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A beer sommelière Beatriz Ruiz, gerente de conhecimento cervejeiro da Ambev, conquistou recentemente uma marca nacional: é a primeira brasileira a obter o Cicerone, certificado internacional que nivela e capacita profissionais de toda a cadeia cervejeira. Ela conseguiu o Certified Cicerone, o segundo de quatro níveis disponíveis na organização.

“É uma prova supercomplicada, quase um vestibular. Eles fazem perguntas muito específicas, como testes cegos de coloração, ou pedem que você enuncie cervejas comerciais de um estilo específico. Para passar, tem de devorar os autores, porque as diferenças entre os estilos é mínima, uma coisinha no aroma, no sabor, no teor alcoólico. Tem que estudar muito, beber cervejas, fazer testes cegos”, garante a beer sommelière.

Embora complexa, a prova, disponível em inglês e em espanhol, é relativamente curta no nível em que Beatriz passou: tem apenas quatro horas de duração. As três primeiras são dedicadas a uma extensa prova escrita, com mais de 150 questões discursivas e de múltipla escolha, abrangendo conhecimentos desde a produção até o armazenamento do produto.

A última hora é dedicada à análise cega de cervejas. Nos quatro primeiros copos servidos, o profissional deve apontar os defeitos de cada um. Em seguida, deve diferenciar os estilos de outras quatro bebidas. Por fim, os últimos quatro copos têm estilo identificado, e o candidato deve avaliar se a cerveja é apropriada para venda ou não.

“Temos de explicar o porquê de tudo. Na minha prova, tinha uma cerveja contaminada, com aroma de manteiga e de vinagre. Tem de explicar isso e identificar se foi mau armazenamento, contaminação na linha de chope, defeito de fabricação… E ainda tem de falar o que o bar deve fazer para não repetir o erro”, lembra Beatriz.

Ao fim da análise sensorial, o candidato tem um último desafio: tem três minutos para, em frente a uma câmera e em inglês, explicar como se limpa uma torneira de chope. “Tem de mostrar como desmonta, dizer o nome de cada peça, como limpar cada uma, que tipo de produto deve ser usado, qual o equipamento de proteção individual…”, enumera a sommelière.

O preparo para a prova não foi simples: por três meses, Beatriz conciliou uma rotina intensa de estudos com o trabalho, que não é pouco. Foram fins de semana inteiros dedicados aos estudos, além de noites viradas para aproveitar o pouco tempo até a prova. A sommelière compartilha o Cicerone com mais de 2,5 mil pessoas no mundo todo. O Mestre Cicerone, último dos níveis, não tem 20 aprovados.

“Penso em procurar os outros certificados, mas não agora. O próximo nível tem um dia inteiro de prova, é ainda mais aprofundado. É muito tempo de preparação, estudar e trabalhar ao mesmo tempo é difícil de gerenciar. Deu muito nervoso, passei noites sem dormir, tive crises de ansiedade. Tem de trabalhar muito a autoconfiança”, comenta Beatriz. O prazo para a próxima tentativa, no entanto, não é tão longo para quem vê de fora: a sommelière considera a possibilidade de obter o Cicerone Avançado em 2019.



 

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