Vale ou não vale? Provamos menus do Restaurant Week e Panelas da Casa
Esta é a última semana para aproveitar os dois festivais gastronômicos, que oferecem menus de entrada, principal e sobremesa a preço fixo. Experimentamos 12 deles
atualizado
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Quem quiser aproveitar o Restaurant Week e o Panelas da Casa tem somente até o próximo domingo (14/8). Os dois festivais gastronômicos, que ocorrem em paralelo, têm a mesma proposta de reunir vários restaurantes que ofereçam menus completos (entrada, principal e sobremesa) a um preço fixo.
No caso do Panelas, o valor, em qualquer uma das casas R$ 43,90 (almoço ou jantar). O Restaurant Week este ano criou dois tipos de menu. Algumas casas trabalham a R$ 43,90 (almoço) e R$ 54,90 (jantar) e outras com R$ 53,90 e R$ 67,90 (jantar) — todos os valores acrescidos de R$ 1 para campanha social.Se vale experimentar? Provamos 10 dos menus em oferta — quatro do Panelas, cinco do RW — para tirar essa dúvida.
PANELAS DA CASA
(todos os menus a R$ 43,90)
Dona Lenha (foto no alto da página)
(413 Norte, 202 Sul, Terraço Shopping e Deck Brasil, telefone no site da rede
Experimentamos: salada de brotos e legumes grelhados com vinagrete de hortelã; prime rib de porco assado na lenha com melado de vinho tinto, tomate recheado com farofa de cogumelos e batatas rústicas. e sorvete artesanal de iogurte com compota de morangos orgânicos — menu de almoço e jantar.
Interessante como a receita da entrada consegue dar sabor a uma salada de brotos (o que, convenhamos, não é a coisa mais apetitosa que conhecemos). O prime rib traz a qualidade habitual das receitas servidas no cardápio regular do Dona Lenha. Delicioso e bem combinado com o tomate recheado. Mas o melhor fica no final: uma sobremesa simples mas de dar vontade de lamber o potinho.

Cartolaria Bistrô Musical (foto acima)
(QE 28 do Guará 2, 3026-2228)
Experimentamos: tomate assado com pesto e coalho; frango no gergelim ao molho de morango, e cartola de chocolate com sorvete — menu de almoço e jantar
A entrada traz uma combinação simples, mas certeira, em preparação bastante correta. O prato principal peca pela absoluta falta de gosto do peito de frango — como se sabe, este corte, se não bem trabalhado, tem naturalmente gosto de coisa nenhuma. Tão sem gosto a carne que nem incomodou o excesso de doce do molho de morango. Aqui também o final é o melhor. Uma maravilha a cartola, servida em porção pequena, como um sorvete, não muito doce e bastante saborosa.
Jambu
(Vila Planalto — ao lado do balão de entrada, 3081-0900)
Experimentamos: raízes (batata doce e batata baroa grelhadas na gordura de pato e cozidas no caldo de pato, purê de macaxeira com manteiga de garrafa, jambu e tucupi); mojica de peixe branco do dia (peixe assado, desfiado e colocado em um caldo de peixe com pimentões, tomate e coentro, engrossado com farinha de mandioca, acompanhado de arroz); pudim de tapioca com calda de taperebá e vidro de pimenta calabresa — menu de almoço e jantar.
O Jambu é um dos poucos restaurantes da cidade que oferece surpresas ao paladar. No menu do Panelas da Casa essa regra se mantém, mas há um excesso de líquido — tanto que usa-se colher para comer todas as etapas. A entrada também não é recomendável para qualquer comensal. O sabor do caldo de jambu e tucupi é forte, até enjoativo. Já no pudim de tapioca, é mais seco do que devia. Poderia ter mais calda para se tornar um pouco memorável. Conselho: não economize e peça pratos do cardápio regular.

