Após Goiás, Minas Gerais teve susto com Césio-137
Décadas após o trágico caso de Goiânia, cápsulas com Césio-137 sumiram em Minas Gerais, mobilizando autoridades e causando medo na população
atualizado
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Belo Horizonte – Um acidente radioativo com Césio-137 em Goiânia (GO) marcou a história do Brasil em 1987, e a memória da tragédia causou medo em Minas Gerais décadas depois, quando fontes da substância foram furtadas de uma mineradora, mobilizando autoridades.
O desfecho do caso mineiro, porém, foi um final feliz, sem vítimas ou contaminação, ao contrário do grave episódio de Goiânia, que matou quatro pessoas e impactou outras centenas, em uma tragédia relembrada na série Emergência Radioativa, da Netflix.
Veja imagens do desastre radiológico em Goiânia:
O caso mineiro
Em Minas, duas cápsulas contendo o Césio-137 radioativo sumiram da mineradora AMG Brasil, na cidade de Nazareno, região do Campo das Vertentes, em 29 de junho de 2023. O desaparecimento, registrado como furto, mobilizou as polícias de Minas e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
A Defesa Civil de Nazareno também atuou, assim como a de cidades vizinhas, como São Tiago, enquanto a população acompanhava as notícias com apreensão.
Durante as buscas, técnicos da Cnen fizeram varredura com detectores de radiação (como os mostrados na série da Netflix) em mais de 300 hectares da mineradora, mas não encontraram nada.
O material radioativo acabou sendo encontrado no dia 10 de julho daquele ano, em um ferro-velho, em São Paulo (SP), a 432 quilômetros de onde sumiu. Os equipamentos estavam intactos, isto é, não haviam sido abertos, como aconteceu em Goiânia décadas antes.
Apesar desse final feliz, sem contaminações, nunca foram divulgadas informações sobre a investigação e possíveis responsabilizações. Não há informações oficiais sobre prisões ou sobre como o material sumiu de Minas e chegou ao estado vizinho.
O que é o Césio-137 e o que ele causa em humanos
O Césio-137 não é encontrado naturalmente na natureza. O químico Wilson Botter, vice-presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), explica que o Césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio, que tem número atômico 55.
A criação do Césio-137 é um produto da fissão nuclear – processo em que o núcleo de átomos pesados, como o urânio, é dividido em partes menores dentro de reatores nucleares ou durante explosões atômicas. É dessa quebra que surgem elementos como o Césio-137.
Esse elemento radioativo é usado na medicina, especialmente em equipamentos de radioterapia para tratamentos de câncer. Também é utilizado na indústria para medição do nível e da densidade de materiais, além de ter aplicações em pesquisas científicas.
A exposição de seres humanos ao Césio-137 pode causar a síndrome aguda da radiação, um conjunto de sintomas graves que incluem náuseas, vômitos, queimaduras, queda de cabelo, infecções e, em casos mais severos, morte.




















