Advogada é acusada de cobrar R$ 4 mil de cliente para subornar perito em MG.
Dinheiro seria usado para subornar perito e convencê-lo a apagar provas em celular apreendido durante investigação por tráfico de drogas
Belo Horizonte — Uma advogada é acusada de pedir R$ 4 mil à família de um cliente preso por tráfico de drogas para, supostamente, subornar um perito da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e apagar dados extraídos de um celular apreendido durante a investigação. O caso ocorreu em Ponte Nova, na Zona da Mata mineira.
Segundo informações que constam em decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), que tornou a advogada Daniela Gomes Ibrahim ré, ela teria solicitado o dinheiro a familiares de um réu em um processo por tráfico de drogas.
A suspeita é de que o valor seria destinado a um perito da PC para que dados obtidos durante a perícia de um celular fossem apagados ou suprimidos. O objetivo, ainda conforme o processo, seria impedir que as informações fossem usadas como prova na ação contra o cliente. A conduta é investigada como tráfico de influência.
“A medida encontra fundamento não apenas na gravidade abstrata do delito imputado, mas, sobretudo, na forma concreta pela qual a infração penal teria, em tese, sido praticada e na utilização direta das prerrogativas, conhecimentos, contatos e credibilidade inerentes ao exercício da advocacia criminal como instrumento para a prática delitiva”, diz trecho da decisão do juiz Guilherme Barros Dominato.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesLigação foi gravada
Em um vídeo que circula nas redes sociais, gravado durante uma ligação telefônica, é possível ouvir uma conversa atribuída à advogada e a uma mulher.
No diálogo, a interlocutora menciona os R$ 4 mil que, segundo a conversa, seriam destinados a um perito, e afirma que já havia conseguido parte do dinheiro. Em seguida, demonstra receio de que o procedimento não desse certo. “Mas será, doutora, que o perito que tava lá vai conseguir, vai ser o mesmo? Será que vai dar certo mesmo, doutora? Eu fico com medo”, afirma.
A advogada responde que não seria necessário que fosse o mesmo profissional. “Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ele puxa no sistema. […] Ele simplesmente vai entrar no sistema e vai entrar dentro do telefone”, diz.
Na sequência, a mulher afirma que conseguiu parte do dinheiro e que o valor seria repassado à advogada para que ela o entregasse ao perito: “Eu consegui o dinheiro […], mas só pra poder ajudar eu ia passar, entendeu? Esse valor pra senhora. Pra senhora tá passando pra ele”.
Ainda durante a ligação, a advogada pede que fossem enviados, naquele mesmo dia, nome completo, CPF, número de telefone e, de preferência, e-mail. “A gente não pode perder nem mais um dia”, afirma. A mulher diz que conversaria com os pais do cliente para tentar conseguir o restante do dinheiro.
Quem é
Daniela Gomes Ibrahim é advogada inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) desde setembro de 2007 e vinculada à subseção de Ponte Nova.
Segundo consulta ao cadastro da entidade, a inscrição profissional dela consta como ativa e definitiva, com atuação nas áreas cível, penal e trabalhista.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com a PCMG e com a OAB-MG e aguarda um posicionamento. O Metrópoles também tenta contato com a defesa de Daniela Gomes Ibrahim. O espaço está aberto para manifestação.



