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Após pênaltis, Brasil fatura o tão sonhado ouro olímpico

A vitória veio dos pés de Neymar, após o goleiro Weverton defender o último pênalti da Alemanha. Medalha representa o sucesso da nova geração de jogadores e de um técnico desconhecido até pouco tempo atrás

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LEONARDO BENASSATTO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
neymar final seleção brasileira
1 de 1 neymar final seleção brasileira - Foto: LEONARDO BENASSATTO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

O Brasil é ouro! Conquistou finalmente neste sábado (20/8) o único título que faltava ao seu futebol, o de campeão olímpico, numa final dramática contra a Alemanha, vencida apenas na última cobrança de pênalti. Coube a Neymar, o craque do time, capitão e que havia feito da medalha de ouro quase uma questão de honra, o gol da vitória. Antes, porém, o goleiro Weverton defendeu um pênalti, abrindo o caminho para a conquista inédita. A vitória por 5 a 4 nas penalidades após empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação coroa uma equipe jovem, que pode representar um futuro vencedor para o futebol brasileiro.

O título é também uma recompensa a um técnico até então desconhecido, Rogério Micale, que se propôs a respeitar as características e a essência do futebol brasileiro. O jogo bem jogado, ousado, ofensivo.

Após decepções seguidas como a derrota por 7 a 1 para a Alemanha na Copa de 2014, e participações desastrosas em Copas Américas, o Brasil volta a conquistar um título de peso. “O campeão voltou”, celebrou a torcida que lotou o Maracanã.

As três bolas que a Alemanha acertou no travessão no primeiro tempo servem para dar a dimensão do quanto o jogo foi difícil para a seleção brasileira. O time de Horst Hrubesch confirmou o que se esperava: é muito bem armado, entrosado, frio e perigoso ao atacar e ainda mais ao contra-atacar.

O Brasil até se expunha, mas tinha o mérito de não deixar a Alemanha respirar. Sempre que os adversários tentavam sair da defesa, aparecia um brasileiro pressionando, marcando forte. Muitas bolas foram roubadas ou retomadas assim.

Veja a explosão de alegria na hora em que o goleiro brasileiro defende o chute alemão e no final do jogo:

Acompanhe o que os internautas estão falando sobre o jogo:

 

Renato Augusto fazia grande partida, tanto na destruição de jogadas como ao começar a construí-las. Talvez tenha exagerado nas vezes em que procurou Neymar, sempre bem marcado, o que fez com que algumas jogadas acabassem não saindo.

Neymar se mexia bastante, fez algumas jogadas individuais, tentou tabelas. E recebeu faltas. Numa delas, o Brasil saiu na frente. O atacante cobrou com perfeição, no ângulo, sem defesa para Horn. O Maracanã explodia.

Na comemoração, Neymar comemorou imitando o raio característico Usain Bolt, que estava no Maracanã – foi para ver o jogo e conhecer o camisa 10 depois da partida. O jamaicano, que assistia o jogo ao lado do pai do craque, aplaudiu, entusiasmado, e o atacante decretou: “Eu mando aqui!”, falou, apontando para o gramado do Maracanã.

O Brasil estava bem em campo, apesar de algumas atuações apagadas como a de Gabriel Barbosa, mas a Alemanha não podia ser desprezada. Mesmo porque fazia uma jogada que o técnico Rogério Micale havia previsto: seus atacantes afunilavam, abrindo espaço para as subidas dos laterais.

Instruções
Ao lado do campo, sempre de pé, Micale dava instruções e tentava corrigir o posicionamento. Mas a seleção tinha dificuldade para controlar esse tipo de jogadas e dava espaços. Mas, ao fim da etapa, apesar dos três sustos, e da grande defesa feita por Weverton aos 30 minutos em chute de dentro da área de Meyer, o Brasil continuava sem tomar gol na Olimpíada.

A invencibilidade acabaria aos 13 minutos da etapa final, após jogada alemã pela direita do ataque, com bastante espaço, e um cruzamento rasteiro para a área onde Meyer, livre de marcação, bateu firme para empatar. A jogada que terminaria em gol aconteceu depois de mais um erro na saída de bola do time brasileiro.

Naquela altura, a seleção fazia um segundo tempo irregular. Atacava, criava algumas situações. A concentração, porém, já não parecia a mesma e o time errava muitos passes. Também demonstrava alguma impaciência, algo que não ocorrera na etapa inicial.

A seleção estava perdendo o setor de meio de campo, e era preciso equilibrar o setor. Micale, então, tirou o neste sábado inoperante Gabriel Barbosa e colocou o meia Felipe Anderson em campo.

A torcida estava aflita, mas fazia sua parte, vaiando os alemães quando estes tinham a bola e tentando empurrar os brasileiros. E lamentando as chances perdidas, como a de Felipe Anderson na cara do goleiro após belo lançamento de Neymar – ele furou.

O Brasil retomara o domínio do jogo, atacava bastante, criava chances, mas nada de gol. A rigor, nem dava muito trabalho ao goleiro Horn. O maior volume de jogo não significa efetividade e ainda havia o risco das ocasionais investidas dos alemães. Assim, 90 minutos e os acréscimos não foram suficientes para definir a medalha de ouro.

Com o time cansado na prorrogação, Micale decidiu povoar meio de campo. Colocou Rafinha no lugar de Gabriel Jesus, que havia caído muito de produção e abriu mão de seu esquema com três atacantes – que já não funcionava. O Brasil passou a jogar no 4-4-2, com Luan e Neymar à frente.

A prorrogação foi truncada. No início do segundo tempo, Neymar voltou a colocar Felipe Anderson na cara do gol. Desta vez o meia chutou em cima do goleiro.

A seleção brasileira, por sua vez, mostrava estar extenuada, já parecia sem forças, apesar de lutar. O alemães tocavam a bola aparentemente sem se importar com o ensurdecedora vaia que levavam de todo o Maracanã. Se não conseguissem passar pela defesa brasileira para concluir a gol, pelo menos fariam o tempo passar, apostando nos pênaltis.

FICHA TÉCNICA

BRASIL 1 (5) X (4) 1 ALEMANHA

BRASIL – Weverton; Zeca, Marquinhos, Rodrigo Caio e Douglas Santos; Walace, Renato Augusto e Luan. Gabriel Barbosa (Felipe Anderson), Neymar e Gabriel Jesus (Rafinha). Técnico: Rogério Micale.

ALEMANHA – Horn; Klostermann, Suele, Ginter e Toljan; Sven Bender, Lars Bender (Proemel) e Meyer; Brandt, Selke (Petersen) e Gnabry. Técnico: Horst Hrubesch.

GOLS – Neymar, aos 26 minutos do primeiro tempo; Meyer, aos 13 do segundo. Pênaltis: Renato Augusto, Marquinhos, Rafinha, Luan e Neymar marcaram para o Brasil; Ginter, Gnabry, Brandt, Suele para a Alemanha. Petersen perdeu.

ÁRBITRO – Alireza Faghani (IRÃ).

CARTÕES AMARELOS – Zeca, Gabriel Barbosa, Selke, Sven Bender, Suele, Proemel.

PÚBLICO E RENDA – Não divulgados.

LOCAL – Maracanã, no Rio.

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