Mães e chefs: como a maternidade eleva a gastronomia feita no DF
Neste Dia das Mães, o Metrópoles revela nomes que conciliam o maternar com a função de chef, elevando a cena gastronômica local
atualizado
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O cheiro de café passado ao acordar. O bolo macio que desmancha na boca. As lancheiras diárias. O brócolis e — por quê não? — o brigadeiro de panela. Para muitas pessoas, as memórias ligadas às mães estão intrínsecas ao que sai das caçarolas. São incontáveis situações em que a cozinha oferece mais que alimento, é afeto na forma mais pura, como coração de mãe. Algumas matriarcas do Distrito Federal, aliás, ultrapassam as fronteiras familiares e levam sua expertise e talento para outro nível: o da cozinha profissional. Para a sorte dos comensais, elas fizeram do dom um profissão.
Neste Dia das Mães, a editoria de Gastronomia do Metrópoles revela nomes que conciliam o maternar com a árdua tarefa de chefiar bufês, restaurantes e outros projetos no setor de alimentação, elevando o nível do que é produzido e consumido à mesa no “Quadradinho”.
Conheça algumas delas e inspire-se com histórias de aguerridas chefs e mães da cidade!
Lily Araújo
Mãe de Victor e Teo, de 17 e 7 anos, respectivamente, Lily Araújo se tornou mãe aos 22 anos. À época, já era cozinheira. Ainda assim, segurou “todos os pratinhos” e concluiu o curso profissional, com as dificuldades que a jornada dupla impõe.
Quem acompanha suas criações pode não imaginar, mas a chef leva muito da maternidade como bagagem para a atuação à frente dos restaurantes que capitaneia.
“O que eu mais aprendo no dia a dia é paciência de lidar com os desafios do dia a dia, de ensinar o caminho para eles. E eu aplico no trabalho, igualmente. Ensino para uma pessoa do zero que nunca fez uma receita e a pessoa aprende. Tenho a paciência de esperar passar o processo e ver a pessoa se desenvolver, como ocorre em casa.”

Além da paciência, Lily destaca o compromisso como outra palavra de ordem quando o assunto é aliar carreira e a vida como mãe.
E defende: depois da maternidade, o que mais quer é ver mães, pais, filhos e famílias inteiras resgatando o momento de cozinhar e partilhar a mesa. “Isso é inspirador.”
Renata La Porta
A banqueteira Renata La Porta vivenciou a maternidade aos 43 anos com Noah, seu “sonhado e desejado” filho de 9 anos. O período com o buffet, portanto, antecede a chegada do pequeno. São, ao todo, 34 orgulhosos anos na gastronomia.
Ao virar mãe, porém, se viu mais empática. Hoje, se percebe uma chef diferente. “A maternidade e a profissão são campos de aprendizado contínuo. Na cozinha e em casa, cada dia é a oportunidade para aprender a ser uma mãe e uma profissional melhor”, defende.

E engana-se quem imagina que é só ela quem tem muito a ensinar a Noah. Renata aprende todos os dias com o rebento. “Meu ‘muso inspirador’ tem um paladar muito exigente e refinado. Quero continuar a poder ouvi-lo falar, com muito orgulho, que ‘minha mãe é a melhor chef do mundo’”, brinca.
Fabiana Pinheiro
Quando decidiu ser mãe, 18 anos atrás, Fabiana Pinheiro não era chef. Foi apenas no segundo ano de vida da filha, Julia, que abriu o primeiro restaurante. Lá, ela montou um espaço pensado para as necessidades pequena, no qual pudesse praticar o ofício e também vê-la crescer.
Desde então, Fabiana tem um mantra que vale tanto para as cozinhas quanto para o maternar: “É preciso planejar tudo, mas se algo sair do controle, nunca se desespere.”
De Julia, veio força, resiliência e uma parceria que atravessa o tempo. E não só. A jovem inspirou a elaboração de pratos, como o nhoque de banana-da-terra.

“Minha filha e meus sobrinhos adoravam quando eu cozinhava as bananas ou as batatas e deixava eles prepararem os nhoques! Depois, eu servia na manteiga, com molho de carne ou tomates…”, recorda.
A meta, mais que promover uma experiência prazerosa e uma relação equilibrada com a comida, é ser o norte de Julia e de outros familiares em diferentes aspectos. “Quero que eles se inspirem no que eu acredito. Que optem por uma gastronomia saudável, por comida de verdade, feita com ingredientes frescos e saborosos”, encerra.
Renata Dias
Para a chef Renata Dias, mãe de Bella, de 2 anos, a maternidade é como um barco que tem como âncora as palavras foco, organização e disciplina — fundamentais, também, no fazer gastronômico.
“Não foi fácil, mas trabalhei até dois dias antes da Bella nascer. Tinha um colchão na despensa da cozinha e às vezes me deitava lá, pois ela colocou o pezinho na minha costela e eu sentia dores enormes, cheguei a precisar de medicamento. Mas trabalhava, batia massa, fazia tudo que tinha que fazer”, rememora.

Para ela, ser chef e mãe é viver diariamente um propósito maior. Propósito, este, pelo qual luta com afinco: democratizar e popularizar a comida vegana. “Quero ser alguém que minha filha se orgulhe e consiga transformar o cenário vegano. Que consiga fazer as pessoas acharem que o veganismo é uma realidade possível e pode ser delicioso.”
Catarina Melo
Catarina Melo, mãe de Donatela, de 10 anos, é categórica: a maternidade ajuda, e muito, a moldar a cena do DF. Isso porque dá às chefs um novo olhar sobre a vida.
“A maior lição que a maternidade me trouxe, e que aplico diariamente na cozinha, é a escuta. Escutar pessoas, perceber necessidades, ter paciência, sensibilidade e firmeza ao mesmo tempo. Uma cozinha profissional não funciona apenas com técnica: ela funciona com humanidade”, defende.
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Na visão de Catarina, humanidade e afeto andam de mãos dadas, e nada mais semelhante a experiência de ser mãe. “O mais bonito que aprendo sendo mãe e que também se repete na cozinha é que amor e presença mudam completamente o resultado das coisas. Quando você cozinha com atenção, cuidado e verdade, as pessoas sentem. Assim como os filhos sentem quando estão sendo realmente vistos e acolhidos.”
