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Futebol

De férias em Brasília, zagueiro Lucão, do São Paulo, quer jogar nas Olimpíadas. "Será um privilégio enorme"

Jogador de apenas 19 anos foi um dos titulares da zaga do Tricolor e ganhou vaga na seleção olímpica

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Leonardo Arruda/Metrópoles
De férias em Brasília, zagueiro Lucão, do São Paulo, quer jogar nas Olimpíadas. “Será um privilégio enorme”

Fim de temporada é o momento para refletir tudo de bom e ruim que aconteceu no ano. Principalmente ao lado de amigos e familiares. O zagueiro Lucão vem aproveitando justamente isso. Nascido no Gama, assim como Kaká, o jogador do São Paulo presenciou altos e baixos na equipe paulista, mas conseguiu alcançar um objetivo: atuar como titular em várias partidas no ano – e sendo liderado por Rogério Ceni.

Com 19 anos, Lucão ainda conseguiu uma vaga na seleção olímpica. Teve propostas para jogar no exterior, mas preferiu seguir no time paulista, pois deseja evoluir ainda mais dentro do futebol brasileiro. Comemorou o G4 e a vaga na Libertadores, mas espera um 2016 diferente, levantando troféus. 

Você deixou Brasília muito novo, com 12 anos, seguindo uma trajetória parecida com a do Kaká. Como foi isso?
Saí daqui muito cedo. Eu morava no Gama e era das categorias de base do São Paulo, que na época era no Iate Clube. Treinava lá e um olheiro do São Paulo veio fazer algumas peneiras em Brasília. Consegui passar nos testes do São Paulo. Fiz a base toda no clube, subi para o profissional. É uma experiência de vida. Olho para trás e vejo que tudo valeu a pena. As alegrias e as dificuldades. Fiquei sozinho até os 16 anos, morando no CT de Cotia. Depois meu tio foi para lá. Consegui tirar o foco e me ajudou bastante.

Você saiu cedo, mas continua acompanhando o futebol candango?
Acompanho muito o Candangão. Tenho amigos que jogam no Gama, que trabalham lá. Quando dá, tento acompanhar. Mas é triste ver o Gama, que já disputou Série A, estava direto na Copa do Brasil, ficar de fora. A gente sabe que os times têm potencial para permanecer nas divisões maiores, mas no futebol você precisa de investimento. Ainda creio que o futebol candango possa voltar a ser como era ou ficar até melhor, para conquistar títulos importantes e voltar à Série A.

Como você avalia esse seu segundo ano como profissional pelo São Paulo?
Foi um ano muito bom para mim. Foram muitas experiências, tanto boas quanto ruins. Nas boas consegui absorver o máximo possível e, nas ruins, consegui tirar uma lição para não passar novamente. Dentro do São Paulo consegui ser titular, que era o meu objetivo. Joguei 50 jogos na temporada e espero que 2016 seja melhor do que este ano.

Leonardo Arruda/Metrópoles
*Leonardo Arruda/Metrópoles**

Você chegou a ser convocado para a Seleção Olímpica e já tinha passado por outras gerações das categorias de base. Essa medalha de ouro vai vir?
Desde a primeira convocação, a expectativa a cada torneio aumenta. Vestir a camisa da seleção será um privilégio enorme, ainda mais em uma Olimpíada. Nunca ganhamos o ouro, mas a gente tem tudo para conquistar esse título para o Brasil.

Como você avalia o sistema de trabalho do Osório, principalmente nesse fator de rodízio que tanto se falou neste ano?
O Osório é um excelente treinador. É diferenciado, tem métodos diferentes, com nível de Europa. Ele fez um bom trabalho. O que mais atrapalhou a gente foi a mudança de treinador, estilo de jogo, na parte da tática e técnica. Tivemos muitos altos e baixos, mas conseguimos fazer bons campeonatos. Neste fim de ano, o objetivo era a vaga na Libertadores e esperamos melhorar para 2016.

O maior baque do São Paulo na temporada foi o 6 x 1 para o Corinthians, no fim do Brasileiro?Acho que sim. Quando entramos em campo, nunca é para perder. E ainda mais por 6 x 1 para um rival como o Corinthians. Mas estamos sujeito a tudo. Futebol é apaixonante, pois é imprevisível. Foi triste para a gente, mas acontece. É esquecer isso e bola para frente.

Como foi ser o zagueiro do São Paulo no último ano de carreira do Rogério Ceni?
Foi gratificante. Para mim, que vim dá base, foi um privilégio jogar com o maior ídolo da história do São Paulo. São 25 anos de clube, não é pouca coisa. É um cara excepcional e tive a honra de jogar ao lado dele. Vai ser um orgulho contar isso para os meus filhos. Poder ter ele ali ao meu lado acrescentou muito na minha vida, principalmente na parte profissional. Espero que tanto os exemplos que ele me deu, quanto de outros como Luiz Fabiano e Alexandre Pato, eu possa acrescentar para a vida inteira.

Leonardo Arruda/Metrópoles

O São Paulo tinha um bom elenco na temporada, mas não conquistou título. O sabor é ainda mais amargo por conta disso?
Quando a gente vai jogar sempre queremos vitórias. Com o elenco do São Paulo não é diferente. Ficamos tristes por não termos conquistado nenhum título, porque nós sabemos da nossa qualidade. É um dos elencos mais fortes do Brasil. A gente teve um gosto de superação na parte final, conquistando a vaga no G4, ainda mais com tudo que estava acontecendo. Nós fizemos a nossa parte.

Extracampo a gente tenta deixar de lado. Se absorver essas coisas, atrapalha ainda mais. Conseguimos nos focar e fazer o nosso trabalho. Faltou um título, mas a vaga na Libertadores salvou o nosso ano. Disputar esse torneio será importante para a gente e a superação sobressaiu.

Lucão

Hoje toda criança que está começando quer jogar no exterior e nem fala sobre jogar num grande clube do Brasil. Você já joga no São Paulo, começou lá. Qual a sua opinião sobre essa saída precoce para o exterior e até esse tipo de pensamento de querer jogar fora do País?
Quando se sai muito cedo, você sai imaturo e sem experiência. A gente sabe que o futebol na Europa é rápido e pegado. O garoto tem que ficar no país e ter uma adaptação, fazer uma história dentro do Brasil. Subir das categorias de base e jogar no time e se consagrar é um sonho. Aí sim dá para pensar em ir para a Europa. Pois aí você já chega para jogar. Quero ficar no São Paulo, fazer história com a camisa do clube. Futuramente eu posso pensar em ir para a Europa, pois é sim um sonho. Mas não por agora.