Confiança industrial sobe, mas energia cara trava investimento em MG
ICEI-MG chega a 48 pontos em outubro, enquanto estudo mostra que energia responde por quase metade da alta no custo de investir

Belo Horizonte – A confiança do industrial mineiro avançou 4,7 pontos em outubro e chegou a 48 pontos, mas continua abaixo da linha dos 50 pelo 23º mês seguido. Ao mesmo tempo, o encarecimento da energia responde por 48,2% da inflação dos bens de investimento no Brasil desde 2000, segundo estudo da Ex Ante Consultoria para a ABRACE Energia.
Os dois indicadores, ambos ligados à Fiemg, revelam o mesmo cenário: alívio nas expectativas, mas custos elevados que ainda seguram a recuperação.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial de Minas Gerais (ICEI-MG), divulgado nesta sexta-feira (16/10) pela Gerência de Economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, saiu de 43,3 pontos em setembro para 48,0 pontos. Na comparação com outubro de 2025 (47,3 pontos), a alta foi de 0,7 ponto.
O resultado ficou 4 pontos abaixo da média histórica de 52 pontos. No Brasil, o ICEI subiu 1,3 ponto, de 44,9 para 46,2, e permanece em terreno negativo pelo 22º mês.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA avaliação das condições atuais ficou estável em 39,1 pontos. Os empresários continuam vendo de forma desfavorável a economia brasileira, a situação de Minas e o próprio negócio. Já o índice de expectativas saltou 6,9 pontos e alcançou 52,4, voltando ao campo otimista depois de oito meses consecutivos abaixo dos 50.
Para o economista-chefe da Fiemg, João Gabriel Pio, a virada nas expectativas veio com a maior definição política após o primeiro turno das eleições.
“A melhora da confiança dos industriais mineiros ocorreu em um contexto de maior definição do cenário político, após o primeiro turno das eleições, o que pode ter contribuído para reduzir parte das incertezas em relação aos próximos meses. Contudo, a avaliação das condições atuais permaneceu desfavorável, refletindo um ambiente ainda marcado por juros elevados, inflação acima do teto da meta e preocupações com a situação fiscal”, afirma.
No cenário externo, incertezas comerciais dos Estados Unidos e tensões no Oriente Médio, com oscilações no petróleo e commodities, também pesam nos custos de produção.

Energia encarece quase metade do investimento
Enquanto a confiança tenta se recuperar, o custo da energia continua sendo um dos principais freios. O levantamento da Ex Ante, divulgado na terça-feira (13/10), mostra que os preços dos bens de investimento (máquinas, equipamentos, edificações e obras de infraestrutura) subiram 479,8% entre 2000 e 2026. Desse total, 231,4 pontos percentuais estão ligados ao repasse do custo da energia – 48,2% da inflação acumulada. Nas edificações e obras de infraestrutura, a energia explica 72,1% da alta; nas máquinas e equipamentos, 27,8%.
O custo unitário da energia elétrica para a indústria brasileira cresceu 1.593% em reais no período, cerca de quatro vezes a variação do IPCA (369%).
Em dólares, o aumento foi de 523,8%, enquanto os preços industriais subiram 102% nos Estados Unidos e 45% na Zona do Euro. No gás natural, o preço em dólares avançou 154,5% no Brasil e caiu 64% nos EUA.
O impacto chega ao consumidor final. A energia representa 29,8% do preço do pão francês, 28,3% do leite e derivados e 27,2% das carnes. Na cesta de consumo das famílias, o peso médio é de 15,9%.
“O estudo mostra que a energia não pesa só na conta de luz do final do mês. Ela está no preço da máquina, da obra e do alimento. Reduzir esse custo é uma agenda de competitividade e de proteção do poder de compra do mineiro”, diz Sérgio Pataca, coordenador de Mercado de Energia da Fiemg.
A entidade defende que os subsídios do setor elétrico sejam custeados pelo orçamento da União, e não repassados às tarifas.
