
Candidato em MG, Kalil não revela voto para presidente: "Secreto".
O candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil concedeu entrevista exclusiva ao Metrópoles
Belo Horizonte – Concorrendo sem palanque nacional, apesar de seu partido apoiar a reeleição de Lula (PT), o candidato ao governo de Minas Alexandre Kalil (PDT) não revelou em quem pretende votar para presidente da República nas eleições deste ano. Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, Kalil afirmou que pode manter a escolha em sigilo durante toda a campanha.
“O voto é um direito sagrado e secreto. E eu sou um cara público. Então, eu me reservo o direito da intimidade do meu voto, até o momento em que achar que devo revelar, se eu devo revelar”, pontuou o candidato do PDT.
Esta é a primeira das entrevistas exclusivas que o Metrópoles faz com os concorrentes ao governo de Minas Gerais.
Em 2022, quando também disputou o governo mineiro, Kalil fez campanha ao lado do petista. Na entrevista, porém, disse que aquela aproximação ocorreu pelas circunstâncias políticas daquele momento e que agora se recusa a ser enquadrado em rótulos de esquerda ou direita.
“Eu me nego a esse rótulo. Eu, por uma circunstância política do momento, em 2022, pelo que me falaram marqueteiros, pela minha briga com o governo federal, na época [de Jair Bolsonaro]… Hoje eu escolhi que eu quero propor”, disse o candidato.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesKalil afirmou que pretende fazer campanha propositiva, com base em sua passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte. “Nós aqui não somos palanque de presidente da República”, declarou. Ele disputa eleitorado com o petista Patrus Ananias, o palanque de Lula em Minas.
Nas últimas pesquisas, Kalil e Patrus aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar, mas bem atrás de Cleitinho (Republicanos).
O candidato também disse que, se eleito, pretende cobrar mais investimentos federais para Minas, especialmente em infraestrutura. Ele comparou grandes obras realizadas em outros estados com a falta de rodovias completamente duplicadas no território mineiro.
Veja a íntegra da entrevista:
O que mais disse Alexandre Kalil ao Metrópoles
- Defendeu o fim da escala 6×1, mas com compensação a estados e municípios
- Afirmou que pretende fazer negociação da dívida de Minas pelo Propag
- Disse que quer revisar os incentivos fiscais, que chamou de “caixa-preta”
- Criticou filas na saúde e falta de estrutura das forças de segurança
- Fez duras críticas ao governo de Zema e Mateus Simões
- Falou que antes de câmeras, dará gasolina para as polícias
- Afirmou que as facções criminosas brasileiras são um problema, mas não são terroristas
Defende fim da 6×1, mas alerta para o peso sobre as prefeituras
Kalil também defendeu o fim da escala de trabalho 6×1, mas alertou que a mudança também terá impacto sobre estados e prefeituras. Ele cobrou uma compensação financeira para que os governos consigam reorganizar as jornadas no serviço público.
“Eu sou absolutamente a favor da escala 5×2 e sou contra a 6×1. […] Mas tem que haver uma compensação para as prefeituras, para os estados”, afirmou o ex-prefeito de Belo Horizonte.
Segundo Kalil, a discussão sobre a redução da jornada está concentrada nos trabalhadores e nas empresas privadas, sem considerar suficientemente os efeitos sobre a administração pública. Para ele, esse aspecto precisa ser incluído antes da aprovação da mudança.
O candidato citou garis, delegados e policiais militares entre as categorias que seriam atingidas pelo fim da escala 6×1. Enquanto os serviços de limpeza urbana são de responsabilidade municipal, as polícias Civil e Militar estão ligadas ao governo estadual.
“Nós temos que debater esse assunto não só para o empresário, mas para o setor público. Para gari, delegado, Polícia Militar, para tudo isso. Então, fica tudo muito raso. Esse debate não está sendo feito”, afirmou Alexandre Kalil.
O candidato do PDT chamou a atenção especialmente para os municípios pequenos, que possuem menor capacidade financeira e, em alguns casos, têm parcela relevante da população empregada pela administração municipal. Segundo ele, sem apoio, essas prefeituras podem ter dificuldade para manter os serviços após a reorganização das escalas.
“Tem prefeitura pequenininha. […] Tem município em que 30% da população são funcionários públicos. Vai parar a prefeitura”, alertou. Apesar da ressalva, Kalil repetiu durante a entrevista que é “absolutamente a favor” do fim da escala 6×1.











