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Minas Gerais

Alunos de medicina atacam bolsistas após vitória de Lula: "Petistas do c*".

Estudantes de medicina em Araguari (MG) ofenderam colegas beneficiados pelo Prouni e Fies em áudios; instituição abriu processo disciplinar

29/10/2026 08:25

Belo Horizonte — Dois estudantes de Medicina, ambos de 19 anos, do Centro Universitário Imepac, em Araguari, no Triângulo Mineiro, são alvo de um processo administrativo disciplinar após ofenderem colegas bolsistas em um grupo de WhatsApp. Os ataques ocorreram na noite de domingo (25/10), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nos áudios, que passaram a circular nas redes sociais, os universitários insultam estudantes beneficiados pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). As ofensas foram direcionadas aos colegas que vendem trufas e outros produtos para complementar a renda e custear as despesas durante a graduação.

“Agora quem votou no Lulinha, que está há 20 anos prometendo picanha, quem vier vender trufa […]. Vai todo mundo se f*. Pega a p* da sua bolsa de Prouni, de Fies e divide com a p* do MST”, diz um dos estudantes.

Em outro áudio, uma estudante ameaça boicotar a venda de produtos feita por colegas identificados como eleitores do PT. “Eu quero ver nego vender trufa para o meu lado. Vai enfiar tudo no c*, seus petistas do c* […]. Quero que vocês enfiem essas m* que vocês vendem tudo no meio do c*, seus petistas do c*”, afirma.

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Faculdade abre processo disciplinar

Após a repercussão dos áudios, o Centro Universitário Imepac divulgou um comunicado oficial repudiando manifestações de intolerância e discriminação, sejam motivadas por convicções políticas ou pela condição socioeconômica dos estudantes.

A instituição informou que instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar os episódios relatados e avaliar a adoção de medidas cabíveis, respeitando as normas internas e o direito de defesa dos envolvidos.

“O Centro Universitário IMEPAC repudia qualquer manifestação de intolerância ou discriminação, seja por convicções políticas ou por condição socioeconômica”, afirmou.

A faculdade também declarou que disponibilizou canais de acolhimento e suporte aos estudantes atingidos e reforçou o compromisso com um ambiente acadêmico seguro, inclusivo e livre de discriminação.

Diretório acadêmico repudia ataques

O diretório acadêmico do curso de medicina também divulgou uma nota de repúdio aos episódios, classificando as manifestações como ataques de cunho pessoal, ofensivo e intolerante contra integrantes da comunidade universitária.

Segundo a entidade estudantil, agressões verbais, intimidações e desrespeito à dignidade humana são incompatíveis com os princípios éticos, democráticos e civilizatórios que devem orientar a convivência acadêmica.

O diretório afirmou ainda que mantém contato frequente com a instituição de ensino para cobrar providências. “Não toleramos e jamais vamos nos calar diante de posturas que violem a integridade de seus integrantes”, destacou a entidade.