Cruleitores: clube de leitura de torcida do Cruzeiro é apagado após ataques
Inspirado na Galeitura do Atlético, projeto cruzeirense sobreviveu apenas algumas horas e teve o perfil excluído na manhã desta terça (22/9)

Belo Horizonte – Inspirados pela iniciativa da torcida rival, cruzeirenses tentaram criar o próprio clube de leitura nesta segunda-feira (21/9). O perfil @cruleitores nasceu com a proposta de aproximar duas paixões: o futebol e a literatura. Na primeira publicação, os organizadores escreveram:
“Inspirados pela iniciativa da @galeitura, criamos este espaço para aproximar duas paixões que têm muito em comum: o futebol e a literatura. Porque, assim como no futebol, um bom livro também é capaz de reunir pessoas. Sejam bem-vindos, Cruleitores.”
A ideia, no entanto, não foi bem recebida por parte da própria torcida celeste. Horas depois da criação, o perfil passou a ser alvo de ataques e críticas. Na manhã desta terça-feira (22/9), a conta foi apagada.
Os responsáveis pelo projeto afirmaram que a iniciativa partiu de boa intenção — promover o hábito da leitura entre os cruzeirenses — mas enfrentou resistência imediata. Em mensagem final, desejaram boa sorte a quem tentar, no futuro, transformar a ideia em realidade.

A própria Galeitura, do Atlético, publicou mensagem de apoio ao projeto rival assim que o Cruleitores foi ao ar, reforçando que a união entre futebol e livros não deveria ser motivo de divisão.

O episódio revela o potencial e, ao mesmo tempo, a fragilidade de iniciativas culturais dentro das torcidas organizadas. Enquanto a Galeitura segue com centenas de membros e um calendário de leituras, o Cruleitores durou menos de 24 horas — vítima da polarização que ainda marca a rivalidade mineira, mesmo em terrenos longe do gramado.
Galeitura: o clube que uniu Galo e literatura
A Galeitura nasceu após o meio-campista Gustavo Scarpa, do Atlético-MG, recomendar o clássico “A Morte de Ivan Ilitch”, de Liev Tolstói, em uma resenha de pouco mais de 10 minutos no YouTube.
O vídeo ultrapassou 578 mil visualizações, esgotou estoques do livro na Amazon e transformou a obra em best-seller no Brasil. Inspirada pelo “efeito Scarpa”, a torcedora Carolina Marques, de 22 anos, criou o clube de leitura que mistura “Galo” e “leitura”.
Em menos de 24 horas, o grupo de WhatsApp já reunia mais de 400 pessoas e hoje conta com cerca de 500 membros. O Instagram do projeto ultrapassou 26 mil seguidores.
O primeiro livro escolhido foi justamente o de Tolstói, com discussões semanais e a meta de um título por mês, sempre baseado nas indicações do camisa 10.









