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Minas Gerais

Copasa vê "sabotagem" e aciona MP após série de adutoras rompidas em BH

Companhia apontou suspeita de sabotagem em quatro rompimentos de adutoras e em danos ao sistema antiodor da Lagoa da Pampulha

15/09/2026 12:52
redes sociais
adutora Copasa

Belo Horizonte — A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) levou ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) a suspeita de que quatro rompimentos de grandes tubulações de água registrados em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, em agosto e setembro, tenham sido provocados por sabotagem. 

A reunião ocorreu nessa segunda-feira (14/9), na sede da Unidade de Combate ao Crime e à Corrupção (UCC), em Belo Horizonte. A suspeita de sabotagem surgiu após levantamentos iniciais feitos pela própria Copasa sobre quatro rompimentos de grandes tubulações de água e danos ao sistema usado para reduzir o mau cheiro na Lagoa da Pampulha. A companhia informou que vai entregar ao Ministério Público as informações já reunidas.

O material será analisado pelo MPMG, que poderá abrir uma investigação criminal para descobrir se os danos foram realmente provocados e identificar possíveis responsáveis.

Quatro rompimentos em menos de um mês

O primeiro caso ocorreu na madrugada de 19 de agosto, na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada, na Região Oeste de Belo Horizonte. O rompimento provocou um grande vazamento, alagou ruas e fez com que a água invadisse imóveis.

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O segundo foi registrado em 5 de setembro, na Praça Guimarães Rosa, no bairro Cidade Nova, na Região Nordeste da capital.

Dois dias depois, em 7 de setembro, outra tubulação se rompeu no bairro Milionários, na Região do Barreiro. O quarto caso ocorreu às margens da BR-040, no bairro Kennedy, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Danos na Lagoa da Pampulha

Além dos rompimentos, a Copasa identificou problemas no sistema instalado para reduzir o mau cheiro na Lagoa da Pampulha. Cabos foram furtados e outras peças do equipamento foram danificadas.

O sistema fica próximo ao Aeroporto da Pampulha. Os danos foram encontrados durante uma vistoria técnica realizada em 8 de setembro.

Redução de funcionários e privatização

Na semana passada, o Metrópoles mostrou que o Sindágua-MG relacionou a sequência de rompimentos e grandes vazamentos à redução do número de funcionários próprios e ao avanço da terceirização na Copasa.

Segundo o sindicato, a companhia tinha cerca de 12,5 mil trabalhadores em 2019, número que caiu para aproximadamente 9,5 mil atualmente — uma redução de cerca de 3 mil empregados. Para a entidade, a saída de profissionais experientes sem reposição e a transferência de atividades para empresas terceirizadas aumentam a vulnerabilidade dos serviços.

O presidente do Sindágua-MG, Milton Costa, afirmou ainda que a redução do quadro próprio faz a Copasa perder conhecimento acumulado e capacidade para executar, acompanhar e fiscalizar serviços essenciais.

Na ocasião, a Copasa negou relação entre a redução do número de funcionários próprios e os rompimentos de adutoras. A empresa afirmou que não houve corte deliberado de pessoal e que a reorganização do quadro foi feita de acordo com as necessidades operacionais. Segundo a companhia, cada rompimento tem características e causas próprias, que precisam ser investigadas individualmente.

Privatização

A Copasa foi privatizada em junho deste ano, em uma operação realizada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo, que movimentou R$ 8,38 bilhões. O estado vendeu 45% das ações da companhia: 30% foram adquiridos pelo Grupo Equatorial, que se tornou o principal acionista, e os outros 15% ficaram com investidores. O Governo de Minas manteve 5% das ações.