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Minas Gerais

Direita cria listas de boicote a empresas acusadas de apoiar Lula em MG

Campanhas circulam em cidades mineiras após vitória de Lula; OAB repudia retaliações trabalhistas por divergências políticas

28/10/2026 09:26
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Direita cria listas de boicote a empresas acusadas de apoiar Lula em MG

Belo Horizonte — A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), no segundo turno das eleições presidenciais, no último domingo (25/10), desencadeou campanhas de boicote contra empresas, comerciantes e profissionais acusados de apoiar o petista em Minas Gerais.

Nas redes sociais, listas com nomes de estabelecimentos passaram a circular, acompanhadas de mensagens incentivando consumidores a deixar de comprar produtos e contratar serviços de pessoas identificadas como eleitoras de Lula.

Há registros de mobilizações em diversas cidades do interior do estado. Em alguns casos, as manifestações também incluem incentivos à demissão de trabalhadores por divergências políticas.

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A repercussão levou subseções da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) a divulgar notas públicas repudiando as iniciativas e alertando para possíveis consequências jurídicas de práticas que ultrapassem os limites da liberdade de expressão.

OAB repudia boicotes e alerta para consequências jurídicas

Em Lavras, no Sul de Minas, a 17ª Subseção da OAB-MG divulgou uma nota, nessa terça-feira (27/10), manifestando repúdio a iniciativas que estimulem boicotes, práticas intolerantes ou retaliações contra comerciantes e profissionais liberais, especialmente advogados e advogadas, por divergências ideológicas e políticas.

A entidade ressaltou que a liberdade de manifestação é um direito constitucional, mas não é absoluta e deve respeitar a dignidade humana e a convivência social. Segundo a subseção, a criação e a divulgação de conteúdos dessa natureza, quando ultrapassam os limites da crítica legítima, podem gerar consequências jurídicas nas esferas cível e criminal.

A 135ª Subseção da OAB-MG, em Cambuí, também se manifestou. Em nota publicada nas redes sociais, a entidade repudiou iniciativas que promovam boicotes, intolerância ou retaliações ao comércio e a profissionais por posicionamentos políticos.

“Defendemos o diálogo, a tolerância e o respeito mútuo como caminhos para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e harmoniosa”, afirmou.

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Empresária relata perda de clientes após declarar voto em Lula

Em Unaí, no Noroeste de Minas, a empresária Cássia Alves, responsável pelo perfil @atelier_doce_amor_unai, publicou um vídeo relatando prejuízos após seu nome aparecer, segundo ela, em uma lista de boicote a pessoas que votaram em Lula.

Cássia afirmou que clientes que já haviam solicitado orçamentos desistiram de contratar seus serviços depois de tomar conhecimento de seu posicionamento político.

No vídeo, a empresária defendeu que a preferência eleitoral não deve determinar o caráter de um profissional nem interferir nas relações comerciais. Ela também contou que conseguiu construir a própria casa durante o governo Lula e destacou a importância do Bolsa Família para sua família.

“Muitas vezes eu usei o Bolsa Família para comprar material escolar para os meus filhos, para encher a geladeira. E, agora, eu vou cuspir no prato que eu comi? Não compre de mim se não quiser”, declarou.

“Intolerância”

Já em Montes Claros, no Norte de Minas, o empresário Pecê Almeida Jr. criticou publicamente a mobilização de apoiadores de Flávio Bolsonaro contra empresas e profissionais que teriam declarado apoio a Lula.

Em uma publicação nas redes sociais, ele desafiou os responsáveis pelas campanhas a anunciar publicamente que não aceitariam clientes que votaram no presidente.

“Aliás, em vez de ficarem fazendo listinhas infames de quem seria progressista, poderiam era fazer uma lista com seus próprios negócios e espalharem dizendo ‘não queremos NENHUM cliente que votou em Lula. Não aceitamos o dinheiro de vocês'”, escreveu.

O empresário também afirmou que mantém relações comerciais com pessoas de diferentes posicionamentos políticos e classificou os boicotes como uma atitude de intolerância.

Leninha denunciou boicotes

A deputada estadual Leninha (PT) também se manifestou sobre as listas. Em publicação nas redes sociais, a parlamentar afirmou que trabalhadores, comerciantes e prestadores de serviços estão tendo seus nomes expostos por terem apoiado Lula.

“Por trás de cada nome exposto existe uma pessoa, uma família, uma história. Ninguém pode ser ameaçado de perder seu sustento por pensar diferente”, escreveu.

Leninha orientou eventuais vítimas de ameaças e intimidações a guardar provas e procurar a Polícia Civil ou o Ministério Público.

Denúncias de assédio eleitoral aumentam após eleição

As campanhas de boicote ocorrem em meio ao aumento das denúncias de assédio eleitoral em Minas Gerais. Segundo dados divulgados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MG), o estado registrava 212 denúncias até domingo (25/10), dia do segundo turno. O número chegou a 223 na terça-feira (27/10).

Em todo o Brasil, foram contabilizadas 2.105 denúncias até a mesma data.

De acordo com o MPT-MG, os relatos envolvem pressões, ameaças, constrangimentos e tentativas de interferência na liberdade política dos trabalhadores.