Veloce (foto acima)
(Deck Brasil, QI 11 do Lago Sul, 3364-2477)
Experimentamos: panzanella & arancini (cubos de pão italiano temperados, tomate cereja, cebola roxa, manjericão e nosso bolinho de risoto); cotoletta di maiale alla milanese (prime rib de porco empanado em farinha especial Veloce, servido com purê de ervilhas gratinado com queijo de cabra e saladinha cítrica de rúcula), e panna cotta com coulis de frutas vermelhas — menu de almoço.
A opção pensada para o festival agrada em principio e decepciona no fim. A salada de entrada estava equilibrada e a melhor parte ficou por conta do bolinho de risoto, bastante saboroso. O prime rib trouxe o sabor da carne suína com um toque cítrico, o que combinou muito bem com o bem preparado purê de ervilha. Ponto positivo também para o atendimento. O serviço é ágil e permite que o cliente almoce em menos de uma hora. Já a panna cotta estava muito mole e longe da textura desejada.
RESTAURANT WEEK
Ancho Bistrô de Fogo
(306 Sul, Bloco C, 3244-7125)
Experimentamos: linguiça defumada com farofa de panko; bife do vazio acompanhado de arroz à piemontese, molho roti e batatas rústicas, e shot de papaia com cassis e crocante — menu de almoço (R$ 53,90).
A casa de inspiração argentina na 306 Sul serve boas opções para o almoço. De entrada, uma saborosa linguiça defumada assada na parrilla, ladeada por crocante farofa de panko, deixa um gostinho de quero mais para o comensal. Entretanto, o prato principal, o bife do vazio peca pela falta de sabores marcantes. Embora minúscula, a sobremesa, um shot de papaia com cassis, sai do lugar comum devido a um equilibrado crumble no fundo do copinho.
Fortunata
(SHIS Qi 9, Bloco C, Lago Sul, 3364-6111)
Experimentamos: carpaccio de filé-mignon com mostarda, alcaparras, parmesão e rúcula + torradinhas; escalopinho de filé-mignon ao vinho tinto acompanhado de arroz cremoso à piamontese com bacon crocante. e pudim de leite condensado e chocolate com calda caramelizada — menu de almoço.(R$ 43,90).
A demora na entrega dos pratos é um ponto negativo para quem busca um local ágil onde almoçar. A entrada, que deveria ser leve, tornou-se pesada com o excesso de molho de queijo. A salada tinha gosto forte de parmesão. O prato principal é bom, mas não surpreende. O sabor do bacon quase não aparece no arroz à piamontese e o escalopinho veio à mesa morno. A melhor parte da refeição é o excelente pudim de chocolate. No ponto certo, traz uma calda deliciosa de mesmo sabor. Enfim, um menu trivial. Para quem vê os festivais a oportunidade de experimentar novos sabores, não vale.

Nau Frutos do Mar
(Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, 3252-0155)
Experimentamos: moquequinha de peixe (caldinho de moqueca de peixe com farofa de dendê); camarão poldina (camarões refogados na manteiga aromatizada, servidos sobre arroz cremoso de nata, queijo coalho e salsinha, coberto com cubinhos de queijo coalho empanados, acompanhados por batata palha — foto acima), e duo de cocada branca e morena — menu de almoço.
Experimentamos também: ceviche de tilápia com temperos cítricos, e torta trufada de chocolate branco e chocolate meio amargo — menu de almoço (R$ 43,90).
Vale e muito! O menu de três etapas dificilmente sairia por esse preço no Nau. A única ressalva é à moquequinha da entrada. Embora bem temperado, o prato chegou frio à mesa, mas o garçom foi atencioso ao ouvir a reclamação e ficar de passar a informação à cozinha. O ceviche é gostoso, mas nada muito marcante. O camarão poldina é bem servido, saboroso, e lembra muito o camarão internacional, prato mais famoso do Coco Bambu, rede concorrente. Sugestão: vá com um amigo e peça cada um uma sobremesa. Muito bem preparados, os doces têm sabor e açúcar na medida. A torta trufada tem uma farofinha sensacional.

