APRESENTA A EXPOSIÇÃO
É pau / É pedra - Sergio / Camargo
Cronologia
1930
Sergio Camargo nasce em 8 de abril, no Rio de Janeiro, filho do paulista Christovam Torres de Camargo e da argentina Maria Campomar, e neto do industrial Juan Campomar, dono da tecelagem argentina Campomar S.A.
1946
Aos 16 anos, frequenta a Academia Altamira, onde tem aulas com os artistas Emilio Pettoruti e Lucio Fontana, que o faz abandonar a condição de herdeiro de uma poderosa dinastia industrial para dedicar-se às artes plásticas, opção radical que marcaria toda a sua vida.
1949-1950
Viaja com os pais para uma temporada em Paris, algo comum entre famílias ricas da época. Porém, fascinado pela efervescência cultural da cidade no pós-guerra, Sérgio decide não voltar ao Brasil com a família.
Vai para Paris e se matricula no curso de filosofia na Sorbonne, onde tem aulas com o filósofo Gaston Bachelard.
Também entra em contato com as obras de Hans Arp e Georges Vantongerloo, e passa a visitar o ateliê do escultor romeno Constantin Brancusi, experiência que lhe marcou.
Casa-se com Marie Louise Berthodin.
1951
Nasce Cristóvão, seu primeiro filho com Marie-Louise Berthodin.
1953
Passa nova temporada em Paris, onde trabalha exclusivamente a escultura abstrata.
1954
De volta ao Brasil, participa do 3º Salão Nacional de Arte Moderna.
Passa a produzir esculturas figurativas de nus femininos, influenciado pela obra de Henri Laurens.
Nesse mesmo ano, viaja à República Popular da China em caráter oficial, como integrante do primeiro grupo de jovens convidados pelo governo chinês.
Nasce Carlos, seu segundo filho com Marie-Louise Berthodin.
1955
Participa do 4º Salão Nacional de Arte Moderna e da 3ª Bienal de São Paulo.
1956
Cria a Galeria GEA, inaugurada com uma mostra individual de Frans Krajcberg. Nos anos seguintes, o espaço apresentaria as obras de artistas que admirava, como Alfredo Volpi, Iberê Camargo, Ivan Serpa, Maria Leontina, Milton Dacosta, Oswaldo Goeldi e Renina Katz.
1957
Participa da 4ª Bienal de São Paulo. Integra a mostra coletiva “Arte Moderno en Brasil”, organizada pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e exibida na Argentina, Uruguai, Chile e Peru.
1960
Participa da II Bienal Interamericana do México.
1961
Instala-se novamente em Paris, onde permanecerá até 1974. Nesse período, cria uma relação próxima com o grupo latino-americano sediado em Paris, especialmente Jesús Rafael Soto, Carlos Cruz-Díez e Alfredo Guzmán.
Explora o gesso em busca de um novo método de criação, moldando-o com os dedos ou com pincéis para gerar formas que servem de base aos moldes usados na produção de esculturas fundidas em bronze.
1963
Inicia a produção dos relevos, marcando uma ruptura em relação à sua obra anterior. Neles, passa a explorar as potencialidades poéticas do cilindro. Com essa série, vence o Prêmio Internacional de Escultura na 3ª Bienal de Paris.
1964
Homenagem a Brancusi e Torre Modulada são executadas no ateliê de Alfredo Soldani, na Itália.
Em dezembro, realiza uma exposição individual na galeria Signals, em Londres, espaço voltado ao experimentalismo. A BBC produz o filme Kinetic Art: Works by Soto, Camargo and Takis.
1965
Recebe o Prêmio de Melhor Escultor Nacional na 8ª Bienal Internacional de São Paulo.
É convidado a criar o Muro Estrutural do Palácio Itamaraty, em Brasília.
A Tate Gallery, de Londres, adquire a obra Grand relief fendu n.º 34/4/74.
O documentário produzido pela NBC sobre a exposição Soundings Two, realizada na galeria Signals, é exibido nos Estados Unidos e no Canadá.
Conhece Aspásia Brasileiro Alcântara, socióloga e militante estudantil, amiga de sua irmã Sonia. Passam a viver juntos em Paris a partir de 1967.
1966
Apresenta 22 obras em uma sala especial na 33ª Bienal de Veneza.
A galeria Signals publica uma monografia dedicada ao artista, com texto de Guy Brett.
1968
Realiza exposições individuais na Suíça, Inglaterra, Itália e Alemanha.
