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Papo Espresso: trabalho escravo pode afetar mercado do café brasileiro

Esta semana, um escândalo envolvendo trabalho escravo em uma fazenda de café foi divulgado. Saiba como isso impacta o mercado

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Na foto, o fruto do café no pé já maduro e grãos de café espalhados como fundo - Metrópoles
1 de 1 Na foto, o fruto do café no pé já maduro e grãos de café espalhados como fundo - Metrópoles - Foto: reprodução/ Freepik

No Papo Espresso desta sexta-feira (17/3), o assunto é sério: após denúncias recentes em vinícolas de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, envolvendo trabalho escravo, agora é a vez do café.

Esta semana, a Folha de São Paulo divulgou que uma ação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou, em julho do ano passado, sete trabalhadores em um cafezal de Minas Gerais.

A fiscalização foi feita em uma propriedade da empresa Fazendas Klem Importação e Exportação de Cafés em Manhumirim.

Durante o processo, depoimentos mostram a situação precária: não havia banheiro com descarga e o esgoto corria a céu aberto próximo à casa em que foram colocados. Também não eram fornecidas ferramentas, material de proteção e de abrigo para alimentação quando estavam na lavoura.

“A moradia estava completamente suja; não eram fornecidas roupas de cama, não havia local para tomada de refeições, lavanderia para higienização das roupas e objetos de uso pessoal. As refeições preparadas pelos próprios trabalhadores eram realizadas no alojamento que não possuía condições de conservação, asseio, higiene e segurança”, aponta o relatório da fiscalização.

Os trabalhadores, todos de Caetanos, região centro-sul da Bahia, chegaram a Manhumirim na madrugada do dia 20 de junho de 2022. Os fiscais afirmam que até o resgate, no dia 6 de julho, não houve pagamento de salários aos trabalhadores.

Na foto, um terreno de café das Fazendas Klem Importação e Exportação de Cafés - Metrópoles

Selo internacional de sustentabilidade

A Fazendas Klem estava dentro de um seleto grupo de produtores de café no Brasil que ostenta o selo Rainforest Alliance, uma ONG com atuação em todo o mundo que atesta a sustentabilidade de produtores agrícolas.

Utilizando títulos de “gourmet”, “premium” e “especial”, o café produzido pela empresa é vendido a preços altos nos supermercados, chegando a R$ 112  o quilo.

A Rainforest Alliance alega, em seu site, que os selos representam “que o produto (ou um ingrediente específico) foi produzido por agricultores, silvicultores, e/ou empresas trabalhando em conjunto para criar um mundo onde as pessoas e a natureza prosperam em harmonia”, informou que, após o ocorrido, a empresa Fazendas Klein não conta mais com a certificação sustentável.

Na foto, grãos de café com uma embalagem - Metrópoles
Selo Rainforest Alliance

O que diz o cafezal?

No site oficial da empresa, eles divulgaram um texto dizendo que “os autos de infração recebidos estavam eivados de vícios e contradições, sem quaisquer provas e/ou indícios quanto às irregularidades apontadas, de forma que se acredita na improcedência das infrações”. Além disso, eles afirmam que “pela sucessão de acontecimentos, trata-se de retaliação política, com clara intenção de prejudicar a empresa e seus sócios”.

A empresa reitera que “a caracterização de condições análogas à escravidão é subjetiva e amparada no entendimento pessoal de cada auditor do trabalho” e reforçou que “não coaduna com quaisquer práticas de supressão e/ou violação de direitos, estando sempre atenta e agindo em conformidade com as legislações, durante toda sua cadeia produtiva”. Leia o posicionamento completo neste link.

Como isso impacta o mercado?

Rodrigo Pereira, mestre de torra da Anero Cafés Especiais, explica que essa é a primeira vez que ouviu falar sobre trabalho escravo no café, mas que isso atinge, majoritariamente, empresas que produzem cafés tradicionais, chamados commodities.

“Acredito que seja mais difícil encontrar em produtores de cafés especiais, pois como o cultivo é diferenciado, é preciso de mão de obra mais especializada para o trato com a lavoura”, comenta o especialista.

 

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Segundo ele, a polêmica é péssima para o mercado. “Valorizamos muito o produtor rural que está ali sob o sol todos os dias cuidando da plantação. Essa situação gera uma ideia errada sobre quem leva a sério a produção de cafés de qualidade, principalmente os pequenos e médios”, disse, em entrevista ao Metrópoles.

Para evitar adquirir produtos advindos de trabalho análogo à escravidão, Rodrigo indica sempre procurar pela rastreabilidade, que deve constar nas embalagens dos cafés de qualidade.

“A região, nome da fazenda, do produtor e a variedade do café são informações que dão base para que o cliente pesquise a respeito do produto que ele está adquirindo”, conta. Hoje, a maioria das fazendas q trabalham com cafés de qualidade possuem redes sociais para q os clientes saibam a respeito daquele produtor.

Saiba como funciona o processo produtivo do café especial:

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