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Federação da Jordânia acusa Fifa de chantagem e nega apoio a Infantino

Ali Bin Al Hussein acusou a Fifa de pedir apoio a Gianni Infantino em troca de "um grande caminho" para ajudar o futebol da Jordânia

04/08/2026 14:01
Harry Langer/DeFodi Images/DeFodi via Getty Images
Federação da Jordânia acusa Fifa de chantagem e nega apoio a Infantino

Presidente da Federação de Futebol da Jordânia, o príncipe Ali Bin Al Hussein acusou a Fifa de chantagem. O dirigente afirmou que, ao solicitar ajuda em relação à participação da equipe na Copa do Mundo, escutou de uma pessoa ligada à entidade máxima do futebol que “haveria um grande caminho” se apoiasse Gianni Infantino.

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Gianni Infantino, presidente da Fifa
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Gianni Infantino, presidente da Fifa

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Noushad Thekkayil/NurPhoto via Getty Images
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Chip Somodevilla/Getty Images

Al Hussein reclamou também da omissão da Fifa em relação a impostos sobre premiação da equipe durante a Copa do Mundo e da falta de vistos para torcedores jordanianos. Além disso, o presidente da federação afirmou não apoiar o presidente da Fifa em uma possível reeleição.

“A Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação”, disse Al Hussein.

“Nós temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso“, declarou o dirigente jordaniano.

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Procurada, a Fifa não respondeu sobre as acusações.

Crise na Fifa

Gianni Infantino está sob pressão. Após federações europeias retirarem o apoio à reeleição do suíço ao cargo de presidente da Fifa, integrantes da Concacaf também ameaçaram abandonar o dirigente.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, uma reunião emergencial foi realizada pela Concacaf para discutir o tema e diversas federações teriam manifestado a intenção de retirar o apoio ao presidente da Fifa.

A insatisfação das federações nacionais acontece após Infantino dar como encerrado o projeto de criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria responsável pelos direitos comerciais de competições. O objetivo era que 20% desta empresa fosse vendida a investidores externos. O projeto mirava uma arrecadação recorde de até US$ 4,2 bilhões (R$ 22,8 bilhões).

Além da ameaça de países membros da Concacaf, a Federação Inglesa de Futebol (FA) e a Associação de Futebol do País de Gales (FAW) retiraram o apoio ao dirigente.

A forte resistência de federações nacionais e confederações continentais ao projeto de Infantino provocou uma crise política sem precedentes na entidade desde que o dirigente suíço assumiu o cargo em 2016.

Confira a declaração do presidente da Federação da Jordânia:

“Não há poucos problemas em relação à Fifa. Deixe-me começar esclarecendo alguns pontos de vista de uma federação nacional, em particular o da Jordânia, indo para uma Copa do Mundo pela primeira vez.
Somos um pequeno país com um orçamento mínimo para nossa federação e tivemos que lidar com obstáculos enormes. Primeiro, levar nossos torcedores aos Estados Unidos: nem todos receberam vistos, mesmo tendo ingressos – que também sabemos que foram vendidos a preços exorbitantes.
Em segundo lugar, estamos sendo taxados pelo governo dos EUA, através da Fifa, pela nossa participação. Dinheiro que deveria ir para jogadores e funcionários. Não foi o caso daqueles que jogaram e ficaram instalados no Canadá e no México. Mas nós estávamos nos EUA, então agora enfrentamos esses custos enormes em impostos por termos participado.
Em terceiro lugar, estamos esperando o dinheiro de premiação para nossos jogadores desde dezembro pela Copa Árabe no Catar, que é um evento da Fifa. O dinheiro que nossa equipe deveria receber por ter chegado à final ainda não foi enviado, enquanto, ao mesmo tempo, a Fifa se gaba de quantos bilhões eles têm em reserva.
Fica claro que o problema realmente está na liderança. Por meses, a Fifa tem se recusado a nos ajudar em qualquer um desses ou outros assuntos. Até que me foi comunicado verbalmente durante a Copa do Mundo que, se eu apoiasse Infantino, haveria um grande caminho para ajudar nossa federação.
Nós temos orgulho de, na Jordânia, defender valores éticos. Não o apoiamos antes e certamente não o faremos agora. Mas toda a situação equivale a chantagem e nos recusamos a ceder a isso.”