Festival de Brasília: leia crítica do filme adolescente Luna

Longa de Cris Azzi narra autodescoberta sexual de adolescente que vê sua vida exposta após vazamento de vídeo íntimo

atualizado 18/09/2018 11:31

Gustavo Baxter/Divulgação

Com propostas distintas para tratar da juventude feminina, os filmes Mesmo com Tanta Agonia (SP), de Alice Andrade Drummond, e Luna (MG), de Cris Azzi, contaram histórias de sororidade e autodescoberta sexual na noite de segunda (17/9), no 51º Festival de Brasília.

Luna narra o empoderamento de uma adolescente e sua nova melhor amiga após um vazamento de um vídeo íntimo abalar a vida da personagem principal. Mesmo com Tanta Agonia parte de um acidente na linha do trem para comentar a vida de uma jovem trabalhadora durante uma noite no centro de São Paulo.

Leia críticas dos filmes exibidos na noite desta segunda (17/9) no Festival de Brasília:

Luna (MG), de Cris Azzi: adolescência desnudada
Uma multiplicidade de situações, comportamentos e impetuosidades típicos da adolescência compõem este autêntico conto teen assinado por Azzi em seu primeiro longa solo de ficção. A trama do filme é basicamente uma dinâmica de forças opostas.

Do trauma de ter o corpo exposto pelo vazamento de um vídeo íntimo a todo um processo de autorreconhecimento. Do cotidiano comum no colegial a um despertar sexual e mental rumo à sororidade.

Luana (Eduarda Fernandes) muda completamente de atitude ao se tornar amiga de Emília (Ana Clara Ligeiro), novata na escola. Enquanto a primeira leva uma vida mais simples, a segunda mora em uma casa de luxo. Ambas sem tanta supervisão dos adultos.

Um dos estágios da autodescoberta de Luana se dá num serviço de chat online. Emília é a espectadora. Elas se desnudam e a amiga grava tudo. Depois, promete não compartilhar com ninguém. Quem vaza o material, claro, é um garoto que se aproveita do celular da amiga.

O filme abre com as repercussões da viralização do vídeo – comentários maldosos de homens hediondos numa rede social, Luana urrando sem ser escutada pela mãe no trabalho, um canteiro de obras – e volta a essas cenas no terço final, após uma longa jornada de festas, risadaria, conversas jogadas fora e intimidade compartilhada.

Luna começa a se perder um pouco no terço final, com incômodas digressões visuais, como caminhadas a esmo, e uma série de arestas que não colaboram para o fluxo narrativo – a tentativa de suicídio, por exemplo. É quando o filme fica difuso e parece entrar num beco sem saída.

As últimas cenas, após o nome da atriz principal surgir numa falsa apresentação dos créditos finais, dão uma rasteira no público ao coletivizar o empoderamento da adolescente. Melhor longa teen brasileiro desde Califórnia (2015), de Marina Person.

Avaliação: Bom

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Mesmo com Tanta Agonia (SP), de Alice Drummond Andrade: uma noite em São Paulo
Hoje é aniversário da filha de Maria, Julya. A mãe trabalha num restaurante e enfrenta uma tumultuada volta para casa. Um corpo cai nos trilhos do trem e atrasa a viagem. Ela chega à festa com atraso, a tempo de aparecer em hilários vídeos da turminha da filha.

Julya e as amigas atravessam o centro de São Paulo a bordo de uma limusine. A menina que comanda as filmagens de celular dá tchau para a galera na Avenida Paulista, comemora a fartura de champagne – sem álcool, claro. Mais uma série de imagens belamente filmadas do que uma narrativa com começo, meio e fim, o curta termina com Maria ao volante, escutando música enquanto luzes da cidade a iluminam. Registros diversos de uma noite feminina em São Paulo.

Avaliação: Bom

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