Damião compara Samu de BH a padaria ao defender corte de funcionários. Vídeo
Ao defender redução de profissionais em ambulâncias, Damião afirma que prefeitura precisa “ter limite” nos gastos e rebate críticas
atualizado
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Belo Horizonte – O prefeito de Belo Horizonte Álvaro Damião (União) informou, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15/5), que recorreu da decisão que suspendia a redução do número de profissionais nas ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e rebateu críticas. Ele afirmou que o município precisa “ter limite” nos gastos públicos e comparou os trabalhadores do Samu com funcionários que servem café e adoçante em uma padaria.
Na semana passada, a Justiça suspendeu a decisão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). A medida, divulgada na sexta-feira (8/5), foi tomada após pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). A prefeitura terá cinco dias para voltar ao modelo antigo. Caso descumpra a decisão, poderá pagar multa diária de R$ 5 mil.
Damião disse que há excesso de funcionários e recursos em alguns setores da administração.
“Lá na Secretaria de Saúde, por exemplo, é tudo em dobro. É o dobro de pessoa para trabalhar aqui, é o dobro de pessoa para trabalhar ali, é o dobro do dinheiro, é o dobro de carro. Aí eu pergunto: é o dobro do atendimento? Não! Porque a população está reclamando que o atendimento é ruim. Cadê o dobro do atendimento?”, questionou.
Em seguida, ele comparou a situação a uma padaria. “Vem uma pessoa para servir o café e uma outra pessoa para servir o adoçante? Assim vai quebrar a padaria. Por que o mesmo que está levando o café já não leva o adoçante? É só isso que nós estamos fazendo na prefeitura”, disse.
Ele continuou: “Eu vou administrar a prefeitura. Óbvio que aí quem servia o adoçante vai fazer o quê? Vai falar que eu estou destruindo, vai falar que eu estou destruindo a saúde. Por quê? Perdeu a boca, né irmão? Eu tenho que estar preocupado com o povo. E eu estou muito preocupado em fazer o que é melhor.”
Apesar das críticas, Damião disse que a prefeitura está cumprindo as determinações judiciais. “Justiça você não discute não, você cumpre. Eu aprendi isso. E estamos cumprindo”, afirmou.
O prefeito ainda rebateu críticas de médicos de que a redução de profissionais poderia provocar mortes durante atendimentos de urgência. O prefeito voltou a defender que os motoristas devem auxiliar no atendimento, além de dirigir as ambulâncias.
“O nosso motorista do Samu não é só motorista não, viu gente? Ele é motorista socorrista. Ele ganha para isso, para puxar o freio de mão, descer do carro e ajudar a enfermeira”, afirmou.
O que mudou com a decisão
Com a decisão, as ambulâncias devem continuar funcionando com três profissionais: um motorista-socorrista e dois técnicos ou auxiliares de enfermagem, como acontecia anteriormente.
A prefeitura havia reduzido as equipes para apenas dois trabalhadores por ambulância — um motorista e um técnico de enfermagem —, o que resultou no afastamento de 78 profissionais da saúde.
Para o MPMG, a mudança colocaria pacientes em risco, principalmente em um momento de aumento dos casos de doenças respiratórias na capital. Só nos primeiros quatro meses do ano, Belo Horizonte registrou mais de 107 mil atendimentos relacionados a síndromes respiratórias.
Na decisão, a Justiça afirmou que a prefeitura não apresentou estudos técnicos suficientes para comprovar que a redução das equipes não afetaria a segurança dos atendimentos.
O início da crise
A crise no Samu começou após a demissão de 33 técnicos de enfermagem, ocorrida em 1º de maio. Desde então, as 22 Unidades de Suporte Básico passaram a operar com apenas um condutor e um técnico de enfermagem.
Uma ocorrência registrada na capital mineira, na madrugada do último sábado (2/5), precisou ser atendida por três ambulâncias do Samu após a redução das equipes.