Uma versão menor de Homenagem a Brancusi passa a integrar o acervo permanente do Hirshhorn Museum and Sculpture Garden, em Washington.
Participa da 4ª Documenta de Kassel, na Alemanha.
Na França, exibe sua obra Torre Modulada, que, no ano seguinte, seria instalada definitivamente no Musée des Sables. Cria um tríptico para a agência do Banco do Brasil em Nova York.
1969
Faz exposição individual em Nova York com texto de Mário Pedrosa traduzido para o inglês por Hélio Oiticica e Guy Brett.
1970
Cria as “trombas”, cilindros de maior volume que aparecem geralmente em duplas.
Participa da 2ª Bienal de Arte Coltejer, na Colômbia, e da 8ª Biennale Internationale de Menton, na França.
1971
Camargo passa a se dedicar mais intensamente ao trabalho em mármore. Após desenvolver os protótipos, as esculturas são executadas em seu ateliê em Massa, na Itália.
Casa-se com Aspásia Brasileiro Alcântara em Paris, com a artista Lygia Clark como madrinha, e nasce Maria, a primeira filha do casal.
1972
Doa Homenagem a Brancusi ao futuro Museo de Arte Moderno Jesús Soto, na Venezuela.
1973
Instala esculturas em mármore na entrada do Collège d'Enseignement Technique, na França.
Participa da 7ª Biennale Internazionale di Scultura, em Carrara.
1975
Passa a integrar um grupo de artistas e críticos, entre eles Ronaldo Brito, Iole de Freitas, José Resende, Tunga e Waltercio Caldas, com quem estabelece um ambiente fértil de discussão e reflexão sobre arte, que se manterá ao longo de toda a sua vida.
Morre Rubens Campomar de Camargo, irmão de Sergio, aos 43 anos. A perda, bastante dolorosa, tem muitos efeitos sobre o artista nos anos seguintes.
A família se muda para o sítio em Jacarepaguá, junto ao ateliê, numa casa também projetada por Zanini.
1977
O artista mexicano Rufino Tamayo adquire uma escultura e um relevo de sua autoria, além de encomendar uma coluna em mármore destinada ao acervo do futuro Museo Tamayo, na Cidade do México.
1978
Participa da mostra coletiva “50 Anos de Escultura”, no Rio de Janeiro. Nasce Irene, sua terceira filha com Aspásia.
1979
Instala uma escultura em mármore na Praça da Sé, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo.
Participa da 15ª Bienal Internacional de São Paulo, em uma sala especial dedicada aos artistas premiados em edições anteriores. Morre seu pai, Cristovam de Camargo, mais conhecido como Tito
1980
O presidente do México recebe uma escultura de Sérgio Camargo durante visita oficial ao Brasil.
Integra a mostra inaugural do Gabinete de Arte Raquel Arnaud, em São Paulo. Realiza uma exposição individual no MASP, Museu de Arte de São Paulo, mostra eleita como melhor retrospectiva do ano pela APCA, Associação Paulista de Críticos de Arte.
1982
Representa o Brasil na 41ª Bienal de Veneza. Muda-se com a família para uma cobertura em Copacabana, projetada por Oscar Niemeyer, onde mora até o seu falecimento.
O ateliê continua no sítio em Jacarepaguá, que passa a ser a casa de fim de semana da família.
1983
Morre sua mãe Maria Campomar de Camargo, mais conhecida como Titi.
1984
Passa a explorar formas piramidais.
1986
Conclui a execução da obra Muro, uma parede de concreto monumental de 420 m² e 163 toneladas, instalada no Centro Empresarial Itaú, em São Paulo.
Separa-se de sua segunda esposa, Aspásia Camargo.
1987
Cacá Silveira dirige o filme A Dança das Formas para a TVE do Rio de Janeiro.
1988
Em sua produção, surgem as formas ovoides, com incisões longitudinais ou circulares feitas em Carrara e negro-belga.
1989
Participa da 20ª Bienal Internacional de São Paulo.
1990
Falece prematuramente em 20 de dezembro, aos 60 anos, após ter dito à esposa, dez anos antes, que não gostaria de viver além dessa idade. As perdas e doenças familiares não pouparam a última etapa de sua vida. Seu corpo foi velado no Paço Imperial, no Rio de Janeiro.
Apesar da partida precoce, deixou uma obra prolífera e original, sendo um dos primeiros artistas brasileiros a conquistar reconhecimento internacional, e abriu caminho para a arte contemporânea brasileira no exterior.
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