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Minas Gerais

Casal pega 45 anos de prisão após deixar criança morrer de fome em MG

Segundo denúncias, a criança sofreu maus-tratos, cárcere privado e desnutrição severa; mãe e padrasto foram conenados por homicídio

17/06/2026 09:13, atualizado 17/06/2026 09:14
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Getty Images
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Belo Horizonte — A Justiça condenou a mãe e o padrasto de uma criança de 7 anos que morreu após sofrer maus-tratos, desnutrição severa e cárcere privado em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. As penas ultrapassam 45 anos de prisão para cada um.

Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o julgamento ocorreu na última quinta-feira (11/6). O padrasto, de 22 anos, foi condenado a 46 anos, dois meses e cinco dias de prisão. Já a mãe, de 29 anos, recebeu pena de 45 anos, um mês e 18 dias. Ambos deverão cumprir a sentença em regime inicial fechado.

De acordo com a denúncia, a vítima e os dois irmãos eram submetidos a maus-tratos dentro de casa. As crianças ficavam trancadas nos quartos, recebiam pouca alimentação e eram obrigadas a realizar tarefas domésticas.

O MPMG apontou que a criança que morreu vivia em situação ainda mais grave. Ela foi retirada da escola, permanecia isolada por longos períodos e chegava a passar dias sem se alimentar. Os irmãos, por frequentarem a escola, conseguiam ao menos fazer refeições na instituição de ensino.

As investigações também concluíram que as crianças não recebiam acompanhamento médico nem vacinação. Mesmo debilitada e extremamente fraca, a vítima foi impedida de receber atendimento de saúde. Ela chegou sem vida ao hospital.

Laudos apontaram que a morte foi causada por desnutrição severa, que levou à falência múltipla de órgãos.

Ainda conforme o Ministério Público, o padrasto restringia a alimentação da criança porque se incomodava com o comportamento dela, descrito como brincalhão e conversador, além de considerar que ela queria comer mais do que os irmãos. A mãe foi responsabilizada por se omitir diante das agressões e por negar ao Conselho Tutelar qualquer situação de violência contra os filhos.

Na sentença, a juíza destacou que o afastamento da vítima da escola e do convívio social dificultou a identificação dos abusos e aumentou sua vulnerabilidade. A magistrada também ressaltou os impactos psicológicos causados aos irmãos, que cresceram em um ambiente marcado pelo medo, pela privação e pela insegurança.