Baixo estoque de sedativos ameaça fechar leitos de Covid-19 no Hran
Situação foi encontrada após fiscalização da Comissão de Direitos Humanos da CLDF. Secretaria de Saúde nega desabastecimento
06/10/2020 04:45, atualizado 06/10/2020 09:59

Um possível desabastecimento de sedativos na rede pública de saúde do Distrito Federal acendeu o sinal de alerta entre autoridades locais pelo risco de bloqueio de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para pacientes com Covid-19.
Fiscalização da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara Legislativa (CLDF) encontrou baixo estoque dos medicamentos usados para intubação de infectados e em estado considerado grave pelo Sars-Cov-2. A ação ocorreu na manhã dessa segunda-feira (5/10) e teve a participação de representantes do Conselho de Enfermagem (Coren-DF).
“A nossa preocupação é que tivemos muitas denúncias de falta de sedativos necessários para a intubação. A gente sabe que, com a Covid-19, há grande quantidade de pacientes que precisam ir para a UTI e com necessidade de algum tipo de sedativo nesse processo de tratamento”, afirmou o presidente da comissão, deputado Fábio Felix (PSol).
“Recebemos denúncia de que vários leitos foram bloqueados pela falta de medicamento e a gente foi na farmácia hoje [segunda-feira] e, de fato, há um estoque praticamente zerado de noradrenalina e outros medicamentos necessários”, completou o distrital.
Estoques zerados
A vistoria constatou que os remédios Dormonid/Midasolam estão zerados na unidade, assim como a adrenalina, a Dobutomina e o Propofol. A falta de Noraepinefrina, Epamidato e Atracúrio ameaçam a possibilidade de que o paciente seja auxiliado por meio da ventilação mecânica.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“Na semana passada, recebemos informações que dois leitos de UTIs estavam sendo fechados no Hospital [Regional] de Ceilândia por falta de medicação e hoje fomos verificar em loco. De fato, medicamentos importantes para pacientes em UTI estão em falta ou com o estoque superbaixo. Nós vamos encaminhar para a secretaria [de Saúde] questionamentos sobre a compra dessas medicações”, continuou o parlamentar.
Em junho, a coluna revelou que pelo menos quatro medicamentos estavam zerados nos estoques da farmácia de abastecimento do DF. São eles: Cisatracúrio, Rocurônio, Atracúrio e Pancurônio, alguns dos mais indicados para quadros de ventilação mecânica no Brasil.
O que diz a Secretaria de Saúde?
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal nega o desabastecimento e informa que os estoques do Hran, por exemplo, foram abastecidos de noradrenalina, Propofol 1% e Midazolam 3 ml por remessas encaminhadas pelo Ministério da Saúde.
“Além disso, a falta de estoque pode ocorrer na farmácia central para dispensação, mas hospitais possuem os itens em seus estoques locais”, diz a pasta.
Na nota enviada ao Metrópoles, a Secretaria de Saúde informa que “tem processos de aquisição, tanto regular quanto emergencial, em andamento para todos os itens sem estoque, além de processos tramitando junto ao Ministério da Saúde e o Consórcio Brasil Central (BRC) na tentativa de adquirir os itens com a urgência que o caso requer”.
A pasta também está promovendo ações de remanejamento junto às unidades quando necessário.
Veja o estoque dos remédios, conforme informações da pasta na noite dessa segunda-feira (5/10):
- Midazolam 3ml – 6.763 unidades;
- Midazolam 10ml – 2.178 unidades;
- Fentanila 10ml – 38.839 unidades;
- Propofol 1% 20ml – 1.395 unidades;
- Pancurônio – 1.103 unidades;
- Cisatracúrio – 475 unidades;
- Norepinefrina – 10.215 unidades;
- Epinefrina – 65.003 unidades;
- Etomidato – 1.331 unidades;
- Suxametônio – 3.390 unidades;
- Dopamina – 1.350 unidades;
- Dobutamina – 4.843 unidades;
- Propofol 2% 50ml – sem estoque;
- Propofol 1% 50ml – sem estoque;
- Atracúrio – sem estoque.











