Apresentado, Daniel Alves se declara ao São Paulo e projeta títulos

Aos 36 anos, o lateral não quer que “pensem” que ele está encerrando sua carreira

atualizado 06/08/2019 22:28

EDUARDO CARMIM/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

São-paulino desde criança, Daniel Alves voltou a falar sobre o amor pelo clube em sua apresentação, na noite desta terça-feira (06/08/2019), no Morumbi. Além do carinho pelo time, o lateral-direito apontou outros fatores para aceitar a proposta: a estabilidade do projeto em busca de participar da Copa do Mundo de 2022, ajudar a equipe a voltar a conquistar títulos e poder ser uma referência no Brasil. Aos 36 anos, ele não quer que “pensem” que está encerrando sua carreira.

A apresentação de Daniel Alves teve início com os discursos do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e do diretor-executivo de futebol Raí. Quando Daniel Alves ficou sozinho na mesa, falou por mais de 45 minutos sobre diversos assuntos. Disse que não chega para ser o “salvador da pátria”, quer jogar pelo menos alguns minutos contra o Santos e falou sobre a possibilidade de atuar no meio de campo.

“Queria pedir desculpas até pelos nervos. Mesmo tendo vivido muitas coisas, hoje é um momento único para mim. Queria agradecer Raí, Leco, Pássaro, Lugano, chato para caramba, minha equipe. Sabe que hoje estou realizando um sonho de criança? Sonhei muito por esse momento. Eles não estão contratando um jogador de futebol, estão contratando um torcedor do São Paulo que se emocionou com momentos de Raí e com outros tantos nomes, como Lugano, Kaká, Luis Fabiano, Muller, Cafu e por aí vai… É muito prazeroso viver esse dia. Já vivi muitas emoções, mas hoje é muito especial. Sonhei com esse momento, e esse momento chegou. Todo o depósito que o São Paulo está fazendo em mim, vou procurar retribuir da melhor maneira possível. Nós, como torcedores, queremos o melhor do clube, e essa diretoria está dando um passo nesse grande clube, e não vão se arrepender de ter batido na minha porta. Muitos não devem estar entendendo, mas, como eu disse no meu texto, eu tinha muitas propostas e estou realizando um sonho”, discursou Daniel Alves.

“O Raí acabou de falar que o São Paulo está em construção, está caminhando para representar toda a história do São Paulo, que é um dos clubes mais vitoriosos. Estou vindo com esse intuito, poder retribuir com minha experiência e meu trabalho para que o São Paulo possa aspirar a títulos. É um clube de conquistas, vitorioso. Por isso voltei, topei esse desafio, porque sei da história do clube e sei que está necessitando de troféus. Esses desafios são muito motivantes na minha vida. Poder escrever uma história aqui tem um sabor especial”, acrescentou.

De olho na disputa da próxima Copa do Mundo, Daniel Alves recusou propostas de clubes do exterior e assinou com o São Paulo até o fim de 2022. Ele disse não ter conversado com o técnico Tite sobre a escolha, nem mesmo com seus familiares. O objetivo foi deixar “o coração decidir”.

“A primeira coisa que solicitei ao São Paulo é que eu preciso de solidez, de projeto, de estabilidade esportivamente falando, porque tenho objetivos. Preciso construir essa história sabendo de todas as dificuldades. Os sonhos que tenho são superiores a qualquer dificuldade que possa existir no caminho. Tenho o objetivo de tentar jogar a Copa de 2022, e isso passa por um clube que acredita no meu profissionalismo e na minha história no futebol. Acredito que esse foi o ponto primordial. Para uma pessoa que já tem uma certa idade no futebol, um clube que aposta tanto assim merece a retribuição com sacrifício, entrega e resultado. Vim para dar resultado. Não quero que pensem que estou encerrando minha carreira”, afirmou Daniel.

“Não conversei com o Tite, nem com minha esposa ou meus amigos sobre minha decisão de vir para o São Paulo, porque não queria que houvesse intervenção por parte deles em nenhum aspecto. Deixei meu coração tomar a decisão. No PSG não estava atuando como lateral, conheço todas as posições. Sou um jogador de resultados e pretendo que assim seja. Não que seja um falatório, uma teoria em vez da prática. Que esse encontro de sensações e experiências entre o São Paulo e mim possa construir coisas importantes. Estão se juntando duas histórias incríveis tentando caminhar e correr para o mesmo lado”, completou.

Daniel Alves estava há 17 anos no futebol europeu, e a última partida do lateral foi a final da Copa América, em 7 de julho, quando o Brasil venceu o Peru e conquistou o título continental. Apesar do tempo parado, ele já está “enchendo o saco” para atuar pelo menos por alguns minutos no clássico contra o Santos, neste sábado (10/08/2019).

“Eu estava enchendo o saco do Lugano, do Raí e do presidente, que eu queria sentir esse jogo de sábado. Não sei o que eles pensam, mas eu pedi alguns minutos. Vamos ver se é possível tentar, até lá, falar com os responsáveis por isso. Se puder no sábado, melhor do que na próxima semana. Venho aqui para jogar, para ajudar, para fazer as coisas um pouquinho melhor”, disse o lateral, que explicou por que vestirá a camisa 10 do São Paulo.

“Não quis pegar o número de ninguém e optei por usar a 10 do Raí, para não causar nenhum tipo de dúvida de que vim para somar. Não quero ser mais importante do que ninguém. Para os meus companheiros não acharem que, por mais que eu venha da Europa com uma bagagem muito grande, sou melhor do que eles. Vou ser tratado da mesma forma”, afirmou.

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