Flamengo critica arbitragem no Brasil e aponta privilégio ao Palmeiras
Flamengo expôs dados do VAR entre 2020 e 2026 para acusar o Palmeiras de favorecimento; Rubro-Negro detona arbitragem em nota oficial

O debate sobre a arbitragem no futebol brasileiro voltou a ganhar força após o Flamengo publicar um posicionamento oficial com duras críticas à atuação dos profissionais no país.
No documento divulgado em seu perfil oficial, o clube carioca apontou falta de critério, passividade diante de intimidações e destacou disparidades no uso do árbitro de vídeo (VAR) que, segundo a nota, vêm beneficiando o Palmeiras ao longo das últimas temporadas.
Veja a nota:
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Após o retorno da Copa do Mundo, o debate sobre arbitragem voltou a ocupar o centro do futebol brasileiro. E isso não acontece por acaso.
Nos últimos anos, consolidou-se entre torcedores, profissionais do futebol e parte significativa da opinião pública a percepção de que um determinado clube vem sendo reiteradamente beneficiado por decisões de arbitragem. Essa percepção não nasce apenas da rivalidade esportiva. Também encontra respaldo em números.
Levantamento do Espião Estatístico, do ge, mostra que, desde a implantação do ranking do VAR, em 2020, até o Campeonato Brasileiro de 2026, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor (65), o menor número de decisões contrárias entre os principais clubes do país (47) e o maior saldo positivo do futebol brasileiro (+18). Também lidera o número total de intervenções do VAR.
Os números desta edição do Brasileirão seguem na mesma direção. O Palmeiras é a 5ª equipe que mais precisa cometer faltas para receber um cartão amarelo (6,72 faltas por advertência), enquanto seus adversários figuram entre os que mais recebem cartões amarelos e vermelhos ao enfrentá-lo.
Nenhum dado, isoladamente, comprova favorecimento. Mas estatísticas acumuladas ao longo de sete temporadas ajudam a explicar por que esse debate não acaba e segue sendo pauta de todos os envolvidos com o futebol.
Também merece reflexão o comportamento adotado dentro e fora de campo. Tornou-se frequente assistir a jogadores e comissões técnicas cercando árbitros, reclamando de forma ostensiva e se colocando na condição de vítimas mesmo após faltas evidentes ou até mesmo um simples lateral. Uma ação estudada e coordenada.
É importante reconhecer os investimentos realizados pela CBF e os avanços promovidos pela Comissão de Arbitragem, com treinamentos, divulgação dos áudios do VAR e implementação de novas tecnologias. No entanto, não são elas que executam as regras que, eventualmente, acabam decidindo jogos. Na partida entre Vitória e Palmeiras, por exemplo, as decisões foram tomadas por Alex Gomes Stefano, em campo, e Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, no VAR.
São os árbitros que interpretam os lances, aplicam as regras e tomam decisões capazes de alterar tabelas, influenciar disputas por títulos, vagas e rebaixamentos. Por isso, também precisam ser responsabilizados quando cometem erros graves, quando são passivos em relação à pressão até mesmo em cobranças de lateral, e quando não coíbem o mau comportamento sistemático, como determinam as regras. A Copa do Mundo, recentemente, mostrou o caminho; árbitros e atletas que lá estiveram, muitos deles jogando no Brasil, lá, atuaram de acordo com a regra do “jogo limpo”, e deveriam fazer o mesmo aqui.
O futebol brasileiro precisa voltar a discutir mais o jogo do que a arbitragem. Isso só será possível quando os árbitros adotarem critérios claros e deixarem de premiar equipes que utilizem a pressão durante todo o jogo como estratégia. As regras devem ser cumpridas, por todos, inclusive pelos árbitros.
O futebol é paixão e um grande negócio. Por isso, precisa de confiabilidade por quem é incumbido de cumprir as regras do jogo.
Para embasar o questionamento, o manifesto do time rubro-negro utilizou um levantamento feito no período entre 2020 e 2026. Segundo as estatísticas citadas, o Palmeiras acumula o maior número de decisões alteradas a seu favor pelo VAR (65 intervenções), o menor número de revisões desfavoráveis entre os principais clubes do país e o maior saldo positivo da competição (+18).
A publicação também ressaltou a média de cartões, afirmando que a equipe paulista precisa cometer mais faltas para ser advertida em comparação com os adversários que enfrenta.
Embora o texto reconheça que dados estatísticos isolados não comprovam favorecimento, o Flamengo argumentou que o acúmulo desses números explica a persistência do debate.
Além dos dados, a nota faz duras críticas à postura de jogadores e comissões técnicas dentro de campo, classificando as reclamações ostensivas e o cerco aos juízes como uma ação estudada e coordenada para exercer pressão sobre a arbitragem.
Como contraponto, a diretoria rubro-negra citou o exemplo da recente Copa do Mundo, na qual atletas e árbitros atuaram sob o rigor do jogo limpo (fair play).
Por fim, o clube enfatizou que, apesar dos avanços tecnológicos promovidos pela CBF, a aplicação das regras ainda depende do fator humano. A diretoria cobrou punições mais severas para erros graves de arbitragem e exigiu critérios mais claros para que o foco do futebol brasileiro volte a ser o desempenho dentro das quatro linhas.
Polêmica com o Palmeiras
A nota surge durante uma nova polêmica envolvendo a arbitragem. Na quarta-feira (29/7), o Palmeiras goleou o Vitória por 4 x 0, no Barradão, pelo Campeonato Brasileiro. Durante o confronto, o meio-campista Maurício acertou uma cotovelada no zagueiro Cacá. O lance, tratado como passível de expulsão, foi analisada pelo árbitro. O meia foi advertido com o cartão amarelo.
Na sequência, o mesmo jogador do Vitória foi expulso por uma forte entrada em Jhon Arias, e Lucas Cândido, logo depois, também recebeu cartão vermelho por fazer um gesto como se o árbitro estivesse favorecendo o Palmeiras. O time alviverde abriu o placar com Maurício. Após o final do duelo, o presidente do Leão, Fábio Mota, revelou que Cacá levou cinco pontos no queixo após a agressão do paraguaio.
Apesar de não ter sido expulso no duelo, Maurício foi denunciado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e pode ser penalizado uma suspensão de 1 a 6 jogos.











