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O MasterChef Brasil reforça um estereótipo do mundo da gastronomia: o chef bravo, que grita e humilha os cozinheiros. Aquele estilo bem Gordon Ramsay, sabe! Esse tipo de líder, felizmente cada vez menos comum, de fato, existe. São oriundos de uma escola antiga, bastante defasada. Porém, acredite ou não, o berro não é o pior assédio moral dentro de uma cozinha.

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O deboche está presente em várias cozinhas profissionais e, ao longo dos oito anos que passei nelas, vejo como a pior atitude de um líder. Trata-se daquele comentário depreciativo em tom de ironia quando o cozinheiro acerta. Tipo: após realizar de forma competente uma tarefa, ouvir uma piada. Esse comportamento acaba sendo repetido por outros colegas dando início a um círculo vicioso, no qual dizem “não está tão bom quanto o de fulano (o previamente ‘elogiado’), mas dá para o gasto”.

A gritaria, por mais danosa que seja, não é repetida pelos iguais em hierarquia, mas o desmerecimento – ou a depreciação – é sempre reproduzida e vira um hábito.

O que torna essa atitude ainda mais danosa não é o fato de deixar o cozinheiro com medo de errar, mas, paradoxalmente, temeroso em acertar. Cria-se um obstáculo ao crescimento da técnica e da critavidade.

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A atitude vem, normalmente, de uma chefia insegura, que tem medo de ser ultrapassada por seus “subalternos”. Temos duas vertentes de direções opostas: a cozinha está cada vez mais profissionalizada, com chefs-líderes; porém, em paralelo, há a popularização do estilo Gordon Ramsay de ser: a figura abusiva e extremamente debochada.

Em toda a minha carreira, foi possível perceber que o companheirismo e a clareza de ordens são os elementos-chave de uma boa liderança. A ordem deve existir e o respeito à hierarquia também, mas toda a equipe deve ter a oportunidade de crescer – não há evolução sem erros, oras!



 

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