Proibição das bets pode causar prejuízo bilionário, avalia Bap, do Flamengo
Eduardo Baptista projeta prejuízo de até R$ 3 bilhões para o futebol brasileiro e clube divulga nota alertando sobre impactos financeiros e

O presidente do Flamengo, Eduardo Baptista, em entrevista ao Metrópoles, voltou a defender a atuação das casas de aposta no futebol brasileiro. O gestor da equipe carioca disse que o fim das bets no esporte poderia causar prejuízos bilionários em curto prazo.
“Eu estimo que o ecossistema do futebol possa perder entre R$ 2,5 e R$ 3 bilhões no ano que vem. E isso em um período tão curto, as empresas estão fazendo seus orçamentos agora”, iniciou.
“Uma decisão como essa feita agora, faz com que a gente perca de alguma maneira esse dinheiro que já estava previsto para o ano que vem, como também pode atrapalhar uma logística para futuros patrocinadores. Então o impacto nos dois próximos anos seria completamente material para o Flamengo e para o futebol brasileiro”, completou.
Ainda nesta quinta-feira, o Flamengo havia se posicionado novamente a respeito do assunto e detalhou a defesa através de nota oficial publicada nas redes sociais. No comunicado, o time carioca afirmou que uma eventual mudança no marco regulatório representa uma questão de “segurança jurídica” e pode afetar diretamente o esporte brasileiro.
O clube também avaliou que a possível proibição das bets “atinge em cheio o esporte brasileiro”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA manifestação ocorre diante da possibilidade de o governo federal adotar novas medidas para restringir o funcionamento das empresas de apostas no país.
Leia a nota na íntegra:
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“O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.
Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.
Isso é uma questão de segurança jurídica.
E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.
A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.
Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.
O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.
Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.
Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.
E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.
Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço.
Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal. Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas.
Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.
E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.
O Brasil precisa combater o jogo ilegal.
Precisa proteger sua população.
Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas.
O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”



