CineBH terá filmes na praça, “Central do Brasil” ao vivo e estreia mineira
Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte acontece de 22 a 27 de setembro, com 102 filmes, 69 sessões e programação gratuita

Belo Horizonte – Cinema ao ar livre na Praça da Liberdade, “Central do Brasil” exibido com trilha sonora executada ao vivo e a estreia de um longa mineiro recém-premiado estão entre os destaques da 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte – CineBH, que começa nesta terça-feira (22/9), com mais de 100 filmes na programação.
Ao completar duas décadas, a mostra abre com um dos exemplos desse momento de destaque do cinema mineiro: “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, de André Novais Oliveira, vencedor do principal prêmio do Festival de Brasília no último sábado (19/9).
O filme é produzido pela Filmes de Plástico, produtora que nasceu em Contagem, na Grande BH, em 2009, a partir do encontro de cineastas vindos da periferia da Região Metropolitana. A pré-estreia nacional será na abertura, às 20h, no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, no Centro da capital.
Sessão de estreia
A sessão também marca a estreia no cinema, como atriz, da escritora Conceição Evaristo, autora de livros como “Ponciá Vicêncio”, “Becos da Memória” e “Olhos d’Água”, que também estará lá no teatro.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Conceição Evaristo é uma das grandes referências da cultura brasileira contemporânea. Aos 79 anos, ela chega ao cinema como atriz […] Existe uma convergência muito bonita entre o universo de Conceição e o cinema de André Novais: são artistas que partem das relações familiares, da memória, da vida cotidiana e de personagens que muitas vezes ficaram fora do centro das narrativas tradicionais”, afirmou Raquel Hallak, diretora da Universo Produção e Coordenadora-geral da CineBH e do Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, que também, acontece no mesmo período.
Com programação gratuita entre 22 e 27 de setembro, a CineBH reúne mais de 100 filmes brasileiros e estrangeiros, com foco no cinema latino-americano, além de pré-estreias, debates e atividades de formação.
Além do Festival de Brasília, “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, passou pela Berlinale e pelos festivais de Cartagena e Lima. “É um filme profundamente ligado a Minas e, ao mesmo tempo, com uma trajetória internacional”, disse Raquel.
Cinema mineiro
Na última quarta-feira (16/9), foi anunciado o filme escolhido para representar o Brasil na disputa por uma vaga no Oscar. Minas Gerais chegou à seleção com dois dos seis finalistas gravados em BH: “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins, e “Nosso Segredo”, de Grace Passô, que também integra o elenco de “Vicentina Pede Desculpas”.
“É muito simbólico. Dos 15 filmes inicialmente habilitados pela Academia Brasileira de Cinema, seis chegaram à pré-seleção”, disse, complementando que, apesar de nenhum dos dois ter sido escolhido, “estar entre esses seis filmes já demonstra a força e a maturidade da produção realizada em Minas”.
“São filmes muito diferentes, realizados por artistas com trajetórias próprias, mas que têm algo importante em comum: partem de experiências, personagens e territórios muito próximos e conseguem dialogar com públicos muito distantes. Isso demonstra que não é necessário abandonar a nossa identidade para alcançar o mundo. Muitas vezes acontece justamente o contrário: quanto mais singular e verdadeiro é o ponto de partida de um filme, maior pode ser sua capacidade de comunicação.”
A Filmes de Plástico, produtora de “Vicentina Pede Desculpas” — que ainda não estreou — e de “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, já teve outro longa selecionado para representar o Brasil na disputa pelo Oscar. Em 2022, “Marte Um” foi escolhido para tentar uma vaga na edição de 2023 da premiação, mas não chegou à lista final de indicados.
Para ela, a diversidade marca o atual momento do cinema produzido em Minas. “E talvez uma das características mais importantes dessa produção seja exatamente não existir um único ‘cinema mineiro’. Existem muitos cinemas sendo feitos em Minas, com diferentes estéticas, gerações, territórios e formas de produção”, disse. O desafio agora é fazer com que essa potência criativa encontre condições cada vez mais consistentes de produção, continuidade e circulação.
