Como técnico utiliza heavy metal para melhorar o desempenho do Torino
Croata Ivan Juric usou o metal para criar identidade de jogo, fazendo do Torino uma equipe difícil de ser batida no Campeonato Italiano
atualizado
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Não é novidade ouvir que determinado time jogou por música ou que as jogadas eram harmônicas como numa sinfonia. Mas a forma como o treinador Ivan Juric usa o heavy metal para treinar e motivar seus jogadores é algo ate então nunca observado.
O croata de 46 anos, que assumiu o comando do Torino no inicio da temporada, trouxe a energia e vibração do som metaleiro para dentro de campo. Do primeiro minuto ao ultimo, os jogadores jogam com muita intensidade, sufocam o adversário na saída de bola, e não abrem mão de cometer faltas se não for possível recuperar a bola.
Apesar do ser a equipe que mais comete faltas no Campeonato Italiano (17 por jogo, bem à frente da segunda colocada, o Verona), não está entre as que mais recebem cartões amarelo, pois não cometem infrações violentas ou imprudentes. No geral, são faltas táticas, para impedir ataques promissores.
A associação entre futebol e metal não é de hoje. Há 12 anos, quando ainda atuava nos gramados, Juric disse à revista Rolling Stone que os jogadores “não entendiam nada de música”.
“Comecei aos 14 anos com Metallica e Megadeth, depois passei para coisas mais agressivas. Death metal é minha paixão, bandas como Napalm Death, Obituary e Carcass”. Death metal é um subgênero do rock pesado, com guitarras distorcidas, um som agressivo, cujas letras remetem a satanismo, ocultismo e até violência.
O técnico Jürgen Klopp foi um dos principais expoentes da Escola Alemã em que é primordial pressionar a saída de bola do adversário e ter um jogo bastante vertical, sem precisar de muitos toques na bola e passes curtos ou de lado. Não há melhor armador do que um roubo de bola no campo do adversário, entende Klopp, que trouxe o “Futebol Heavy Metal” para a Premier League.
“Ele gosta de ter a bola, de trabalhá-la, de dar muitos passes. É como uma orquestra. Mas um som silencioso. Eu prefiro heavy metal”, disse o comandante do Liverpool certa vez, antes do confronto com Arsène Wenger, então técnico do Arsenal
Embora tenha bebido da fonte alemã (antídoto para o jogo posicional e de muita troca de passes de Pep Guardiola), chama atenção no jogo do Torino os passes longos, em direção ao campo do adversário. Ainda que o lançamento seja errado, estará perto da área adversária, situação perfeita para os jogadores agredirem o portador da bola.
Desde que assumiu o comando da equipe, o Torino tem tido resultados melhores em relação aos últimos anos. Atualmente na 9º colocação, a equipe de Turim terminou as temporadas de 2021 e 2020 na 16º e 17º posição, respectivamente.
Outra característica do treinador do Torino foi herdada de Gian Piero Gasperini, que comanda a Atalanta. Ivan Juric jogava no Genoa quando conheceu Gasperini, que implementava marcação individual. No entanto, o Torino usa da estratégia sem moderação, seja qual for a região do campo ou momento da partida.
O jeito de jogar do Torino, sob a influência do Metal, tem gerado observações da imprensa italiana. Em artigo, Emanuele Atturo definiu o plano de jogo de Ivan como algo “totalmente satânico”. A expressão foi empregada no sentido de romper com o estilo de jogo mais trabalhado, organizado, com troca de passes.
Ao comentar uma partida recente, em que o Torino venceu por 4 x 0 a Fiorentina, uma das surpresas do campeonato, Atturo disse que os jogadores estavam possuídos, como um metaleiro em êxtase num show.
“A Fiorentina parecia ancorada em conceitos ingênuos do futebol, em desejos infantis: jogar a bola, controlá-la, sair da pressão. Ela não conseguiu nada disso, porque do outro lado havia onze demônios prontos para pular em seu pescoço”.
O esquema de jogo do Torino é um 3-4-3, em que jogadores de lado são bastante acionados, sendo que os zagueiros participam da fase de construção. A equipe sabe o que fazer quando tem a bola.
No entanto, como concluiu Emanuele, o modelo de jogo é baseado no caos, em que os jogadores não possuem técnica privilegiada, mas se impõem fisicamente, além de serem vibrantes como o heavy metal que toca no vestiário.








