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“Sicário” foi levado a hospital em BH após tentar se matar na PF

Homem considerado como o braço direito de Vorcaro agia tentando intimidar pessoas desafetas ao Banco Master.

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Raphael Veleda / Metrópoles
Carro da PF em frente ao Hospital João XXIII
1 de 1 Carro da PF em frente ao Hospital João XXIII - Foto: Raphael Veleda / Metrópoles

Belo HorizonteApós tentar tirar a própria vida dentro da carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais, Luiz Phillipi Machado Mourão, conhecido como “Sicário” e apontado como espião do banqueiro Daniel Vorcaro, foi levado ao Hospital João XXIII, no centro da capital mineira. Ele passa por protocolo para confirmar se teve morte encefálica.

A Polícia Federal fez o comunicado sobre a tentativa desuicídio ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, no Supremo Tribunal Federal (STF). O vídeo com o registro de tudo o que ocorreu na sede da Superintendência será encaminhado ao gabinete do ministro. Será aberto procedimento para apurar as circunstâncias do fato.

A nota da PF diz ainda que os policiais federais que estavam no local prestaram socorro imediato, com procedimentos para reanimação. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado  e a equipe deu continuidade ao atendimento e  encaminhou o Luiz Phillipi para o pronto-socorro do hospital em BH.

Quem é o Sicário

A terceira fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em São Paulo, também, teve desdobramentos em Belo Horizonte com a prisão de dois dos homens que trabalhavam para Vorcaro: Marilson Roseno da Silva e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que faziam parte de um grupo denominado “A Turma” e agiam com orientações do dono do Banco Master segundo a apuração da PF.

Qualquer pessoa que tentasse atrapalhar os interesses da organização podia virar alvo deles, diz a investigação policial. Marilson Roseno da Silva agia na espionagem e coerção, já Mourão, identificado como Felipe Mourão, o Sicário, era o responsável pela intimidação e vigilância de pessoas que poderiam atrapalhar a ação e interesses do Banco Master.

Ligação com Vorcaro

Considerado como o braço direito de Vorcaro, Mourão foi apontado na investigação da Polícia Federal (PF) como o líder operacional do grupo e identificado nas investigações como o Sicário (termo usado para quem é contratado para praticar assassinatos).  Ele possui registro de admissão no sistema prisional  mineiro no dia 10 de fevereiro de 2020 até o  dia 15 de fevereiro do mesmo  ano.

Nas investigações ele é identificado como “Felipe Mourão”, pessoa que mantinha relação direta de prestação de serviços com Daniel Bueno Vorcaro. Ele seria o responsável por obter informações sigilosas, monitorar pessoas e neutralizações situações que poderiam atrapalhar os interesses do Banco Master.

Mourão era o responsável pela coordenação de um grupo identificado como “A Turma”, que agia pelos interesses de Vorcaro. Qualquer que fosse a ameaça aos interesses do Banco Master, o grupo agia. “A Turma”  prestava serviços de vigilância, coleta de informações e monitorava pessoas que seriam adversárias do grupo.

Em um trecho da conversa, há a descrição de uma ordem de Vorcaro para se fazer o levantamento de um funcionário que teria gravado uma conversa e de uma chef ligada a esse funcionário: “O bom de dar sacode no chef de cozinha. O outro já vai assustar”, diz transcrição da conversa na investigação.

Mourão seria o responsável por acessar registros restritos a órgãos públicos, instituições de segurança pública e investigação policial usando credenciais de terceiros e teria acessado informações sigilosas da própria Polícia Federal, do Ministério Público e de organismos internacionais como FBI e Interpol. Ele obtinha dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas, e outras pessoas  de interesse da organização. Os dados eram submetidos a integrantes do grupo que decidiam o que fazer.

Um dos alvos do pessoal de Vorcaro era o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Veja o trecho da conversa que entre Vorcaro e Mourão, sugerindo uma simulação de assalto ao jornalista:

Trecho da investigação PF Banco MAster
Trecho da conversa entre Mourão e Vorcaro se referindo ao jornalista

 

As investigações apontam que Mourão agia retirando conteúdo e perfis em plataformas digitais, “utilizando expedientes que simulavam solicitações oficiais de órgãos públicos para acionar canais de atendimento destinados a autoridades”.

Há indícios que “Felipe Mourão” recebia R$1 milhão por mês por intermédio de Fabiano Zettel, remuneração pelos serviços ilícitos. Veja trecho de conversa entre Mourão e Vorcaro:

Trecho decisão Banco Master
Trecho de conversa no qual Mourão cobra pagamento

Em Belo Horizonte, há um processo criminal em nome de Luiz Phillipi Machado Mourão tramitando. Segundo informações da justiça de Minas, em 2021 Mourão teria sido denunciado por participação em organização criminosa; por crimes contra a economia popular, supostamente praticados diversas vezes em continuidade delitiva e por lavagem de dinheiro.

O processo encontra-se em prazo para manifestação da defesa dos envolvidos. A ação tramita na 5ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte.

 

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