Parrilla Madrid
(408 Sul, Bloco D, 3343-0698)
Experimentamos: caldinho de feijão com crispy de couve; fraldinha Black Angus com molho de gorgonzola e batatas bravas com crispy de bacon, e petit panqueca de doce de leite argentino — menu de almoço (R$ 53,90).
Apesar de saborosa, a porção de caldo de feijão salpicado com crisps de couve crocante, servido numa panelinha, poderia ter um tempero mais incrementado. A fraldinha com molho de gorgonzola e batatas bravas se destaca, embora os pedacinhos de bacon prometidos para essa versão espanhola do tubérculo tenham ficado ausentes. O fim da refeição é o ponto alto da refeição: minipanqueca de doce de leite argentino com sorvete de creme (e uma crosta fina de açúcar semelhante à encontrada no topo do crème brûlée).
Sagres
(316 Norte, Bloco E, 3347-2234)
Experimentamos: bolinhos de bacalhau; bacalhau do Cerqueirinha (bacalhau desfiado, com batatas, cebolas, tomates, pimentões e azeitonas pretas no azeite, ao forno, acompanhado de arroz branco), e natas do céu (mistura em camadas de merengue, farofa de biscoito, creme de ovos e castanha de caju) — menu de almoço.
Para começar, o RW é de fato uma boa chance de experimentar a cozinha do Sagres por um preço mais camarada. E o menu é uma boa amostra do que a casa oferece cotidianamente. O bolinho de bacalhau é dos melhores da cidade, crocante e quentinho — e vem em dose dupla. O bacalhau do Cerqueirinha é bem servido e se diferencia de outras receitas (como o Gomes de Sá, a outra opção) pela presença marcante dos tomates. Já a natas do céu justifica o nome. É celestial.

Toro
(104 Sul, Bloco C, 3225-0494)
Experimentamos: empanada de carne estilo argentino; prime rib suíno com molho de ervas frescas e papas el brava, e pudim de leite condensado com calda de laranja e gengibre — menu de jantar.
Experimentamos também: ensalada Eliza (seleção de folhas verdes, tomate cereja, cenoura ralada, cebola roxa, palmito picado, manjericão, aceto balsâmico, azeitonas pretas e mostarda Heinz); baby beef com arroz cremoso de provolone e perfume de sálvia, e brownie com coulis de morango — menu de jantar. (R$ 54,90)
O Toro tem uma das melhores carnes da cidade. E isso pode ser experimentado no menu do RW. Antes, a empanada de estilo argentino chega à mesa como manda a tradição portenha, quentinha e com recheio bem temperado. As carnes, servidas no ponto pedido.Aí você já comeu tão bem que até deixaria passar o pudim (bom, mas não obrigatório) ou o brownie com calda muito doce. Ressalte-se o serviço eficientíssimo, mesmo numa noite (de sábado) de casa cheia.
Trattoria da Rosario
(SHIS QI 17 Bloco H, Lago Sul, 3248-1672)
Experimentamos: mix de folhas verdes, molho à base de endívias e mel, acompanhado de tomate caqui e muçarela de búfala; polpettone napoletano (polpetone recheado de queijo bel paese e mortadela italiana, assado ao forno acompanhado de espaguete no molho de tomate san marzano), e panna cotta (bavaroise de creme de leite fresco e baunilha acompanhada de coulis de frutas vermelhas) — menu de almoço (R$ 53,90).
Experimentamos também: carpaccio tradizionale (finas fatias de carne bovina com molho de endívias finalizado com rúcula e queijo grana padano); filetto alla parmigiana (filé-mignon empanado e assado ao forno com queijo grana padano e molho de tomate san marzano acompanhado de espaguete no próprio molho), e tiramissù — menu de jantar (R$ 67,90).
Um dos melhores italianos da cidade, a Trattoria da Rosario escolheu dois clássicos dessa culinária para servir no RW. E serve como manda o figurino. Feitos com ingredientes de primeira, os pratos vêm em porções fartas mas difíceis de serem largadas pela metade, de tão saborosas. Das duas sobremesas, o tiramissú é infinitamente superior ao panna cotta — mas aqui pode ser uma mera questão de gosto pessoal. Uma amostra e tanto da cozinha do chef Rosario Tessier.
Colaboraram: Mirelle Pinheiro, CarolBchara, Arthur H. Herdy