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Minas Gerais

BH: ciclistas se revoltam e vão à Justiça contra desmanche de ciclovia. Vídeo

Anúncio feito pelo prefeito de BH, Álvaro Damião, provocou duras críticas nas redes sociais e de entidades ligadas à mobilidade urbana

15/06/2026 10:16, atualizado 15/06/2026 11:47
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Minha BH/ Reprodução
crianças em ciclovia destruída

Belo Horizonte — A decisão do prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União Brasil), de anunciar o desmonte da ciclovia da Avenida Afonso Pena, no Centro da capital mineira, gerou críticas nas redes sociais e levou ciclistas a acionarem a Justiça.

“Parabéns por incentivar a intolerância contra quem está de bicicleta”, escreveu um internauta. Outro questionou: “Como fica o ciclista que trabalha, mora e precisa se deslocar pela Afonso Pena? Grande absurdo”.

Já um terceiro comentário diz: “Para você que é ciclista: não exista nas vias que importam. Que tristeza, prefeito. Na contramão dos países onde você passa férias na Europa”.

Em vídeo publicado pela organização Minha BH, uma ciclista afirma: “Enquanto você tava torcendo pelo Brasil, olha o que que o prefeito de BH fez”, sugerindo que a decisão foi tomada em um momento em que a atenção de parte da população estava voltada para a partida da Seleção Brasileira.

Ela argumenta que a ciclovia representa uma medida de segurança para quem utiliza a bicicleta como meio de transporte. “Ciclovia é segurança das vidas das pessoas no trânsito, e o trânsito de Belo Horizonte é um dos piores do Brasil. E você sabe disso, porque você, prefeito, tem obrigação de saber”, afirma.

Ciclistas na Justiça 

Cristiano Scarpelli, do Ciclo Rota BH, afirmou, por meio das redes sociais, que o grupo protocolou um pedido de urgência na Justiça para tentar impedir a continuidade da retirada da ciclovia da Avenida Afonso Pena.

Segundo ele, “não existe autorização da Justiça para retirar a ciclovia” e a decisão da prefeitura seria ilegal, já que a estrutura está prevista em lei e foi construída com dinheiro público. Scarpelli afirmou ainda que uma ação popular contra a medida foi apresentada e que os ciclistas aguardam uma decisão liminar para tentar impedir a continuidade do desmonte.

O urbanista e professor Roberto Andrés lançou uma campanha de coleta de assinaturas contra a medida. Nas redes sociais, ele afirma que o projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena, orçado em R$ 24,8 milhões, teve cerca de 90% dos recursos já executados e critica a decisão da prefeitura de remover a estrutura antes da conclusão integral das obras.

O urbanista e professor Roberto Andrés divulgou, nas redes sociais, uma campanha de coleta de assinaturas contra a medida. Na postagem, ele afirma que o projeto de revitalização da Avenida Afonso Pena, orçado em R$ 24,8 milhões, teve cerca de 90% dos recursos já executados e critica a decisão da prefeitura de remover a estrutura antes da conclusão integral das obras.

A mobilização “Tá Pago? Executa!”, lançada a partir de uma coalizão de entidades e movimentos de mobilidade urbana de Belo Horizonte, pretende reunir 15 mil assinaturas em 15 dias para solicitar ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) que analise o caso e cobre a execução completa das intervenções previstas para a avenida.

O anúncio

No vídeo publicado nas redes sociais no último sábado (13/6), Damião classificou a medida como “um dos dias mais esperados por boa parte da população” e afirmou que a estrutura foi desmobilizada após autorização da Justiça.

“Primeiro eu queria falar para você que é ciclista: eu tenho um compromisso com vocês, aumentar o número de ciclovias em Belo Horizonte, mas não num lugar como esse. Afonso Pena, Amazonas, Antônio Carlos, Cristiano Machado… o trânsito já está muito sufocado e não dá espaço para isso nessas vias”, disse na publicação.

A PBH disse, por meio de nota, que decisão de retirar a ciclovia foi baseada em estudos técnicos realizados desde o início da disputa judicial envolvendo a obra. De acordo com o município, uma reavaliação apontou que os impactos da estrutura sobre o trânsito da região não foram plenamente previstos nos estudos originais.

A administração argumenta que, no trecho entre a Praça da Bandeira e a Rua Trifana, a ciclovia ocupava cerca de 12% da largura da pista destinada aos veículos, reduzindo a capacidade operacional da avenida, que já registra sobrecarga nos horários de pico.

“Ao longo da via circulam diariamente mais de 40 linhas do transporte coletivo, que fazem mais de 3.600 viagens e transportam mais de 150 mil passageiros por dia. Além disso, circulam pela avenida diariamente cerca de 21 mil veículos”, disse.

Ainda conforme a nota, outro ponto considerado foi a proximidade da via a equipamentos de saúde de alta complexidade, como o Hospital João XXIII, situado a poucos metros do corredor, o que torna qualquer redução da capacidade viária um risco potencial ao tempo de resposta de ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros.

A reportagem do Metrópoles questionou a  PBH sobre os custos de implantação e de retirada da ciclovia, mas não obteve retorno até a publicação.

Vai e vem na Justiça

Em abril de 2024, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pediu à Justiça a suspensão das obras. O órgão argumentou que o projeto não tinha o licenciamento necessário e que a ciclovia seria incompatível com as características da avenida.

Naquele mesmo mês, a Justiça rejeitou o pedido em decisão liminar. Apesar disso, a Prefeitura de Belo Horizonte optou por interromper os trabalhos.

Em junho de 2025, uma nova decisão judicial voltou a autorizar a continuidade da obra.