Argentino preso por racismo em MG relata agressão, mas tem HC negado
Justiça negou pedido de liberdade de Eduardo Ignacio, acusado de cometer racismo contra uma criança de 7 anos durante passeio em MG
atualizado
Compartilhar notícia

Belo Horizonte – A Justiça de Minas Gerais negou o pedido de liberdade do argentino Eduardo Ignacio, de 63 anos, preso preventivamente após ser acusado de praticar racismo contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes, na região central de Minas Gerais.
A decisão foi proferida pelo desembargador Octavio Augusto de Nigris Boccalini, que rejeitou o pedido liminar apresentado pela defesa. Os advogados alegaram que o turista teria sido agredido dentro do presídio e pediram a revogação da prisão preventiva, a transferência para uma unidade considerada mais segura ou, alternativamente, a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que não ficou demonstrada, de forma imediata, qualquer ilegalidade na manutenção da prisão. Segundo a decisão, o decreto prisional está fundamentado em elementos concretos do processo, como a necessidade de garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal.
Na decisão que manteve a prisão, a Justiça destacou que Eduardo teria apagado imagens e mensagens do celular após ser confrontado sobre o conteúdo racista, antes mesmo da chegada da polícia.
O comportamento foi interpretado como uma tentativa de dificultar a investigação. Também pesou o fato de as mensagens terem sido enviadas a mais de um contato e de o suspeito ter admitido o envio do material, classificando o conteúdo como uma “brincadeira”.
Relembre o caso
O caso ocorreu em 24 de maio durante um passeio turístico de Maria Fumaça. Passageiros perceberam que o argentino fotografava e filmava uma criança negra de 7 anos e enviava as imagens por aplicativo de mensagens acompanhadas de comentários racistas. Em uma das conversas, ele sugeria levar “escravos” do Brasil para a Argentina.
A situação foi denunciada por uma passageira que alertou a mãe do menino. Com a ajuda de outras pessoas que estavam no trem, as mensagens foram registradas e entregues às autoridades. O argentino foi detido quando a composição chegou a Tiradentes e acabou preso em flagrante.
À época, a mãe da criança relatou que o filho compreendeu o ocorrido e ficou “quieto, cabisbaixo e triste” após o episódio. Ela também afirmou que o suspeito insistia que tudo não passava de uma brincadeira e cobrou que o caso fosse investigado até o fim.





