Justiça interrompe obras de demolição do ginásio Cláudio Coutinho

Com a decisão, a Arena BSB, concessionária que administra o complexo, anunciou paralisação imediata das obras

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Derrubada do Ginásio Cláudio Coutinho 9
1 de 1 Derrubada do Ginásio Cláudio Coutinho 9 - Foto: null

A juíza Mara Silda Nunes de Almeida acatou o pedido de interrupção das obras de demolição do Complexo Aquático Cláudio Coutinho. A requisição foi feita pela Defensoria Pública do Distrito Federal e a liminar foi emitida na última sexta-feira (23/4).

No último dia 16, a Defensoria Pública do Distrito Federal já havia requisitado à Terracap “a imediata suspensão de qualquer demolição ao complexo”. Porém, diferentemente da decisão da última sexta-feira, o ofício não tinha força de liminar. O Metrópoles teve acesso ao documento.

No texto, há trechos que justificam a decisão, como “preocupação com relação à demolição e necessidade prévia de análise sobre a preservação da edificação”.

Decisão – demolição by Metropoles on Scribd

Obras paralisadas
A demolição do complexo vinha sendo realizada pela Arena BSB, que anunciou, em nota, que interromperá imediatamente as obras. Veja o posicionamento da concessionária que administra o complexo Cláudio Coutinho:

“A Arena BSB informa que após tomar conhecimento da liminar suspendendo a demolição do Ginásio anexo ao Complexo de piscinas Claudio Coutinho, declara que vai parar imediatamente as obras, bem como tomar as medidas judiciais cabíveis.

O Ginásio está interditado e esquecido há mais de 20 anos, por ter sido condenado pela Defesa Civil, devido graves problemas estruturais em sua fundação.

A obra faz parte do projeto de revitalização da área degradada do Complexo Esportivo de Brasília e é resultante do maior concurso público arquitetônico do país, coordenado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB.

Durante toda fase de aprovação, o projeto foi analisado, discutido e estudado e pelos mais diversos órgãos do Governo local e Federal, incluindo o IPHAN, que já se manifestou pela aprovação do projeto, destacando a inexistência de tombamento.

O projeto passou por audiências públicas, estudo de impacto de vizinhança e deliberação pelo Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do Distrito Federal (CONPLAN), composto por membros de 34 entidades públicas e privadas, tendo sido aprovado por unanimidade. Importante observar que o Presidente do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (CONDEPAC) participou da referida e votou favoravelmente ao projeto.

Em dezembro de 2020, por cautela, a Arena BSB protocolou pedido específico para autorizar demolição da edificação perante a Central de Aprovação de Projeto (CAP) da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (SEDUH), que respondeu pela desnecessidade de autorização, pois a demolição constava no projeto de requalificação do lote, cuja autorização foi emitida em março de 2021.

“Me escapa a motivação deste grupo, que não compareceu em nenhuma das audiências públicas a respeito do projeto, preferindo esperar o início das obras para se manifestar. Mais uma vez o empreendedorismo é a vítima…”, diz Richard Dubois, presidente da Arena BSB, e encerrando o comunicado da concessionária.

Protestos
Em outubro de 2020, 300 manifestantes protestaram contra a demolição do complexo. O grupo organizou um abraço simbólico no espaço aquático do local. A intenção do grupo intitulado #SalveoDefer é restaurar o ginásio para receber competições “a seco” de médio porte. Para isso, além da manifestação, acionou a Defensoria Pública e o Ministério Público para garantir a não derrubada da estrutura.

O grupo realizou um novo protesto no dia 17 de abril, organizando outro ato simbólico no local, que já estava em processo de demolição.

“Estamos nesta luta desde o início de 2020. O grupo de atletas do Defer tem se manifestado muito antes de começar a obra. Vínhamos procurando soluções pacíficas, evidenciando as inconsistências do edital e do projeto, porém, como as portas foram fechadas para nós, a solução foi procurarmos a Justiça por meio de abaixo-assinado datado de outubro do ano passado, enviado para a Defensoria Pública, e eventual liminar, impedindo a continuidade da demolição”, afirmou o grupo #SalveoDefer.

“Não somos contra a concessão, nem temos nenhum enviesamento  político. Somos um movimento de alunos do Defer, atletas, de várias modalidades, e queremos que se julgue no mérito da questão, se aquela estrutura é ou não parte do Defer. Quem sai perdendo com tudo isso é o esporte”, concluiu, em resposta ao posicionamento da Arena BSB.

Na semana, o Metrópoles teve acesso ao complexo e verificou que a derrubada estava muito adiantada. Inclusive, o cronograma da Arena BSB era de terminar a demolição na última sexta-feira. O término de todo o procedimento, incluindo limpeza da área, estava previsto para 20 de maio.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEsportes

Você quer ficar por dentro das notícias de esportes e receber notificações em tempo real?