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Minas Gerais

Assaltantes "bem vestidos" assustam moradores de condomínios em BH

Grupo é suspeito de tentar invadir condomínios em Belo Horizonte; especialistas reforçam que protocolos devem valer para todos

30/06/2026 19:19, atualizado 30/06/2026 19:56
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Marias Bonitas de Lourdes
assaltantes bem vestidos

Belo Horizonte – Uma dupla formada por um casal de jovens bem vestidos está assustando moradores e síndicos de Belo Horizonte após tentativas de furto em condomínios da região centro-sul da capital. O caso mais recente foi registrado no bairro Lourdes, depois de uma tentativa frustrada no Belvedere. As duas ocorrências aconteceram no último domingo (28/6).

De acordo com relatos compartilhados por redes de segurança condominial, o casal tentou acessar um condomínio no Belvedere por volta das 17h10, mas teve a entrada impedida pelo porteiro. Cerca de 40 minutos depois, os suspeitos voltaram a agir em um edifício na Rua Bernardo Guimarães, no bairro Lourdes.

No segundo caso, a dupla conseguiu entrar no condomínio após um porteiro substituto liberar o acesso. Os suspeitos permaneceram por aproximadamente uma hora na escada de incêndio e, segundo os relatos, o furto só não foi consumado porque havia moradores no apartamento que teria sido escolhido como alvo. A Polícia Militar foi acionada depois que moradores perceberam a presença dos invasores e temeram que eles estivessem tentando entrar em algum imóvel.

O episódio reacendeu o alerta para a necessidade de reforçar os protocolos de controle de acesso em condomínios. Especialistas em segurança destacam que a identificação de visitantes e a autorização de entrada devem ser exigidas de todas as pessoas, independentemente da aparência ou da forma como estejam vestidas.

Moradora do bairro Lourdes há cerca de 30 anos, empresária e fundadora do movimento Marias Bonitas de Lourdes, Clarissa Vaz afirma que os dois episódios demonstram a importância do treinamento dos porteiros e do cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança.

“No Belvedere, o porteiro estava preparado e não permitiu a entrada. O problema é que, como não houve flagrante, eles continuaram soltos e voltaram a agir pouco tempo depois”, afirma.

Segundo Clarissa, um dos principais desafios é garantir que os procedimentos sejam seguidos por todos os profissionais, inclusive aqueles que substituem colegas durante férias, folgas ou afastamentos. “No prédio de Lourdes, quem estava na portaria era um porteiro substituto. Eles conseguiram passar pela segunda porta e permaneceram dentro do condomínio. Os moradores ficaram com receio de que estivessem tentando invadir algum apartamento e acionaram a Polícia Militar”, relata.

Ela destaca que o movimento mantém parceria com a Polícia Militar para fortalecer a segurança no bairro, mas ressalta que o efetivo não consegue atender toda a demanda da região. Por isso, moradores têm investido na instalação de câmeras particulares de alta definição para formar uma rede integrada de monitoramento das ruas.

Outro ponto levantado por Clarissa é a necessidade de ampliar a cultura da prevenção entre a população. Segundo ela, muitos furtos de celulares poderiam ser evitados com mudanças simples de comportamento. Como no caso flagrado no bairro Sion, no dia 23 de junho, e também publicado na página do Marias Bonitas, onde um rapaz bem vestido foi flagrado furtando celular de uma mulher que esperava pelo transporte de aplicativo. O comparsa esperava em moto estacionada perto do local do crime.

“Quando a pessoa anda distraída olhando para o celular, ela perde a consciência do que acontece ao redor. É um risco que muitos escolhem correr sem lembrar que vivemos em um dos países mais inseguros do mundo. A prevenção continua sendo a principal ferramenta para evitar esse tipo de crime”, afirma.

A vítima chegou a se reconhecer nas imagens e confirmou o assalto. “Meuuuu pai do céu….. sou eu no vídeo 😭😭😭😭 eu estava esperando o app ….”, escreveu.

Moradores também relataram situações semelhantes em outros bairros da capital. Na publicação que o grupo Marias Bonitas de Lourdes fez em sua rede social, uma moradora contou que o mesmo casal tentou entrar em um condomínio no bairro Sion no ano passado. Segundo o relato, os suspeitos aproveitaram a entrada de um morador e disseram ao porteiro que visitariam um tio, mas não souberam informar o nome do suposto familiar. Diante da inconsistência da história, tiveram a entrada negada e deixaram o local.

As publicações que divulgaram os casos ressaltam que o objetivo do alerta não é associar aparência ao crime, mas reforçar que criminosos podem se apresentar como qualquer outra pessoa. A orientação é que moradores não permitam a chamada “entrada no vácuo”, exijam o cumprimento dos protocolos de identificação e comuniquem imediatamente qualquer movimentação suspeita à administração do condomínio e às autoridades.

Clarissa também chama atenção para a necessidade de responsabilização dos autores desse tipo de crime. Segundo ela, furtos praticados sem violência ou emprego de arma frequentemente resultam na liberação dos suspeitos quando não há outros registros contra eles, tornando a prevenção e a vigilância dos moradores ainda mais importantes.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ressalta que o registro da ocorrência é indispensável para subsidiar a instauração e o desenvolvimento de investigações criminais. Ela orienta que vítimas, testemunhas ou responsáveis por condomínios que tenham sido alvo de tentativas de furto ou que identifiquem situações suspeitas procurem imediatamente as forças de segurança e formalizem a ocorrência.

Além disso, a instituição recomenda que moradores e funcionários de condomínios mantenham rigor nos procedimentos de controle de acesso, evitando a entrada de pessoas não identificadas e comunicando prontamente qualquer movimentação suspeita às autoridades competentes.