Após Goiás, Minas Gerais teve susto com Césio-137

Décadas após o trágico caso de Goiânia, cápsulas com Césio-137 sumiram em Minas Gerais, mobilizando autoridades e causando medo na população

atualizado

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Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)/Reprodução
Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
1 de 1 Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) - Foto: Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)/Reprodução

Belo Horizonte – Um acidente radioativo com Césio-137 em Goiânia (GO) marcou a história do Brasil em 1987, e a memória da tragédia causou medo em Minas Gerais décadas depois, quando fontes da substância foram furtadas de uma mineradora, mobilizando autoridades.

O desfecho do caso mineiro, porém, foi um final feliz, sem vítimas ou contaminação, ao contrário do grave episódio de Goiânia, que matou quatro pessoas e impactou outras centenas, em uma tragédia relembrada na série Emergência Radioativa, da Netflix.

Veja imagens do desastre radiológico em Goiânia:

Após Goiás, Minas Gerais teve susto com Césio-137 - destaque galeria
14 imagens
Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
Velório das vítimas
Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia
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Manchete do Jornal do Brasil sobre a tragédia

Reprodução
Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez
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Demolição do Ferro Velho onde cápsula de Césio-137 foi aberta pela 1ª vez

Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137
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Demolição de casas contaminadas pelo Césio-137

Reprodução/Agência Internacional de Energia Atómica
Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137
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Leide das Neves, que inspirou a história de Celeste, personagem de Emergência Radioativa. Ela morreu cerca de 1 mês após contato com o Césio-137

Reprodução/TV Anhanguera
Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia
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Cápsula de onde saiu o Césio-137 que causou desastre em Goiânia

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Velório das vítimas
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Velório das vítimas

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Radiolesão provocada pelo Césio-137 em Goiânia
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Radiolesão provocada pelo Césio-137 em Goiânia

Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
Vítima do acidente se despede de parentes enquanto é levada para tratamento no Rio de Janeiro (RJ)
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Vítima do acidente se despede de parentes enquanto é levada para tratamento no Rio de Janeiro (RJ)

Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
Equipe médica do HGG que cuidou das vítimas do Césio-137
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Equipe médica do HGG que cuidou das vítimas do Césio-137

Reprodução/ Livro Césio 137 - 37 anos: A história do acidente radioativo em Goiânia
Local onde rejeitos do Césio foram depositados
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Local onde rejeitos do Césio foram depositados

Reprodução/Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN)
Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado
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Vítimas que morreram foram enterradas em túmulos especiais, com concreto reforçado

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local
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Técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) fazem monitoramento periódico no local

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137
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Terreno isolado por concreto especial, no centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos atingidos pelo Césio-137

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987
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Lote na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde ficava a casa de um dos homens que coletou o aparelho abandonando contendo a cápsula de Césio em 13 de setembro de 1987

Vinícius Schmidt/Metrópoles

O caso mineiro

Em Minas, duas cápsulas contendo o Césio-137 radioativo sumiram da mineradora AMG Brasil, na cidade de Nazareno, região do Campo das Vertentes, em 29 de junho de 2023. O desaparecimento, registrado como furto, mobilizou as polícias de Minas e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

A Defesa Civil de Nazareno também atuou, assim como a de cidades vizinhas, como São Tiago, enquanto a população acompanhava as notícias com apreensão.

Durante as buscas, técnicos da Cnen fizeram varredura com detectores de radiação (como os mostrados na série da Netflix) em mais de 300 hectares da mineradora, mas não encontraram nada.

O material radioativo acabou sendo encontrado no dia 10 de julho daquele ano, em um ferro-velho, em São Paulo (SP), a 432 quilômetros de onde sumiu. Os equipamentos estavam intactos, isto é, não haviam sido abertos, como aconteceu em Goiânia décadas antes.

Apesar desse final feliz, sem contaminações, nunca foram divulgadas informações sobre a investigação e possíveis responsabilizações. Não há informações oficiais sobre prisões ou sobre como o material sumiu de Minas e chegou ao estado vizinho.

O que é o Césio-137 e o que ele causa em humanos

O Césio-137 não é encontrado naturalmente na natureza. O químico Wilson Botter, vice-presidente do Conselho Federal de Química (CFQ), explica que o Césio-137 é um isótopo radioativo do elemento químico césio, que tem número atômico 55.

A criação do Césio-137 é um produto da fissão nuclear – processo em que o núcleo de átomos pesados, como o urânio, é dividido em partes menores dentro de reatores nucleares ou durante explosões atômicas. É dessa quebra que surgem elementos como o Césio-137.

Esse elemento radioativo é usado na medicina, especialmente em equipamentos de radioterapia para tratamentos de câncer. Também é utilizado na indústria para medição do nível e da densidade de materiais, além de ter aplicações em pesquisas científicas.

A exposição de seres humanos ao Césio-137 pode causar a síndrome aguda da radiação, um conjunto de sintomas graves que incluem náuseas, vômitos, queimaduras, queda de cabelo, infecções e, em casos mais severos, morte.

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