de seguir em frente e lidar com a derrota.
Presidente do PL no estado, o deputado federal Zé Vitor destacou que ficou triste com a derrota do seu correligionário, mas afirmou que é importante fazer uma autocrítica sobre a dificuldade em convencer o eleitor de que o projeto deles era o melhor para o país.
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O senador eleito Domingos Sávio (PL-MG) chegou a publicar nas redes sociais, no dia seguinte a eleição, uma postagem que afirmava que eles foram “roubados”, mas não voltou a tocar mais no tema e depois apoiou postagem do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) sobre seguir em frente.
Nikolas focado nos boicotes
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) questionou a série de “primeiras vezes” da disputa, que ele considerou “fora do normal”, mas afirmou no início da semana ser “praticamente nula” a possibilidade de anular a eleição. Desde então, o parlamentar vem focando suas postagens em defender a realização de boicotes a empresários e trabalhadores que votaram em Lula.
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O deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) e o vereador de Belo Horizonte Pablo Almeida (PL) também postaram reclamações sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes de apreender os passaportes de Flávio Bolsonaro, após o irmão dele, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), aconselhar o irmão a deixar o país em caso de derrota.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), e os candidatos ao governo, Flávio Roscoe (PL-MG) e Marco Antônio Costa, o Superman (Novo-MG), não se manifestaram desde o resultado do último domingo.
Apoio aberto, mas isolado
Dos políticos importantes da direita em Minas, apenas o vereador de Belo Horizonte Vile dos Santos (PL) chegou a reforçar, após a carta de Flávio, o discurso de que o “01” é o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”.
O que pesa contra Flávio no Brasil
Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas de irregularidades em dois procedimentos da Polícia Federal, um relacionada ao financiamento do filme “Dark Horse”, em homenagem a seu pai e ex-presidente Jair Bolsonaro (PL); e outro por lavagem de dinheiro relacionada a casas de apostas cujo o dono é o advogado e amigo dele Willer Tomaz.
Ele deveria ter entregue os passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mas fugiu para os Estados Unidos com a ajuda do governo de Donald Trump.












