*
 

O duelo desta segunda-feira entre Brasil e México, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, vai confrontar duas gerações que deram passos bem distintos nos últimos seis anos. Se de 2012 para cá os campeões olímpicos mexicanos avançaram com certa relevância nas suas carreiras e conquistaram espaço na seleção principal, alguns brasileiros, derrotados naquela final em Wembley por 2 a 1, não confirmaram em sua maioria a expectativa criada e até deram passos para trás. Mas os que deram certo são protagonistas no futebol mundial.

Os números atestam essa caminhada diferente. Dos 18 jogadores que o México levou para Londres em 2012 e foram responsáveis por uma das maiores conquistas do país no futebol, sete compõem o grupo de 23 atletas que estão na Rússia e que causou surpresa logo na rodada inicial da Copa do Mundo ao derrotar a campeã de 2014, Alemanha, por 1 a 0.

E esse número poderia ser ainda maior, não fossem algumas lesões. Néstor Araujo, presente em uma lista preliminar de 28 convocados, precisou ser descartado por estar contundido. E, depois que a relação de 23 nomes foi fechada, o zagueiro Diego Reyes foi cortado por ter se lesionado às vésperas da Copa do Mundo.

Assim, daquele grupo que derrotou o Brasil, o veterano goleiro Corona e o atacante Oribe Peralta, autor dos dois gols mexicanos naquela decisão, vão rever a seleção pentacampeã nesta segunda-feira, assim como os meio-campistas Héctor Herrera, Giovani dos Santos e Javier Aquino, além dos atacantes Marco Fabián e Raúl Jiménez.

Só que esses mexicanos, embora na Rússia, ainda não conseguiram conquistar o protagonismo na seleção, tanto que Herrera é o único que possui status de titular com o técnico colombiano Juan Carlos Osorio. Já Raúl, Giovani dos Santos, Fabián e Peralta deixaram uma vez cada o banco de reservas na fase de grupos da Copa do Mundo.

É praticamente o oposto do que o ocorre com os poucos “sobreviventes” da derrota do Brasil em Londres-2012, um resultado que seria determinante para a queda de Mano Menezes do comando da seleção principal meses depois. Passados seis anos, três dos quatro jogadores que fizeram parte daquela derrotada tentativa de faturar o ouro olímpico são protagonistas com Tite.

Neymar, que já era uma estrela do futebol brasileiro, se tornou um extraclasse, a ponto de ter protagonizado a maior transação da história do futebol ao trocar o Barcelona pelo Paris Saint-Germain, há cerca de um ano. Thiago Silva, então um dos veteranos do time e reconhecido internacionalmente, seria o capitão do Brasil na Copa do Mundo de 2014, a deixaria com a imagem manchada, mas se recuperaria, sendo já um dos destaques da seleção na Rússia.

E Marcelo ampliou a sua coleção de conquistas nesse período pelo Real Madrid, sendo avaliado por muitos como o melhor lateral-esquerdo do mundo.

O quarto brasileiro presente a Londres-2012 e agora componente do elenco da Copa em novo encontro contra o México é Danilo, recém-recuperado de lesão no quadril direito e que não atuou naquela decisão, em que o Brasil foi batido por 2 a 1. “O México tem muita qualidade e jogadores rápidos, sou amigo e conheço muitos deles. Vamos ter de entrar concentrados para poder passar”, alertou.

Outros 14 nomes, porém, ficaram pelo caminho, alguns deles que pareciam promissores como Alexandre Pato, Paulo Henrique Ganso, Oscar, Lucas e Leandro Damião. Nesta segunda-feira, bem distantes de Samara, acompanharão o México conquistando mais uma das maiores vitórias da sua história ou ampliando a freguesia diante da seleção brasileira.