Insetos já são produzidos para consumo na culinária no Brasil
Fez cara de nojo? Pois até a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) classifica o inseto como alimento
atualizado
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O uso de insetos na culinária é comum em países como o México, por exemplo, mas ainda provoca expressões de nojo nos brasileiros. Isso começa a mudar por aqui com a aproximação entre chefs e fornecedores que, até recentemente, só vendiam essa matéria-prima como alimento para animais.
“O inseto não é um substituto das carnes ditas ‘normais’, e sim mais uma opção alimentar de grande qualidade nutricional, que pode ser incorporada facilmente à dieta regular de toda população”, diz Rossano Linassi, professor de gastronomia do Instituto Federal Catarinense, em Camboriú (SC).
Linassi é autor de receitas como macarrão oriental ao mix de insetos e morangos silvestres com chocolate e larvas de moscas. E garante que os bichinhos podem ser usados numa infinidade de pratos, tanto doces quanto salgados.
As larvas possuem sabor leve de cereais ou de amêndoas, e são muito palatáveis. Os grilos com chocolate, nas degustações que fiz, são os mais degustados e têm um sabor ótimo, lembrando um biscoito recheado com chocolate
Rossano Linassi, professor de gastronomia
Prontos para degustação
No Brasil, a produção de insetos ainda é voltada somente à alimentação animal. Não há legislação específica para a produção e comercialização deles para a alimentação humana. Mas, de olho nesse interesse dos profissionais de cozinha, produtores estão se preparando para mudanças de conceito.
Tanto que já produzem insetos com condições para consumo humano. É o caso da Safari Insetos, que tem criadouros em Piracicaba (SP), interior de São Paulo. A Safari cria grilos, baratas e tenébrios, entre outros bichos, seguindo as mesmas exigências sanitárias para animais e humanos.
“A alimentação dos insetos é preparada com farelo de trigo, milho, cevada e vegetais, como legumes e folhas, de onde eles também retiram a água que necessitam”, explica o engenheiro agrônomo e proprietário da Safari, Eduardo Matos.São todos bem limpinhos
Eduardo Matos, engenheiro agrônomo
Ele conta ainda que os excrementos são retirados semanalmente de um reservatório no fundo de cada baia, onde caem por gravidade, mantendo o ambiente limpo. No cativeiro, os insetos ficam guardados em ambiente controlado, para evitar contaminação com espécimes de fora.
A empresa não vende insetos para o consumidor comum, mas tem atendido a chefs e até escolas de gastronomia, como o IFC, em que Lissani dá aulas. Para ele, quanto mais chefs, cozinheiros e entusiastas da cozinha usarem os bichinhos como alimento, mais rápida será a aceitação.




