BH cria Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio
Data será celebrada em 17 de outubro e também busca chamar atenção para falhas na rede de proteção às mulheres na capital mineira

Belo Horizonte — O dia 17 de outubro passa a ser o Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio em Belo Horizonte. A data foi criada por uma lei sancionada pelo prefeito Álvaro Damião e publicada nessa terça-feira (11/8).
A medida é resultado de um projeto apresentado pela vereadora Lóide Gonçalves. A proposta é lembrar as mulheres mortas em casos de feminicídio, prestar solidariedade às famílias e chamar a atenção para a violência contra a mulher.
A lei também prevê que a data seja usada para discutir possíveis falhas na rede de proteção às mulheres. Para isso, poderão ser analisados os caminhos percorridos pelas vítimas antes dos crimes, como pedidos de ajuda e atendimentos recebidos.
Outro objetivo é divulgar informações sobre onde e como denunciar casos de violência contra a mulher, além dos serviços disponíveis para atender vítimas e familiares.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) também poderá promover ações presenciais ou pela internet para lembrar as mulheres vítimas de feminicídio e contar histórias de mulheres que sobreviveram à violência.
Ao todo, 18 mulheres foram vítimas de feminicídio consumado em BH neste ano. Também houve 31 tentativas de feminicídio, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG).
Julho violento para as mulheres
No mês passado, Belo Horizonte registrou dois feminicídios e uma tentativa de feminicídio em um intervalo de poucos dias. Nos três casos, as mulheres foram atacadas por homens com quem mantinham relacionamentos.
Uma das vítimas foi a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, levada já sem vida ao Hospital Odilon Behrens pelo marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos. Segundo a Polícia Civil, Michele apresentava várias lesões pelo corpo, traumatismo craniano e um grave ferimento no rosto. O marido alegou que ela havia se machucado durante práticas sexuais consensuais, mas foi preso e é investigado por feminicídio.
Também em julho, Stifanie Ribeiro Firmino Silva, de 36 anos, foi encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro Camargos, na Região Oeste da capital. Vizinhos desconfiaram depois de ver o namorado dela, de 24 anos, deixando o condomínio com duas malas.
O homem se apresentou à polícia no dia seguinte, confessou o crime e foi preso.
A terceira vítima, de 31 anos, sobreviveu após ser espancada e jogada da sacada do terceiro andar de uma casa no bairro Jonas Veiga, na Região Leste. Segundo a investigação, ela sofreu socos, chutes, enforcamentos e golpes com garrafas de vidro antes da queda.