Mineiro e da América Latina
“Cinema Latino-Americano: O que será?” é o tema central da mostra, que discute como as incertezas políticas e econômicas na América Latina afetam a produção e a circulação de filmes. O título faz referência à canção “O que será?”, de Chico Buarque, lançada em 1976 e presente na trilha sonora de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, de Bruno Barreto. Exatamente 50 anos depois, o filme terá uma sessão especial na CineBH, criando uma ponte entre dois momentos.
Em 1976, boa parte da América Latina vivia sob ditaduras militares e o chamado Nuevo Cine Latino-Americano reunia movimentos que buscavam uma identidade comum para o cinema da região. Já em 2026, a produção latino-americana é mais diversa e reúne diferentes estilos, temas e formas de fazer cinema.
“Chegar aos 20 anos é também um momento de olhar para a trajetória construída e perguntar para onde queremos ir. ‘Cinema Latino-Americano: O que será?’ é um convite para pensarmos juntos os futuros possíveis para o cinema do nosso continente. Vivemos um momento de enorme potência criativa, com novas vozes, territórios e formas de narrar. Ao mesmo tempo, existem desafios relacionados ao financiamento, à circulação, à distribuição, à formação de público e à sustentabilidade do cinema independente”, disse Raquel.
Dicas imperdíveis
Dito isso, Raquel recomenda as mostras Horizonte e Território, que reúnem 12 longas de sete países latino-americanos, e o Cine Petrobras na Praça, que transforma a Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte em uma sala de cinema ao ar livre.
“Cinema ao ar livre, gratuito, no coração da cidade, reunindo pessoas de diferentes idades e públicos. É uma imagem muito forte daquilo em que acreditamos: o cinema ocupando a cidade e aproximando as pessoas”, afirmou.
A programação na Praça da Liberdade inclui “Querido Mundo”, de Miguel Falabella e Hsu Chien, “Sexa”, de Glória Pires, a animação mineira “Ana, En Passant”, de Fernanda Salgado, e “Folclórica”, de Rodrigo Aragão, em sessões para toda a família.
Outro destaque é a programação de debates do Seminário Internacional Entre Cinemas e do Brasil CineMundi, sobre temas como circulação, coprodução, formação de público e financiamento. “Mesmo para quem não trabalha profissionalmente no audiovisual, acompanhar alguns desses debates é uma oportunidade rara de ouvir cineastas, produtores e profissionais de diferentes países pensando os desafios e os futuros do cinema”, disse.
A cineasta paraguaia Paz Encina, uma das homenageadas desta edição, terá filmes exibidos na programação e ministrará a masterclass internacional “Mil Vientos”, na qual falará sobre seu processo de criação e sua relação com memória.
Toda a programação é gratuita, mas a forma de acesso varia conforme o espaço e a atividade. Algumas sessões têm entrada direta, sujeita à lotação, enquanto outras exigem retirada prévia de ingresso, como no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, onde há distribuição pelo Sympla e na bilheteria.
Atividades de formação e algumas ações também exigem inscrição e têm vagas limitadas. A orientação é consultar as regras de cada atividade no site da CineBH antes de sair de casa.
“Central do Brasil” em versão inédita em BH
A exceção à programação gratuita é o Cine-Concerto “Central do Brasil”, realizado em parceria com a Mostra Cine Brasil de Música. A sessão será na quarta-feira (23/9), às 20h, no Grande Theatro, também, no Cine Theatro Brasil.
O filme de Walter Salles será exibido na íntegra, com diálogos e efeitos sonoros originais, enquanto a trilha será executada ao vivo pelo quinteto de cordas Almai e pelo pianista Anselmo Mancini. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte
Quando: 22 a 27 de setembro de 2026
Onde: espaços culturais de Belo Horizonte, incluindo Praça da Liberdade, Cine Theatro Brasil, Cine Humberto Mauro, Cine Belas Artes e Cine Santa Tereza
Entrada: gratuita*
Programação: cinebh.com.br
*Com exceção do Cine-Concerto “Central do Brasil”, com ingressos a R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).



