
Após apoiar Flávio, Cleitinho fica mais longe de alívio para dívida de MG
Governador eleito apostou em compromisso do senador do PL para renegociar débito e agora terá de buscar diálogo com Lula
26/10/2026 03:00

Belo Horizonte – O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), não terá um aliado próximo no Palácio do Planalto e terá de construir uma relação com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O apoio de Cleitinho a Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial pode tornar mais difícil a negociação de um alívio para a dívida de Minas Gerais com a União, o que é um dos grandes objetivos de Cleitinho.
O governador eleito havia recebido do candidato do PL o compromisso de buscar uma solução para o endividamento estadual, mas, com a vitória de Lula (PT), terá de retomar o diálogo com um governo que já defendeu não haver nova saída para o problema para além do Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados).
Cleitinho não fez uma campanha intensa por Flávio, mas declarou apoio ao senador e chegou a dividir palanque com ele. A aproximação ocorreu mesmo depois de Lula aconselhar o mineiro a não se envolver diretamente na disputa presidencial.
“Tenho certeza de que o Cleitinho é esperto. Ele não precisa me apoiar, ele só tem a ganhar no final das eleições”, afirmou Lula durante um ato de campanha em Juiz de Fora, em referência à possibilidade de o governador eleito manter distância da disputa.
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Cleitinho declarou apoio a Flávio e afirmou que o candidato assumiu o compromisso de ajudar Minas a renegociar a dívida com a União, estimada em cerca de R$ 180 bilhões. O senador disse que a pauta seria uma das prioridades de seu futuro governo.
A aposta, porém, não significou um rompimento com Lula. Cleitinho afirmou que, independentemente do resultado da eleição presidencial, procuraria o presidente eleito para discutir a situação fiscal do estado. Ele também declarou que ligaria para Lula e iria a Brasília para tratar do tema, caso o petista permanecesse no Planalto.
Governo Lula diz que solução já existe
A negociação pode começar com um obstáculo conhecido. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu uma cobrança anterior de Cleitinho para que os presidenciáveis apresentassem propostas para a dívida mineira.
“Desafio aceito, senador. E já te digo: já respondido”, afirmou Durigan.
Segundo o ministro, o governo Lula já apresentou uma solução por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), aprovado pelo Congresso Nacional e em vigor. O ministro também lembrou que Cleitinho votou a favor da proposta no Senado.
Durigan afirmou que, sem a renegociação, Minas teria de pagar juros de 4% ao ano, além da correção pela inflação, com parcelas mensais de R$ 605 milhões. Com o Propag, segundo ele, o estado pode zerar os juros e manter a correção pelo IPCA. A estimativa apresentada pelo ministro é de uma economia de até R$ 225 bilhões ao longo de 30 anos.
Com a disputa presidencial encerrada, Cleitinho vai ter que recorrer a Lula para negociar. O governador eleito, por sua vez, já deixou claro que pretende procurar Lula — mesmo depois de ter escolhido apoiar Flávio.
