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Defeso do camarão: entenda por que a pesca é proibida até abril

A pesca e comércio de espécies de camarão foram suspensas por meses em algumas partes do Brasil para proteger o ecossistema marinho

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Pexels/Foto de Valeria Boltneva
Camarões em frigideira
1 de 1 Camarões em frigideira - Foto: Pexels/Foto de Valeria Boltneva

Quem ama frutos do mar já deve ter se deparado com a seguinte cena: o camarão simplesmente desaparece de alguns cardápios por um período do ano. Não é coincidência, nem falta do produto. Trata-se do defeso do camarão, uma medida ambiental criada para proteger a reprodução do crustáceo e garantir que ele continue chegando fresco às mesas brasileiras no futuro.

O defeso funciona como uma “pausa obrigatória” na pesca. Durante esse intervalo, a captura de determinadas espécies é proibida para que os animais consigam completar seu ciclo reprodutivo no mar sem interferência humana. Uma forma de dar tempo para a natureza se recompor.

O que diz a lei

No Brasil, o período de defeso é regulamentado por normas do Governo Federal, especialmente por instruções do antigo Ministério da Pesca e Aquicultura e do atual Ministério da Agricultura e Pesca, além de portarias do Ibama.

A legislação determina períodos específicos de proibição da pesca, variando conforme a espécie de camarão e a região do litoral. A regra existe porque o ciclo de reprodução muda de acordo com as características ambientais de cada área.

Durante o defeso, fica proibida a captura de espécies como:

  • Camarão-rosa;
  • Camarão-branco;
  • Camarão-sete-barbas.

Quem descumpre a norma pode sofrer multas, apreensão de equipamentos e até suspensão da atividade pesqueira.

Datas do defeso do camarão no Brasil

As datas variam conforme a região, mas em boa parte do litoral brasileiro o período costuma ocorrer entre março e maio para algumas espécies — justamente quando os camarões entram em fase intensa de reprodução.

Em partes do Sudeste e do Sul, por exemplo, o defeso costuma acontecer aproximadamente entre 28 de janeiro e 30 de abril, dependendo da espécie e das atualizações das portarias federais.

Já em áreas do Nordeste e do Norte, os períodos podem mudar para acompanhar o comportamento das populações marinhas.

Por isso, pescadores e comerciantes precisam acompanhar as normas atualizadas a cada temporada.

Onde a regra funciona

O defeso não é aplicado de forma uniforme em todo o Brasil. As restrições podem abranger áreas marítimas de estados como:

  • São Paulo;
  • Rio de Janeiro;
  • Espírito Santo;
  • Paraná;
  • Santa Catarina;
  • Rio Grande do Sul.

Algumas regras também incluem estuários, baías e regiões costeiras, locais onde muitos camarões se reproduzem.

Além do impacto ecológico, a medida também protege a atividade pesqueira a longo prazo, garantindo que comunidades tradicionais continuem vivendo da pesca.

O tema ganhou destaque recentemente quando especialistas alertaram para períodos semelhantes aplicados a outros frutos do mar. Em reportagem publicada em fevereiro sobre o consumo de lagosta fora de época, foi explicado que respeitar o defeso é essencial para preservar espécies que dependem de ciclos naturais de reprodução no oceano. A lógica vale também para o camarão.

Pode vender camarão durante o defeso?

Sim, mas com uma condição. Restaurantes, peixarias e mercados podem comercializar estoques capturados antes do início do defeso, desde que o produto tenha origem comprovada e esteja devidamente registrado.

Isso significa que, mesmo se o camarão aparecer em um cardápio, ele provavelmente foi pescado antes da proibição.

Impactos no prato e no futuro do mar

Para quem gosta de gastronomia, o defeso pode parecer apenas um detalhe sazonal. Mas, na prática, ele funciona como um seguro ambiental para a biodiversicamarãocamarãocamarãodade marinha.

Sem essa pausa na pesca, populações inteiras de camarões poderiam diminuir drasticamente — o que afetaria não só os oceanos, mas também a economia pesqueira e a cultura gastronômica brasileira.

Respeitar o defeso hoje é garantir que o camarão continue sendo protagonista de moquecas, risotos e bobós por muitos anos.

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