Antes de pedir lagosta, saiba por que este não é o momento
O defeso da lagosta já começou no Brasil. Entenda por que respeitar esse período é essencial para o mar — e para a boa gastronomia
atualizado
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Durante alguns meses do ano, a lagosta — símbolo de sofisticação à mesa — deveria simplesmente sair do prato. Não por falta de sabor, mas por responsabilidade. No Brasil, esse intervalo atende pelo nome de período de defeso, uma medida ambiental que impacta diretamente a pesca, os restaurantes e o consumo consciente.
O que é o defeso da lagosta
O defeso é o período em que a pesca, o transporte e a comercialização da lagosta são proibidos ou severamente controlados para proteger a espécie durante a fase reprodutiva. No Brasil, ele ocorre, em regra, entre novembro e abril, quando a lagosta se reproduz e garante a renovação dos estoques naturais.
Durante esse tempo, apenas lagostas declaradas em estoque antes do início do defeso podem ser comercializadas. E, mesmo assim sob fiscalização rigorosa.
Regras variam por estado, mas o alerta é nacional
Embora o defeso da lagosta seja uma norma federal, a fiscalização e a aplicação das regras podem variar entre os estados, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a pesca da espécie é mais intensa. O atual defeso teve início em novembro de 2025, quando a captura passou a ser proibida e a comercialização ficou restrita apenas a estoques previamente declarados aos órgãos ambientais.
Desde o dia 1º de fevereiro, a legislação se tornou ainda mais rígida, deixando estritamente proibida a comercialização de lagosta, independentemente da existência de estoque, em qualquer estado brasileiro. A medida busca fechar brechas, conter o mercado ilegal e garantir que nenhuma lagosta retirada do mar durante o defeso chegue ao consumidor.
Por que esse período existe?
A lógica é simples: sem pausa, não há futuro. A lagosta leva anos para atingir o tamanho ideal e se reproduz apenas em determinadas condições ambientais. A pesca contínua durante esse ciclo compromete não só a espécie, mas todo o equilíbrio do ecossistema marinho.
Logo, o defeso garante a reprodução da lagosta no ambiente natural, evita a sobrepesca e o colapso dos estoques, protege comunidades pesqueiras que dependem da espécie e mantém a lagosta como um ingrediente viável no longo prazo.
Respeitar o defeso é entender que o verdadeiro requinte não está na ostentação do prato, mas na consciência de quem o escolhe.
