Felipão no Cruzeiro: os desafios que o pentacampeão enfrentará na Raposa

Aos 71 anos, o experiente treinador terá pela frente um dos maiores desafios de sua carreira

atualizado 15/10/2020 22:57

FelipãoVisual China Group via Getty Images/Visual China Group via Getty Images

Depois de quatro recusas diferentes, o Cruzeiro anunciou seu novo treinador nessa quinta-feira (15/10). Depois da demissão de Ney Franco, Lisca, Felipão, Umberto Louzer e Marcelo Chamusca disseram “não” à Raposa. No entanto, o pentacampeão pela Seleção Brasileira voltou atrás e aceitou assumir o cargo.

Metrópoles relembra a saga dos mineiros na busca por um técnico e os desafios que o experiente Luiz Felipe Scolari irá enfrentar:

Quando o Cruzeiro apresentou Ney Franco, em 9 de setembro, após a saída de Enderson Moreira, o presidente Sérgio Santos Rodrigues comentou ter entrado em contato com Roger Machado, Dorival, Felipe Conceição, Eduardo Barroca e até tentado a volta de Rogério Ceni. O treinador do Fortaleza recusou regressar à Raposa.

Ney ficou no cargo por sete jogos. Foram duas vitórias (contra Vitória e Ponte Preta), um empate (diante o Oeste) e quatro derrotas (para o CSA, Avaí, Cuiabá e Sampaio Corrêa) na Série B. Em 11 de outubro, ele foi demitido e, desde então, o Cruzeiro está sem treinador efetivo.

Não faltaram opções, mas estão sobrando “não”s. O primeiro foi de Lisca, ex-Ceará que atualmente treina o América-MG, também da Série B. Depois, a tentativa foi Luiz Felipe Scolari, que está sem clube desde quando deixou o Palmeiras, no fim de 2019, mas também negou o Cruzeiro.

Umberto Louzer da Chapecoense foi o tiro que passou mais perto que os outros, chegando a ser dado como certo, com direito até a anúncio pronto por parte do clube mineiro. Mas Louzer acabou voltando atrás e desistiu de deixar o comando do Verdão do Oeste, vice-líder da 2ª divisão do Brasileirão.

Nessa quinta-feira (15/10), foi a vez de Marcelo Chamusca, comandante do Cuiabá, negar o cargo na Raposa. Segundo o Globoesporte.com, a proposta salarial superou a quantia atual, mas mesmo assim Chamusca não aceitou abandonar o time que é líder disparado da Série B, com 32 pontos.

Por fim, Felipão aceitou a oferta do clube e assinou contrato para até o fim de 2022. Aos 71 anos, quase 72 — faz aniversário em 9 de novembro —, ele terá pela frente um dos maiores desafios de sua carreira.

Problema por todos os lados

As dívidas do clube são as principais responsáveis. Foram elas que desencadearam todos os outros grandes problemas. Ainda em maio deste ano, a Fifa decidiu punir o Cruzeiro por um débito com o Al-Wahda, da Arábia Saudita, pelo empréstimo do volante Denílson. Foi definido que o clube começaria a campanha na Série B com seis pontos negativos.

Em setembro, a entidade internacional impôs outra penalidade ao Cruzeiro e proibiu o clube de registrar novos jogadores. Dessa vez, a punição ocorreu pela dívida referente à contratação de Willian Bigode, por 1 milhões de euros, ao FC Zorys-UCR.

Assim, o clube, que tem vendido, emprestado e liberado muitos jogadores para tentar aliviar as despesas e quitar as dívidas, está com o elenco escasso. São poucas opções de alto nível e o investimento nos jogadores da base levou o time a ter 13 jogadores com idade abaixo de 20 anos.

Por falar em elenco, outro problema que certamente fez os treinadores não aceitarem as propostas do Cruzeiro foi o atraso de pagamentos. O mês de agosto foi quitado somente no fim de setembro, e este também está pendente

O resultado de tudo isso é visto dentro de campo. Em 15 jogos disputados na 2ª divisão, o Cruzeiro tem cinco vitórias, três empates e sete derrotas, um aproveitamento de 40%. A pressão da torcida é grande e as chances de o clube voltar à elite ficam cada vez mais difíceis de serem enxergadas.

Um levantamento publicado pelo Globoesporte.com mostra que, após 15 rodadas, nenhum time com a pontuação abaixo de 19 conseguiu terminar a temporada entre os quatro primeiros. O Cruzeiro tem apenas 12 e dentro dessa margem, dos que somaram menos de 19 até então, estão outros sete times: Vitória e Brasil de Pelotas, com 18; Guarani com 17; Náutico com 15; Botafogo-SP e Figueirense com 14; e, na lanterna, Oeste, com apenas sete.

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